Correio do Minho

Braga,

- +

Uma crónica com cheiro a Dezembro

Personalidade e carater

Uma crónica com cheiro a Dezembro

Ideias

2019-12-09 às 06h00

Carlos Pires Carlos Pires

1. Chegámos a Dezembro. A quadra natalícia aproxima-se. O orçamento dos portugueses para o Natal não é de todo avantajado, o que não trava o imperativo das compras da época, sobretudo quando é patente uma subida de confiança dos consumidores e os índices de medição da economia se revelam estáveis. Consequentemente, assiste-se a uma crescente afluência aos estabelecimentos comerciais - todos já só pensam nas compras, muitas delas compras “de obrigação”. É obrigatório não falhar: as crianças querem o mais recente “tablet” ou consola, os adultos não perdoam um presente qualquer. A publicidade e o marketing proporcionam esse estado (de ansiedade) (e de pressão).
Somos mais vazios hoje e, por isso, compramos mais. Compramos mais e, por isso, somos mais vazios. Uma dialética que abarca estes dois sentidos. Eis o Natal contemporâneo. Um Natal que revela falta de tempo para a família, para os amigos e para as pessoas, porque se trata do Natal em que o tempo é reservado para o consumo frenético. Em suma, perdeu-se o verdadeiro espírito natalício: estar disponível para o outro.
“Olha para o que eu digo; não olhes para o que eu faço” – infelizmente, assumo aqui perante os meus leitores: tenho falhado perante tantas pessoas, as quais estimo muito, mas com as quais não tenho conseguido estar, conversar, nos últimos Natais. O tempo - sim, o tempo, esse bem escasso que se esvai entre os dedos -, ou antes, a falta dele, ou a falta de boa gestão dele, tem-me impedido de fazer aquilo que sinto ser devido.
Esta quadra, mágica e especial, deveria ser ainda uma altura para nos lembrarmos de que há muitas pessoas sem o calor de uma casa, sem família, que vivem com dificuldades, na doença, ou mesmo na solidão. Há órfãos e há idosos abandonados. Renunciar ao consumo para ganhar tempo para quem precisa é um projeto para ousados, que deveríamos abraçar. Fica pois este desafio lançado.
E porque este é o meu último espaço de opinião, este ano, e como receita para vencermos todas as “contrariedades”, em casa, na escola ou no trabalho, passo a reproduzir a cábula de Ernâni Lopes, economista de formação, mas um homem essencialmente humanista, que substitui números e gráficos por valores, atitudes e padrões de comportamento como a base essencial para se obter o êxito:
- onde existe "facilitismo", deve haver "exigência"; onde está "vulgaridade", pôr "excelência"; onde está "moleza", pôr "dureza"; onde está "golpada", pôr "seriedade"; onde está "videirismo", pôr "honra", onde está "ignorância", pôr "conhecimento"; onde está "mandriice", pôr "trabalho", onde está "aldrabice", pôr "honestidade".
Em boa verdade, são aqueles que revelam audácia e coragem, aqueles que demonstram espírito positivo e construtivo, que, afinal, conseguem ultrapassar as dificuldades e obstáculos, que conseguem reinventar-se! É esta a mensagem (e inspiração!) que deixo aos meus estimados leitores, com votos de um Santo Natal e de um (renovador) Bom Ano Novo 2020.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho