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Um país adiado

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Um país adiado

Ideias Políticas

2021-10-19 às 06h00

João Freitas Alcaide João Freitas Alcaide

Passado o tempo das Eleições Autárquicas 2021, realizadas no passado dia 26 de setembro, o foco da atenção do País centra-se, neste momento, no debate em torno do Orçamento do Estado para o ano de 2022. E, refira-se, esse olhar do País passa, também, pelo teatro negocial e as dramatizações, a que todos, infelizmente, nos temos vindo a habituar, protagonizadas pelo PS, o PCP e o BE. Teatro e dramatizações que, no decurso dos últimos anos, têm servido, apenas e só, para alimentar o jogo dos dividendos político-partidários, que se procuram retirar da discussão do Orçamento do Estado, entre os partidos da esquerda.
E, na verdade, numa circunstância em que está em cima da mesa do debate um instrumento absolutamente fundamental para a governação e o desenvolvimento do País, têm, necessariamente, de ser sublinhados vários dados e indicadores sobre as contas que os Portugueses, diariamente, têm de fazer às suas vidas, dados esses verdadeiramente preocupantes e para os quais urge um caminho real de transformação do País que lhes dê soluções.
Efetivamente, no passado domingo, assinalou-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e, nos termos da Pordata, base de dados organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Portugal, os indicadores mais recentes para 2020 revelam a existência de dois milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social. Além disso, em 2019, 16,2% da população residente era considerada pobre, isto é, mais de 1,6 milhões de pessoas viviam com rendimentos inferiores ao limiar do risco de pobreza – após todas as transferências de prestações sociais –.
E, mencione-se particularmente, no nosso País, ter um emprego não é garantia de não se ser pobre. Com efeito, em 2020, 9,5% da população empregada era considerada pobre, vivendo com rendimentos abaixo do limiar de pobreza, ou seja, com menos de 540 euros mensais. Portugal, na realidade, é um dos países da União Europeia com maior risco de pobreza entre trabalhadores.
Ademais, é de realçar que, dos 5,4 milhões de agregados familiares com declaração de IRS referente a 2019, cerca de 2 em cada 5 agregados viviam, no máximo, com 10 mil euros anuais, isto é, 833 euros por mês. O que, tendo em conta as despesas essenciais com a habitação, água, eletricidade, gás, alimentação, saúde e transportes, faz com que os Portugueses tenham de viver com o cinto mais do que apertado.
Neste âmbito, não posso deixar de salientar, ainda, os brutais números do desemprego jovem, que, com as consequências da pandemia da doença Covid-19, aumentou quatro vezes acima da média do País, e sendo Portugal o quinto país da Europa com mais desemprego jovem. Fazendo com que a juventude continue a ver as suas expetativas, a sua emancipação e o seu projeto de vida consecutivamente adiados.
Assim, num momento em que se discute uma ferramenta tão importante para a gestão do País – o Orçamento do Estado –, impunha-se que o Governo, muito para lá do teatro e das dramatizações, do bluff, da mera administração do quotidiano, da espuma dos dias e dos complexos ideológicos, fosse capaz, com caráter reformista – o que já demonstrou não ser –, de olhar para todas estas problemáticas, de lhes dar respostas e de promover a transformação de Portugal. Fazendo do desenvolvimento do País, da mobilidade social e da qualidade de vida autênticos desígnios comuns.
Afinal, num Portugal que, nos últimos anos, tem sido sucessivamente adiado pelos partidos da esquerda, urge criar esperança.

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