Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Uma Nova Narrativa para a Europa

O que nos distingue

Ideias

2014-11-13 às 06h00

Alzira Costa

Foi das cinzas da Segunda Guerra Mundial que nasceu uma nova esperança no Continente Europeu. Os que haviam resistido ao totalitarismo durante a guerra, estavam agora determinados a pôr fim aos antagonismos nacionais e a criar condições para uma paz duradoura. Entre 1945 e 1950, um punhado de estadistas corajosos, como Robert Schuman, Konrad Adenauer, Alcide de Gasperi e Winston Churchill, empenhou se em persuadir os seus povos a iniciarem uma nova era. Novas estruturas, baseadas em interesses comuns e assentes em tratados que garantissem o primado da lei e a igualdade das nações, iriam ser criadas na Europa Ocidental.

Robert Schuman (Ministro dos Negócios Estrangeiros francês) retomou uma ideia originalmente lançada por Jean Monnet e, a 9 de maio de 1950, propôs a fundação de uma Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Colocar sob uma autoridade comum, a Alta Autoridade, a produção de carvão e de aço de países outrora inimigos era um ato pragmático mas simultaneamente de elevado valor simbólico. Com ele, as matérias primas da guerra transformavam se em instrumentos de reconciliação e de paz.

Assim surge o primeiro passo na construção de uma União Europeia (UE). Sobre o mote da unificação do Continente Europeu, o cumprimento de objetivos políticos torna-se o fim que se ambiciona atingir, através da cooperação económica.

São de facto realçáveis os valores humanitários e progressistas preservados na UE, fundados numa visão da humanidade e num modelo de sociedade apoiados pela grande maioria dos seus cidadãos. Os direitos humanos, a solidariedade social, a livre iniciativa, a justa distribuição dos frutos do crescimento económico, o direito a um ambiente protegido, o respeito pela diversidade cultural, linguística e religiosa e uma síntese harmoniosa entre a tradição e o progresso constituem para os europeus um precioso património de valores.

O projeto europeu é pois, para nós, um constante projeto em construção, mas um grande sucesso se o analisarmos à luz da sua motivação inicial: paz no continente europeu (“o projeto de integração europeia nasceu, como uma fénix, das cinzas da primeira e segunda guerra mundiais. Há 100 anos, a Europa perdeu a sua alma nos campos de batalha e nas trincheiras”, in Uma Nova Narrativa para a Europa). Contudo, esta perspetiva de paz é efetivamente categórica para os cidadãos europeus que vivenciaram o período das grandes guerras ou o pós grandes guerras, com uma Europa em destroços. Para as gerações mais recentes, onde a paz é um “dado adquirido” esta versão histórica não gera o sentimento de pertença e comunhão que seria ambicionado.

Nasce assim o projeto “Uma Nova Narrativa para a Europa”. E em que se baseia este projeto? “Uma Nova Narrativa para a Europa” foi o desafio lançado a artistas, intelectuais, cientistas, representantes do mundo académico e a cidadãos europeus em geral, a refletirem em conjunto, sobre a história, os valores, os símbolos e os aspetos culturais que unem os europeus, e com isso, a imprimirem um novo fôlego ao espírito europeu através de uma nova visão para a Europa.

«Porquê uma nova narrativa para a Europa? Não porque tenhamos deixado de ser fiéis àquilo que constitui a razão de ser da Comunidade Europeia e da União Europeia. Essa razão de ser continua, obviamente, a ser válida. Mas porque penso que necessitamos, no início do século XXI, de continuar a contar a história da Europa, sobretudo às novas gerações, que já não se identificam muito com a atual narrativa. Quando lemos um livro, também não podemos ficar pelas primeiras páginas, por mais belas que sejam. Temos de continuar a contar a história: continuar a escrever o livro no presente e no futuro. Por isso precisamos de uma nova narrativa para a Europa» (discurso de Durão Barroso, 23 de abril de 2013).

O projeto europeu não tem apenas a ver com cooperação económica, trata-se igualmente de conciliar as diferentes culturas e aspirações europeias, que são uma fonte de grande vitalidade para o continente. Daqui resulta a contribuição deste grupo de artistas, intelectuais e cientistas. Para um futuro sustentável é indispensável contar a participação empenhada de todos os setores da sociedade.

O que significa a Europa para mim? Que significado deve ter para os cidadãos?
Por que precisamos atualmente de uma Europa cultural?
Como deverá a nova narrativa para a Europa ser partilhada pelos cidadãos europeus?
Estas são algumas das questões que até março de 2015 serão trabalhadas para construirmos uma “Uma Nova Narrativa para a Europa”. Participe no debate, «porque cada um de nós pode ser (mais) cidadão».

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