Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Um pouco mais competitivos

Bragafado 2018: a trindade do fado tradicional

Ideias

2014-09-05 às 06h00

Margarida Proença

Acabadas as férias para quase todos, um agosto estranho, com vertentes que causarão certamente ainda muita preocupação. Sucessivas ondas de más notícias do BES, do Iraque, de Israel, e de forma particular na Ucrânia, foram-se confrontando com o vento, a temperatura mais baixa que o normal e a incerteza dos dias quentes.

Foi esta semana conhecido o Relatório sobre Competitividade Global 2014-15. Trata-se de uma análise que vem sendo conduzida desde há muitos anos e que pretende retratar a posição relativa dos países em termos de competitividade com base em doze critérios. O Relatório sublinha que ainda que a economia global esteja já a reagir positivamente á pior crise dos últimos oitenta anos (desde 1929), ainda existem muitos riscos de natureza económica-financeira que o acentuar de problemas geopolíticos poderá eventualmente agravar.

Por outro lado, o relatório chama a atenção ainda para o acentuar da desigualdade na distribuição de rendimentos em termos globais, ainda um resultado expectável da crise, que poderá contribuir eventualmente para acumular tensões sociais. Piketty, um autor muito citado e discutido este ano, mostrou que o crescimento económico e a difusão das tecnologias permitiu que as desigualdades de rendimento não se tivessem alargado de forma significativa nos últimos 50 anos - mas foram criadas novas expectativas, de grande otimismo face ao futuro, num contexto em que as estruturas que as determinavam se mantiveram constantes.

A competitividade é definida no Relatório como o conjunto de instituições, fatores e políticas que determinam o nível de produtividade de um país. As suas componentes são estáticas, mas também dinâmicas, variam ao longo do tempo, refletem o papel da educação e da saúde, da inovação e do progresso tecnológico, mas também da estabilidade macroeconómica, o investimento em infraestruturas mas também a qualidade da governação, as características das empresas, a eficiência com que os mercados funcionam e a sua regulação. É portanto um misto complexo de fatores, onde a qualidade e transparência das lideranças efetivas das empresas são fundamentais como a história recente do BES exemplifica de forma clara.

Portugal é abrangido no grupo dos países mais ricos, orientados para a inovação, a que pertencem obviamente a larga maioria dos países europeus, os Estados Unidos, o Japão, Singapura, a Coreia do Sul, a Austrália, entre outros. O “Óscar” foi ganho - sexta vez consecutiva - pela Suíça, onde quase parece que tudo funciona de forma excelente, e ainda por cima estável.

Aliás, a estabilidade nos lugares cimeiros é muito clara; quem vai á frente nas dez primeiras posições por lá se mantém, embora com variações menores entre si: Singapura, Estados Unidos, Finlândia, Alemanha, Japão, Hong Kong, Holanda, Reino Unido e Suécia, enfim os do costume. A China aparece na 28.ª posição e Portugal na 36.ª, logo atrás da Espanha. Foram 144 os países analisados; Angola aparece na posição 140, Moçambique na 133.ª, Timor-Leste na 136.ª, Cabo Verde na 114.ª, o Brasil na 57.ª.

Ainda que não tenhamos voltado aos níveis de 2002 - o índice de competitividade global de Portugal refletia então a 23.ª posição - apesar de tudo a situação atual é bem melhor do que a reportada o ano passado, tendo recuperado 15 posições na corrida, o que é significativo.
O país aparece muito bem posicionado em termos de infraestruturas (17.º), saúde e educação primária (24.º), ensino superior e formação (24.º), disponibilidade tecnológica (26.ª) e inovação (28.º).

O pior … como sempre, a eficiência com que as coisas são feitas. O funcionamento das instituições aparece em 41.º, a eficiência nos mercados de produtos finais em 44.ª, a dimensão do mercado interno em 51.º, a sofisticação da atividade empresarial em 51.º, a eficiência do mercado de trabalho em 83.º, o mercado financeiro em 104.º, a eficiência da justiça para resolver disputas em 111.º. E como seria de esperar, tanto a carga fiscal tanto no que respeita aos incentivos ao trabalho (129º) como ao investimento (131.º), o ambiente macroeconómico (138.º) colocam problemas.

No fundo, nada de novo - não precisamos, para já, de mais investimentos em estradas ou outras infraestruturas, os próprios empresários que responderam ao inquérito que serve de base á construção destas medidas de competitividade por parte do World Economic Forum acham que a gestão empresarial deve melhorar, a eficiência deve acrescer nos diversos mercados e procurar alargar a dimensão do mercado, num contexto de controlo da despesa e da carga fiscal.
Entretanto, as últimas informações estatísticas permitem sustentar que na Europa os preços relativos se estão a ajustar e os custos unitários de trabalho na Alemanha mantêm uma trajetória de subida, o que é bom.

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