Correio do Minho

Braga, terça-feira

Uma história de encantar

Diciembre, Decembro, Abendua... e Desembre?

Escreve quem sabe

2015-01-27 às 06h00

Cristina Palhares

Hoje li! Li uma história de encantar... da Matilde. Uma de muitas Matildes de 8 anos, que frequenta uma das muitas nossas escolas públicas.
Hoje li! E lembrei-me de tantas meninas e meninos como a Matilde que escrevem histórias de encantar... e que ficam nos seus cadernos, corrigidos e apontados por tantos professores. Ficam fechados, hermeticamente fechados, porque não eram suposto que as escrevessem. Não era suposto também que escrevessem para que nos emocionassem; não era suposto também que escrevessem para nos espantarem. É só suposto que aconteceu!

E a vida escolar, a vida curricular, vai continuar a acontecer. Como se nada tivesse acontecido, como se nada se tivesse escrito, como se nada se tivesse lido. Que melhor currículo para esta menina que o desenvolvimento e o enriquecimento deste talento? O que faz a escola com todos os talentos que tantos e tantos meninos e meninas vêm apresentando? Quantas vezes, ao virar da esquina, (uma das muitas esquinas das nossas escolas) encontramos meninos e meninas parecidos com a Matilde, mas que por força do cumprimento de tantas metas, objetivos, competências, de um currículo igual para todos, os fechamos numa gaveta a sete chaves? As sete chaves dos testes, dos exames, da rotina diária, dos tpc, dos toques, das substituições, da normalização!

Dir-me-ão que o currículo é para ser cumprido, passo a passo, sem sobressaltos, porque os sobressaltos fazem parar. Parar para refletir, parar para ajustar, parar para adequar. E isso leva tempo! Tempo que a escola não tem, tempo que os professores não têm, tempo que os meninos e as meninas como a Matilde... não podem ter! E por isso o não desenvolvimento de todos os talentos (sim, porque qualquer menino ou menina tem muito(s) talento(s)), resume-se à falta de tempo!
Hoje li! Li outra história de encantar...

“A Pedagogia do Encantamento” do Professor Doutor Elias Rocha Gonçalves. Corroborando o que muitas vezes aqui fui refletindo sobre os verbos SER e ESTAR em educação, em que nenhum menino ou menina “é” coisa nenhuma, mas “está” qualquer coisa, o Professor Elias reflete, colocando-os exatamente no seu oposto, quanto à figura do professor. O professor que é, em oposição ao professor que está. SER professor e não ESTAR professor. “Estar professor é trabalhar por obrigação, é não ter compromisso com a educação, é viver descontente. Estar professor é não se alegrar com as conquistas...” E continua. “Ser professor é doação, é dedicação, é dar a vida pelo bem-estar do outro... é abrir o coração para as dificuldades, é exigir também pela dignidade, ..., por uma educação mais justa e fraterna.”

Ser professor é então a procura, a busca incessante do(s) talento(s) de cada menino ou menina, e em que a escola não é a preparação para a vida, mas a própria vida. É lá que a vida acontece, todos os dias!
Hoje li! Li duas histórias de encantar...
E recordei a nossa capacidade de espanto! (Aquela onde a aprendizagem acontece). E esta capacidade de espanto hoje ganha... O encanto.

O encanto de encontrar em cada menino ou menina um projeto de vida, e fazê-lo viver!
O encanto de encontrar em cada menino ou menina o(s) seu(s) talento(s), e fazê-lo(s) brilhar!
Termino, tal como termina o Professor Elias: “Estudar não é devolver ao professor aquilo que ele já sabe. Estudar é ENCANTAR-SE com o conhecimento e querer ENCANTAR-SE cada vez mais.”
Termino, tal como a Matilde termina: “Esta foi a maior aventura de Natal que a Bruna e a Bárbara viveram! Por isso decidiram escrevê-la para outros meninos.”
Bem hajam Elias e Matilde. Por me encantarem!

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