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Uma Mensagem de Natal

Onde está o meu peixe

Uma Mensagem de Natal

Voz às Escolas

2020-12-17 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Chegamos ao final do primeiro período do ano letivo mais conturbado da história recente da vida das Escolas.
Acompanha-nos um misto de sentimentos, sentimentos que se foram enraizando e contra os quais tantas vezes lutámos, conscientes do seu efeito perverso no cumprimento da Missão que assumimos.
Após quase seis meses afastados, fisicamente, do palco onde tudo acontece, regressámos ávidos do reencontro com as gentes com as quais partilhamos tempo, conhecimento, alegrias e tristezas mas, simultaneamente, receosos e expectantes quanto aos desafios que nos aguardavam.
Foram, sem dúvida, os tempos mais difíceis da nossa vida profissional, tempos em que fomos confrontados com mudanças significativas nas práticas a que nos habituáramos, desde os gestos mais simples de contacto físico à partilha de espaços, práticas que tivemos que reequacionar, adaptar ou mesmo abolir, cumprindo normas e contribuindo para mitigar o perigo de sermos atingidos por um inimigo contra o qual não tínhamos outras armas para lutar além das medidas preventivas.
Enfrentámos o desespero, quando confrontados com o abismo entre as notícias que eram divulgadas na comunicação social, o sentido dúbio de algumas das normas constantes das orientações que recebíamos da tutela e a realidade que tínhamos que enfrentar.
Andámos de mão estendida, a suplicar apoios para suprir as necessidades mais elementares de recursos, com o objetivo de criar condições mínimas de segurança para os alunos e para os profissionais de educação, sujeitando-nos a fazer vista grossa aos jogos de bastidor que fingíamos não entender.
Fomos questionados, e responsabilizados, publicamente, pela discrepância entre os bonitos discursos, e as inúmeras promessas, dos nossos governantes e as práticas diárias que conseguíamos implementar, assumindo, uma vez mais, os resultados de incumprimentos a que éramos, totalmente, alheios.
A que acrescem os exemplos de incompreensão de alguns encarregados de educação, que tentámos compreender, atendendo aos efeitos, aos mais diversos níveis, das alterações provocadas pela pandemia, e ao desconhecimento da verdade que, com maior ou menor conivência, todos iam calando, deixando as escolas arcar com responsabilidades alheias.
Aguentámos, não vacilando perante pressões, certos de que, apesar do aumento exponencial dos números, as medidas de prevenção que, com os recursos a que tínhamos conseguido aceder, tínhamos implementado, contribuíam, de forma inquestionável, para que pudéssemos continuar a oferecer as melhores condições de ensino e aprendizagem aos nossos alunos – o ensino presencial.
Temos consciência do futuro incerto que nos aguarda e de que, por mais risonho que possa ser, a normalidade só será restaurada com o tempo, sendo que algumas das alterações introduzidas nos acompanharão, ao longo da vida.
As Escolas cumpriram, exemplarmente, o seu papel, ultrapassando todas as expectativas, e continuarão a investir na necessidade de alterarmos algumas das práticas que, comprovadamente, não se adequam a uma sociedade que deve estar preparada para responder a situações de calamidade como a que enfrentamos, sem que, para tal, tenhamos que inventar e reinventar soluções de última hora.
É urgente que a sociedade, em geral, tome consciência do papel das Escolas em todo este processo, sobretudo porque não esmoreceram, nem esmorecerão, apesar do isolamento a que foram votadas.
Aproximamo-nos da época mais marcante do ano, o Natal, um tempo em que somos mais sensíveis ao conforto de uma palavra, de um gesto que atenue a dura realidade que alguns enfrentamos, no dia a dia, e que camuflamos em prol de uma causa maior – os alunos.
Não esperamos qualquer recompensa, para além do reconhecimento prático de que somos o alicerce da sociedade e que, como tal, deveríamos merecer a justa revisão das nossas condições de trabalho, numa carreira que deveria ser priorizada.
Mas, no momento, uma mensagem de Natal, uma simples mensagem de Natal cairia bem, senhores governantes, nem que seja para sentirmos que, para além das imensas plataformas de prestação de contas que continuamos a ter que preencher, ainda estamos no mesmo barco.
Votos de um Santo Natal, com muita saúde e alegria, apesar dos condicionalismos, e que o Novo Ano seja um marco significativo, e positivo, na vida de cada um de nós.

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