Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Um orçamento à imagem da liderança

Pecado Original

Ideias Políticas

2014-11-04 às 06h00

Pedro Sousa

Fraquinho, pobrezinho e com as prioridades completamente invertidas. Estas três notas saltarão imediatamente à vista de todos aqueles que se decidirem a olhar com algum cuidado para o Orçamento da Câmara Municipal de Braga para o ano de 2015, sobretudo se comparado com os Orçamentos dos anos anteriores.

O documento em causa, o mais importante documento da gestão Municipal, foi na passada semana aprovado, apenas, com os votos favoráveis da maioria PSD-CDS, tendo a restante oposição votado contra o mesmo.

No meu modesto entender e falando, só, em nome do Partido Socialista, o sentido de voto não poderia, perante o teor da proposta de Orçamento de Ricardo Rio e seus pares, ter sido outro.

Nunca poderia ter sido de outra forma, pois, tal como disse no início, o Orçamento é fraquinho, pobrezinho e revela uma assustadora inversão de prioridades face aquilo que foi, durante muito tempo, o discurso de Ricardo Rio e do actual executivo municipal.

Um forte e preocupante desinvestimento na Educação, motor maior do desenvolvimento de qualquer comunidade, acompanhado, ainda, pela contração das rúbricas dedicadas à Acção Social, suporte e amparo de muitas famílias que assume central importância em tempos de crise social e financeira como os que vivemos e, também, um brutal corte no investimento nas Freguesias que se traduzirá, não temos dúvidas, no princípio do fim da marca de progresso e desenvolvimento equilibrado, coeso e bem distribuído por todo o Concelho que o Partido Socialista imprimiu em Braga ao longo dos anos em que dirigiu os destinos municipais.

Ademais, este Orçamento é, em termos fiscais, muito penalizador para os Bracarenses, na medida em que, contrariando um discurso que Ricardo Rio repetiu vezes sem fim, alto e bom som, nos mais de dez anos em que foi líder da Oposição, aumenta a carga fiscal municipal em mais de 3% e não introduz uma política fiscal mais amiga dos cidadãos, chavão que, durante muito tempo, pareceu ser a menina dos olhos do actual Presidente da Câmara.

O Sr. Presidente da Câmara naquele tom doce que adopta sempre que procura convencer alguém das suas supostas verdades, lá vai dizendo que apenas toma estas opções porque a isso é obrigado e que gostava de ter outra margem mas a pesada heran
fazer melhorstas verdades , n outra margem mas que a pesada herane foi lo dos anos em que dirigiu os destino do nosso Concelho.ça socialista, infelizmente, não lhe permite fazer melhor.

Esquece-se o Sr. Presidente da Câmara que uma mentira, mesmo que repetida muitas vezes, e ainda que suportada por auditorias, pareceres, gráficos e outros suportes documentais muito do agrado do PSD-CDS, não se torna verdade.

A este respeito, realçar que no fim da passada semana foi publicado pela insuspeita Direcção Geral da Administração Local, o Organismo do Estado responsável pela concepção, execução e coordenação de medidas de apoio à Administração Autárquica e pela cooperação técnica e financeira entre a Administração Central e a Administração Autárquica, um relatório que dá conta de quais as Câmaras Municipais que, ao longo dos últimos três anos, apresentaram contas equilibradas e despesas com pessoal e com aquisição de serviços inferiores a 35% da receita média arrecadada durante esse período, situação considerada óptima e que permite, inclusive, às Câmaras Municipais nestas circunstâncias, aumentar a massa salarial.

Ricardo Rio não deve ter ficado muito satisfeito mas a Câmara de Braga, segundo a DGAL, cumpre, lado a lado, apenas, com vinte e cinco por cento dos 308 Municípios Portugueses, todos os quesitos enunciados acima, o que, mais uma vez, vem por em causa o discurso cada vez mais gasto do “não há dinheiro” que o Sr. Presidente de Câmara não se cansa de repetir.

Ora, se há dinheiro e a situação da Câmara está longe de ser o descalabro que o Sr. Presidente pinta, algo não bate certo. Talvez a resposta esteja nas opções e prioridades erradas do actual executivo municipal, assim como, no dinheiro mal gasto, desbaratado, até, em ajustes directos e outras aquisições de bens e serviços de interesse público duvidoso em que a Câmara Municipal de Braga, presidida por Ricardo Rio, se tem revelado especialista. O assunto é sério e talvez valha a pena dedicar-lhe uma próxima crónica.

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