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Braga, sábado

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Um perigo permanente para a Humanidade

O Movimento Escutista Mundial (IV)

Um perigo permanente para a Humanidade

Ideias

2020-10-25 às 06h00

Artur Coimbra Artur Coimbra

1. Estamos a pouco mais de uma semana das cruciais eleições para a Presidência dos Estados Unidos da América. Um acto eleitoral que se rege por um sistema de votação absurdamente complicado para os padrões de uma democracia ocidental (em que a cada eleitor corresponde um voto directo, que soma para ditar o vencedor), do qual resulta que nem sempre ganha o sufrágio o candidato que obtém o maior número de votos no cômputo global. Há quatro anos, Trump averbou menos 2,8 milhões de votos que Hillary Clinton e mesmo assim venceu surpreendentemente as eleições.
As eleições americanas não importam apenas ao eleitorado estadunidense, o que nos deixaria certamente descansados. Todavia, pelo poderio e influência dos Estados Unidos a diferentes níveis (económico, militar, estratégico), interessam a todos os cidadãos do mundo, onde quer que se encontrem. Daí o justificado relevo que a comunicação social tem dispensado ao tema.
As eleições para a Presidência dos Estados Unidos interessam-me, porque mexem com o equilíbrio geoestratégico mundial, porque daí podem resultar decisões que põem em causa a vida dos homens e mulheres que habitam o planeta.
Em confronto vão estar o actual presidente, o trauliteiro e fanfarrão Donald Trump, que é mais que conhecido pelas piores razões, que já fez mais mal que bem ao mundo em apenas quatro anos de mandato. Do outro lado, o candidato democrata Joe Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama de 2009 a 2016 e que garante ao mundo um comportamento moderado, civilizado, contemporâneo, demonstrando um conhecimento mais aprofundado dos dossiês e uma postura digna de um estadista, aberto ao mundo e à globalização. Se o mundo pudesse votar nas eleições americanas, seguramente elegeria Biden, por todas as razões que nos levam a condenar o comportamento errático, delirante, louco, quantas vezes mais do domínio da psiquiatria que da política.
De Trump já se conhece o pior, que melhor, algo positivo, é coisa que o homem não parece alimentar.
No seu mandato, fez questão de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, sobre a defesa do ambiente; faz gala de ser negacionista das alterações climáticas, quando todo o mundo e toda a ciência não têm a mínima dúvida sobre o aquecimento global; atacou desbragada e injustamente a Organização Mundial de Saúde, a propósito da pandemia; não suporta a mínima crítica ou que alguém lhe faça frente, ainda que com razão; apenas vive e convive bem com um clima permanente de guerrilha, interna (contra os democratas, ou os activistas anti-racistas) e externa, sobretudo com a China (que ataca em permanência, mas onde tem bons negócios e onde paga imensamente mais impostos que no seu próprio país), que a sua estúpida acção acaba por elevar economicamente a primeira potência mundial. A turbulência, o ataque, a violência, o embuste, a mentira, a prepotência, a subserviência são os elementos que incorporam o seu habitat natural. É um terrorista execrável, a seu modo. Não com bombas, ou armas, mas com insistentes tweets, pejados de veneno, aldrabices, manipulações da verdade. É um torpe incendiário, provocador, misógino, racista dos piores. Entre o respeito pelas minorias étnicas e a defesa da violência policial que mata inocentes, ele escolhe a brutalidade e desculpa o crime, sobretudo se exercido sobre negros e afro-americanos.
Foi acusado, com provas fundadas, de abuso de poder e obstrução do Congresso, mas no início deste ano os seus correligionários do Senado não o deixaram ir embora, como deveriam, até porque 2020 é o símbolo esclarecedor do seu fracasso como político, no caso do combate à pandemia, que desvalorizou desde o início. Porventura, teria poupado a vida a muitos dos 220 mil mortos que condenou com a sua inconsciência e a sua incompetência reconhecida.
O que dele diz quem com ele trabalhou ainda recentemente, e que deixou de o suportar, é revelador do estado de confusão mental do personagem, que tem um discurso, quando improvisa, de uma criança da escola primária. Dan Coates, ex-responsável dos serviços de informação da Casa Branca, refere: “Para ele, uma mentira não é uma mentira. É simplesmente o que ele pensa. Não consegue distinguir entre a verdade e a mentira”.
É considerado irracional, irreflectido, totalmente autocentrado e obcecado com a sua imagem, incapaz de trabalhar em equipa ou de ler documentos ou de tomar decisões com base na ponderação e análise de dados e factos.
O ex-secretário da Defesa, James Mattis, é de opinião que Trump não tem capacidade para exercer o cargo presidencial, é "perigoso" e "não tem bússola moral".
Após o primeiro debate televisivo entre os candidatos de há umas semanas, alguém escreveu: “Os debates de Trump nunca são ou serão sobre políticas e sim sobre propaganda, diversão e insulto. Um debate é uma troca de ideias, de propostas e de argumentos e Trump é escasso em todos estes bens. O arsenal palavroso dele é um amálgama de ofensas, provocações e afirmações de potestade, quase todas falsas. Assim, o respeito está ausente e o caos garantido, e caos é o pântano onde floresce esta planta carnívora”.
Trump é tudo, menos democrata. Tudo, menos tolerante e respeitador. Basta ver a forma como trata Biden, de “criminoso” e que “deveria estar na prisão”, certamente vendo-se ao espelho. Pelo mal que tem feito à Humanidade, Trump é que deveria estar atrás das grades. E como trata os seus colaboradores e ex-colaboradores, amesquinhando-os, desrespeitando-os, num comportamento grosseiro, ordinário, reles. Cria todo um ambiente de ameaça aos eleitores, sobretudo democratas, mobilizando os seus capangas pelos diversos estados para atemorizar quem já votou antecipadamente e quem vai votar. Ostensivamente, cobre a violência e o crime, por palavras e acções. E, por fim, ainda acena com o cenário do caos: o de não aceitar os resultados eleitorais, se não lhe forem favoráveis. A extrema direita está do seu lado, como o Senado e o Supremo Tribunal federal, onde conseguiu fabricar uma maioria, que pode ser determinante para declarar o vencedor das próximas eleições, no caso de haver contestação e recursos. Há quem alerte até para uma guerra civil, ou para a aplicação da lei marcial, certamente para assustar os eleitores democratas, mas não deixa de ser tragicamente irónico e revelador do que está em jogo e do quanto está em perigo aquela que foi considerada a maior democracia do mundo, mas que Trump se esforçou por desmantelar, desacreditar, fazer descer ao nível da lama.
Por isso, a sua eleição representa um perigo enorme, não apenas para os americanos, mas para a Humanidade!
Por mim, voto Joe Biden, sem pestanejar sequer!!!

