Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Uma avenida, duas realidades

O futuro depois do COVID 19

Escreve quem sabe

2014-03-21 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Nas economias do futuro, a competição entre territórios vai acontecer cada vez mais à escala das cidades, em vez da tradicional competição entre países. Hoje em dia, é cada vez mais notório que quem concorre no espaço global são as cidades.
O grande peso que as cidades têm no PIB mundial - cerca de 70% - e um novo paradigma de desenvolvimento assente no desenvolvimento urbano, levou o Banco Mundial a desenvolver uma Estratégia Urbana e de Governo Local que pretende ajudar os governantes e a sociedade em geral a pensarem e implementarem políticas e programas urbanos que beneficiem a sua população e as suas cidades. Uma nova estratégia que dá início à década da Cidade, uma década que será lembrada por reconhecer as cidades como o ponto central do crescimento e do desenvolvimento humano. A estratégia baseia-se em dois princípios. A densidade, aglomeração e proximidade são fundamentais para o progresso humano, a produtividade económica e a igualdade social. Em segundo lugar, as cidades devem ser bem geridas e sustentáveis.
A cidade de Braga, e a própria região que a envolve, muito tem a ganhar com um centro histórico dinâmico, pujante e competitivo. A partir do centro, onde está instalada de forma densa aquele que é o principal negócio da cidade - o setor do comércio e serviços, podemos ajudar a fazer economia em todo o concelho e concelhos limítrofes.
Apesar de ter havido um período em que o centro histórico de Braga não foi encarado e tratado como um vetor estratégico para o desenvolvimento da cidade e da região, hoje vivemos um tempo diferente.
A regeneração urbana está na ordem do dia, na agenda política e económica de diversas entidades e até dá nome a um pelouro do atual executivo da Câmara Municipal de Braga.
A Associação Comercial de Braga tem defendido a criação de um fórum permanente para uma gestão participada do centro histórico, que seja composto por representantes de várias entidades públicas e privadas com atuação relevante no território. Um espaço onde “fazer cidade” é uma tarefa coletiva que envolve responsavelmente decisores políticos, comunidade académica e científica, dirigentes associativos, agentes económicos e cidadãos.
“Fazer cidade” é também um exercício individual desafiante e estimulante de pensarmos ações e medidas estratégicas para o bem comum e disponibilidade para as partilhar com a comunidade para serem debatidas, contestadas, aprimoradas ou simplesmente rejeitadas.
Dois eixos estruturantes
O centro histórico de Braga é composto por um conjunto alargado de artérias, do qual se destacam dois eixos estruturantes: o eixo Avenida da Liberdade até ao Largo dos Penedos (Praça Alexandre Herculano); e o eixo Arco da Porta Nova até Largo da Senhora-a-Branca. O primeiro divide o casco histórico de forma vertical nas zonas Este e Oeste e liga a estação de comboios à cidade. O segundo divide horizontalmente o centro de Braga nas zonas Norte e Sul e liga a estação rodoviária ao centro urbano.
Entendo que Braga para ser competitiva e para conseguir estender a sua mancha urbana em termos de atividade económica precisa de ativar estas artérias de uma extremidade até à outra. Falta-lhes profundidade, e focos de interesse, para ampliar a circulação natural das pessoas pela cidade.
Uma avenida, duas realidades
No caso da Avenida da Liberdade, hoje em dia, parece que temos uma rua com duas realidades; uma rua fracionada em dois segmentos espaciais de épocas distintas. A avenida do século XXI, desde a Praça da República até ao Largo João Penha, e a avenida do século passado, daí em diante até ao Largo de São João da Ponte. Este último trecho parece que foi esquecido, que não faz parte da mesma realidade. Não beneficiou de quaisquer intervenções urbanísticas de relevo nas últimas décadas e assistiu a uma degradação significativa do edificado e a uma perda constante de atratividade e dinâmica comercial. É impressionante o contraste existente entre estes dois trechos de uma mesma avenida e o “tempo” que os separa.
É crucial na regeneração urbana da cidade que se dê profundidade a esta artéria, esticando a circulação natural das pessoas até ao fim da avenida. Em termos urbanísticos, a solução parece-me relativamente simples: devolver às pessoas duas faixas de circulação automóvel, transformando-as num passeio largo de cada lado da avenida. Ficando, ainda assim, duas faixas dedicadas à circulação automóvel, mais do que suficientes para o tráfego existente.
Se se conseguir integrar de forma natural estes passeios como o topo superior da avenida, permitindo aos transeuntes ter uma perceção visual de continuidade da circulação pedonal até ao fundo da avenida, as pessoas percorrê-la-ão espontaneamente. Os passeios guiam as pessoas para onde as queremos levar.
É uma “pequena” operação urbanística que faz toda a diferença. Hoje, este segmento da avenida tem quatro faixas de rodagem para automóvel e ainda por cima no sentido de saída da cidade. É, por isso, encarada como uma artéria de evacuação da cidade. Como se de uma porta de saída se tratasse. Precisamos de transformá-la naquilo que ela é, uma avenida estruturante que liga a Praça da República ao Largo de São João da Ponte, que faz com que o Parque de Exposições de Braga seja envolvido no centro da cidade, e que permite irradiar a vida urbana e a dinâmica económica a uma mancha muito mais alargada do centro de Braga.

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