Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Um país mais qualificado... para um futuro incerto!

O que nos distingue

Ideias

2011-12-19 às 06h00

Artur Coimbra

1. Foram há dias conhecidos os resultados preliminares dos Censos 2011, os quais revelaram algumas novidades, confirmando outras evidências que já tínhamos.

Uma das conclusões a retirar é, desde logo, a duplicação do número de licenciados neste país, que neste ano se computam em 1 milhão e 262 mil, o que traduz um aumento de quase 600 mil no espaço de dez anos. É de recordar que há apenas duas décadas, esse número era de apenas 284 mil.

Significa isto que Portugal evoluiu imenso na área da qualificação da sua população, com cursos de nível superior (12% do total), embora ainda, segundo alguns especialistas, continuemos na cauda da Europa quanto ao número de diplomados entre os 25 e os 64 anos de idade.
Porventura, esses gostariam de ver os licenciados nas caixas dos hipermercados, nos centros telefónicos ou a servir cafés, o que não parece minimamente razoável, conquanto o atendimento tenha um nível bem mais educado. Falta a este país uma planificação das necessidades dos cursos de nível superior, para não termos de assistir a demasiadas licenciaturas que não têm, ou terão, qualquer saída profissional. Não é crível que o Estado (todos nós) tenha de suportar financeiramente a formação de jovens a quem depois não garante colocação, ou seja, o retorno financeiro para a colectividade.

Há muito a pensar nesta área, mas que não pode passar pela proliferação indiscriminada de cursos pagos pelo dinheiro dos portugueses e que não servem para nada.

Outra das áreas de grande avanço é a duplicação do número de portugueses qualificados com o nível secundário (643 mil há vinte anos e 1 363 000 em 2011). É notável esse aumento, a que por certo não serão alheios os programas educativos algo discutíveis, como os das “Novas Oportunidades”, tão caros a José Sócrates e que, no final, pouco adiantaram na efectiva qualificação da população, embora tenham melhorado fortemente as estatísticas, que era o que politicamente interessava.

É claro que o nível de instrução dos portugueses ainda deixa algo a desejar, pois 44% da população não foi além do primeiro ciclo. E 19% não têm qualquer formação escolar. A educação é fundamental para alavancar a economia. Pessoas mais instruídas trabalham melhor e desenvolvem a economia, criando riqueza.

Curioso é apurar-se que as mulheres prevalecem entre as pessoas com formação superior, mas também são maioritárias na população sem qualquer nível de escolaridade. Um paradoxo!
Outra das evidências tem a ver com a efectiva melhoria das condições de vida dos portugueses, que vem aumentando nas últimas três décadas. Desde logo, o número de habitações sem água canalizada baixou, na última década, 69%, sem esgotos 70% e sem instalações para banho ou duche, 66%. É notável o desenvolvimento das condições higio-sanitárias dos portugueses nesta década. Que ninguém venha afirmar que, por uma crise conjuntural como a que vivemos, o país hoje está pior do que há três décadas.

Pura demagogia. Apesar dos problemas, do desencanto e da austeridade que se respiram por esta altura, a população portuguesa está hoje incomensuravelmente melhor do que estava antes do 25 de Abril. Em todos os níveis: de educação e formação, de conforto, de comodidade, de aquisição de bens, entre os quais de casa própria, de viaturas, de computadores, telemóveis, electrodomésticos, entre muitos outros indicadores.

Não há a mínima comparação, por muito que a muitos custe admitir essa realidade!
Evidências resultantes dos Censos 2011, são duas ou três: a efectiva litoralização do país: hoje, Portugal vive sobretudo nas cidades e municípios da faixa litoral. Mas também o envelhecimento populacional, que é claro e galopante, como todos verificamos. Cada vez há menos activos para cada idoso. Os jovens diminuem e os idosos aumentam, aceleradamente.

É um retrato esclarecedor do INE sobre o país que temos e que será precisado dentro de um ano, quando saírem os resultados definitivos.

2. Feito o retrato, resta, apesar de tudo, um país sombrio, desiludido e decepcionado, face às políticas e aos políticos que temos tido.

Um país em que o governo tem causticado despudoradamente a classe média, como nunca se vira antes, com cortes absurdos no Estado Social, roubos aos salários dos trabalhadores em funções públicas, aumentos brutais dos impostos e dos serviços essenciais.

Um país submetido a um protectorado estrangeiro, que dita o que devemos ou não fazer, mas cujo executivo se compraz em duplicar as penalizações, para se comportar como “bom aluno” da dupla Merkozy, que se está obviamente marimbando para Passos ou Gaspar, e muito menos para os custos sociais ou de pobreza que as suas imposições causam inevitavelmente aos portugueses.

Um país que não acredita no governo que elegeu e que teme dramaticamente o seu futuro. Para mais quando a política da direita que nos governa vai no sentido, não de gerir para resolver os problemas dos portugueses, como se comprometeu a fazer perante o eleitorado e o Presidente da República, mas de indicar o sentido da emigração para os portugueses que ficam desempregados ou não encontram emprego.

É chocante, é vergonhoso, é escandaloso que a política deste governo para a juventude ou para os professores seja a de os obrigar a emigrar, porque o governo não é capaz de construir um país em que tenham lugar.

Essa confissão de incompetência só tem uma saída airosa: que Passos e comitiva sigam as indicações que dão aos outros e vão para Angola, para o Brasil ou para Cabo Verde, fazer companhia ao condiscípulo Dias Loureiro.
Que nos deixem em paz!

3. Apesar de tudo, um Natal Feliz para quem o puder ter!

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