2. O Orçamento de Estado para 2021 tem estado na praça pública, dada a aproximação da data da sua aprovação (ou não). O Governo de António Costa, descartada a direita, tem dramatizado, à esquerda, junto dos seus anteriores comparsas da geringonça, o PCP e o BE, suplicando quase o seu voto para que o documento passe (os comunistas vão abster-se na generalidade). A lavagem de roupa suja na comunicação social tem sido um espectáculo pouco edificante para todas as partes.
Compreendem-se as razões do PCP e do BE. A sua colagem ao Governo só lhes tem alienado votos. Partidos de protesto, do sindicalismo e da “rua” têm mais a ganhar que a perder com o vender caro o peixe dos seus votos no Parlamento.
O que ressalta do que se tem visto e ouvido, e que certamente vai acabar por resultar na aprovação do OE2021, dada a qualidade negocial de António Costa, é que mal andou este em não fazer há um ano um acordo de incidência parlamentar, como se impunha, com um dos partidos que lhe garantisse a maioria.
Assim, todos os anos, por esta altura, teremos o espectáculo miserável de um Governo a mendigar os apoios dos partidos à esquerda, que se fazem cada vez mais caros e não vão já em cantos de sereia, nem em ameaças despropositadas.
A bem da estabilidade política, escusávamos de ter chegado aqui, desta maneira.

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