Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Um PS (ir)responsável

O mito do roubo de trabalho

Ideias Políticas

2011-11-04 às 06h00

Hugo Soares

O anúncio do referendo na Grécia voltou a colocar em cima da mesa a hipótese de um gigantesco colapso do euro, de toda a zona euro, mas sobretudo do projecto europeu. Esta decisão - ao que se sabe unilateral - do Primeiro-ministro grego, procurando legitimar democraticamente um novo pedido de resgate financeiro, pode muito bem ser o fim do euro… na Grécia e, concomitantemente, o fim da Grécia como a conhecemos.

Julgo que hoje fica absolutamente claro o valor da unidade interna como veículo indispensável para ultrapassar este momento de emergência nacional que - como já se viu - já não depende apenas de nós. E a verdade é que não chegará em Portugal termos um governo de maioria centro/direita para que as suas bases societárias de apoio sejam respaldo dessa unidade que se deseja. Não se pretende com a ideia que antecede defender um grande governo de bloco central. Pelo contrário. Antes procurar reflectir sobre o papel do Partido Socialista na saída desta terrível crise financeira, económica e social.

Pedro Passos Coelho desde cedo avançou com uma novidade no discurso político: não se lamentaria da pesada herança para justificar os sacrifícios a que todos, sem excepção, estamos votados. Ora, o Primeiro-Ministro português teria toda a vantagem política - e justificadamente - de colocar no PS de Sócrates, em especial, e nos últimos vinte anos, em geral, a culpa de todos os males que o País atravessa. E não consta que Passos Coelho seja inábil politicamente, pelo contrário.

Assim, a afirmação do Primeiro-Ministro só pode ser lida em duas frentes: se por um lado pretendeu inaugurar uma nova forma de fazer política (e tem-no feito de forma ímpar), por outro lado Passos Coelho terá pretendido proporcionar condições ao PS de corresponder às suas responsabilidades. Ou seja, desde cedo, o actual Chefe de Governo, com um sentido de Estado raro e uma sagacidade política de poucos, percebeu a necessidade de encontrar no PS um indispensável veículo para a unidade interna necessária para levar a bom porto o programa de ajustamento.

Mas o que temos, na realidade?
Temos um Partido Socialista completamente desencontrado, incapaz de assumir as suas responsabilidades quer passadas quer futuras. Sabemos bem, eu pelo menos não tenho dúvidas, que dos Socráticos apenas posso esperar atitudes verdadeiramente inadmissíveis e inaceitáveis. Mas o PS não se esgota naqueles que ruinosamente geriram Portugal nos últimos 6 anos. É tempo, pois, do PS assumir o verdadeiro falhanço das suas políticas nos anteriores governos. É tempo, pois, do PS olhar para frente e assumir-se como um verdadeiro partido de Oposição responsável: fazendo pontes, propondo consensos, procurando a unidade nacional.

Sem acintes ou revanchismos. Sem demagogia, vergonhas ou hipocrisias. Com sentido de Estado.
Sei bem que as realidades partidárias nem sempre se compadecem com este caminho, mormente quando o grupo parlamentar do PS na Assembleia da Republica foi escolhido por José Sócrates.

No entanto, estou com esperança que o PS assumirá os seus pergaminhos já na votação do Orçamento de Estado. Só com uma grande consenso nacional - consenso não é seguidismo - é que a sociedade portuguesa se predisporá a voltar a levantar Portugal sem os tristes espectáculos da Grécia, sem o triste fim da Grécia.

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