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Um tempo novo para o comércio

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Escreve quem sabe

2013-10-04 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Depois de um interregno significativo e da reivindicação generalizada das associações comerciais, eis que o Governo de Portugal acaba de lançar um novo sistema de incentivos de apoio ao comércio. A nova medida, designada ‘Comércio Investe’, vem substituir o Modcom - sistema de incentivos a projetos de modernização comercial, e, na prática, opera um ajustamento aos apoios ao setor, que se podem sintetizar da seguinte forma:

1- Enfoque em projetos com crescente conteúdo qualitativo, em detrimento de investimentos de natureza infraestrutural, de forma a privilegiar projetos que promovam a criação de fatores de diferenciação claros que possibilitem melhorar os níveis qualitativos da oferta comercial do comércio de proximidade, principalmente aquele que se concentra em centos urbanos. Ou seja, pretende fomentar investimentos na inovação de processo, organizacional ou de marketing, nas empresas comerciais.

2- Prioridade às atuações conjuntas destinadas ao aumento da competitividade da oferta comercial, dos espaços urbanos, incentivando novas ideias e novos serviços de suporte ao cliente que permitam uma melhoria consistente e sustentada dos níveis de serviço prestado. Para o efeito, cria a tipologia de projeto conjunto de modernização comercial, que terá de ser promovido por uma associação empresarial do comércio, conjuntamente com um grupo de 10 a 30 estabelecimentos comerciais oriundos de uma área de intervenção delimitada, com caraterísticas de elevada densidade comercial, centralidade, multifuncionalidade e desenvolvimento económico e social.

Aparece este sistema de incentivos num momento particularmente difícil da economia portuguesa, marcado por uma retração continuada dos níveis de consumo das famílias devido à perda de poder de compra, em função dos sucessivos aumentos da carga fiscal, impostos pela correção que temos de levar a efeito ao nível das contas públicas, bem como pelo aumento significativo dos níveis de desemprego.

Não importa, neste momento, perder muito tempo a discutir se este sistema de incentivos devia ter sido lançado há dois anos ou há seis meses. Surge agora e deve ser encarado como uma verdadeira oportunidade para marcar a diferença. Deve ser aproveitado para modernizar, requalificar e revitalizar o comércio.

Como sabemos, a atividade comercial contribui para a diversificação do uso do espaço urbano, condicionando de forma decisiva a própria capacidade de atração que a cidade tem ou exerce sobre as populações residentes, flutuantes e visitantes. A imagem que se retém de um determinado espaço urbano surge quase sempre associada à oferta comercial, incluindo o canal Horeca, que esse espaço disponibiliza, pelo que não é de todo invulgar que se distinga um espaço urbano pela qualidade e pela variedade do seu comércio.

A aposta num novo conceito de cidade associado a um novo modelo de comércio de proximidade, baseado na sua identidade distintiva mas que se oriente simultaneamente para a cooperação, a inovação e a utilização de formas avan- çadas de comercialização, será uma opção atrativa do desenvolvimento económico do país e de combate ao desemprego.

A iniciativa ‘Comércio Investe’, embora de pequena dimensão e com um impacto muito reduzido no conjunto do nosso tecido comercial, poderá despertar um tempo novo para o setor do comércio, ao incentivar uma revitalização do comércio de proximidade em áreas absolutamente primordiais que estão identificadas como constrangimentos ao seu desenvolvimento, nomeadamente: a ausência de cooperação; as práticas de gestão e o fraco recurso à inovação e à utilização de formas avançadas de comercialização; a estrutura financeira débil, com capitais próprios reduzidos; empresários e colaboradores com níveis insuficientes de formação e com deficiente domínio dos princípios básicos de gestão e de exploração de novas tecnologias de comunicação e informação.

Sejamos pois capazes de aproveitar esta oportunidade para construir um novo futuro. Um futuro assente na organização de um modelo de gestão de cooperação competitiva e na adoção de novas práticas de gestão, como sejam, a formação de parcerias, a exploração de políticas conjuntas de promoção e comunicação, a prática de novas técnicas comerciais e de marketing.
É chegado o momento de os empresários do setor saírem da sua zona de conforto; colocarem de lado os seus hábitos e rotinas, preconceitos e individualismos; não se conformarem com as dificuldades e serem resilientes; experimentarem novas soluções e novas abordagens; fazerem as coisas de maneira diferente; assumirem uma nova atitude. Estou certo que as dificuldades não vão passar, nós é que vamos ter de mudar.

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