Correio do Minho

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Uma culpa que morre solteira

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Ideias Políticas

2012-03-13 às 06h00

Francisco Mota

A educação é a pedra basilar de uma sociedade, sendo o princípio do sucesso ou insucesso de uma geração. Hoje temos à rasca uma geração de pais que mimaram caprichosamente os seus filhos, que os protegeram e afastaram sempre das arduidades escondendo-lhes as amarguras da vida.
Mas também temos à rasca a geração de filhos que não foram preparados para vencer as dificuldades.

A ironia destes factos é que estes jovens também são os que mais tiveram tudo. Nunca na história nenhuma geração foi tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência.
E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Os pais que viveram nas amarras ditatoriais, deslumbrados com os tempos de uma democracia jovem e inexperiente, quiseram oferecer aos seus filhos aquilo que eles consideravam ser o melhor para eles.

Esta geração de pais investiu nos seus filhos, proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre.
Mas também lhes deu uma vida desafogada, com saídas com os amigos, a carta de condução, o primeiro carro, dinheiro no bolso para que nunca lhes faltasse nada. E quando surgiu a frustração do desemprego, a família dizia presente, para garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada, tornando esta geração de jovens a que mais tarde sai da casa dos pais.

Depois, os tempos das ‘Vacas Gordas’ terminaram, e deram lugar à crise ao aumento do custo de vida e ao desemprego. É então que os pais ficam à rasca. Que contam cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e que abdicam de tudo para continuar alimentar as luxúrias desta nova geração.

“Que já não aguentam, que começam a ter de dizer ‘não’. É um ‘não’ que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem continuar a alimentar o que ninguém lhes pode dar.“ (Mia Couto).

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante as últimas duas décadas.
Eis agora o estado de uma geração jovem altamente qualificada, que colecciona diplomas e formação, mas que sabe muito pouco ou nada da vida. Não está preparada para ultrapassar barreiras, mas sim para as contornar, em que o seu conhecimento é duvidoso se traduzido em trabalho.

Eis a geração que se apercebe que não pode fazer no mundo aquilo que sempre fez em casa ou na escola. Que a birra ou facilitismo não prepara homens e mulheres para vencer as dificuldades. Mas com isto não quer dizer que esta geração seja toda ela assim, existem bons exemplos, mas na generalidade dela está completamente desorientada.

Hoje deparamo-nos com uma realidade em que nem os pais nem os jovens são culpados, porque foram sorvidos por uma sociedade consumista e sem valores em que se tornou o mundo em que vivemos.
“E o problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas” (poeta Alemão).

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