Correio do Minho

Braga,

'Um grande amor', por Patrícia Fernandes

Escrever e falar bem Português: Um item complicado

Conta o Leitor

2011-09-10 às 06h00

Escritor

Como o dia amanheceu bonito!
Como todos os dias, decidi passear à beira-mar, um sítio fascinante, à espera de talvez encontrar, a tal rapariga que às tantas me fizesse sonhar…
Sentei-me perto dum moinho, senti um vento súbito e a ver o rebentar das ondas, vi uma rapariga que tinha lindos cabelos castanhos, todos encaracolados, uns lábios definidos, olhos verdes, achei-a logo tão bela que quis falar com ela.

De repente conheci algo novo em mim que tinha desconhecido até ao momento, a minha timidez de ir falar com aquela que podia ser a tal.
Olhei para ela até os meus olhos não a conseguirem alcançar mais.
Fui de volta para a minha casa ali perto, pensei nela até a hora de me deitar nem dei pelas horas passar…

No dia seguinte, fui de novo até ao moinho com esperança de a ver…Vi-a por volta da mesma hora, e durante duas semanas fiz o mesmo. No caminho de volta a casa, vi um cartaz para essa noite que anunciava mais uma festa de verão na praia, com danças cubanas. Ansiando por voltar a ver aqueles olhos verdes, decidi ir.

Aprontei me, olhei para o relógio e estando já adiantado nas horas peguei nas chaves, coloquei o casaco às costas e saí para uma noite que eu nunca imaginei poder tornar-se tão inesquecível!
Cheguei à festa no meu humilde carro e companheiro de já há três anos, que tive a sorte de comprar mesmo antes de entrar na universidade. Quando comecei a percorrer o passadiço, em madeira, por cima da areia, o meu coração começou a bater desenfreadamente… Eu nem queria acreditar! Seria possível o que os meus olhos enxergavam? Aqueles olhos verdes que olhavam directamente para mim do centro da pista de dança emanavam uma beleza e plenitude inquietantes.

Sentei-me na esplanada observando os seus cabelos ondulados a bailar com o vento. Dentro de mim florescia um turbilhão de sentimentos e a vontade de a sentir junto ao meu corpo.
No fundo do meu ser arranjei força e coragem, eu tinha de ir falar com ela, levantei-me me e segui na sua direcção, mal conseguia controlar a minha respiração, o coração parecia querer saltar da minha boca. Olhei-a nos olhos, esticando a mão, sem necessidade de quaisquer palavras convidei-a para dançar. Simplesmente havia uma grande compatibilidade entre nós.

Os dois corpos encaixaram-se com sensualidade ao ritmo da música, e sem que eu percebesse a minha timidez e nervosismo desapareceram e subtilmente deram lugar a um sentimento de felicidade.

Aos poucos com grande prazer fui descobrindo os mistérios que dela desconhecia, tornando-nos muito confidentes.
Durante o pequeno grande verão divertimo-nos como cada dia fosse o último… Tardes de autêntica farra. Belos sorrisos e grandes gargalhadas prolongavam-se sempre até ao nascer do dia.

Reina um silêncio absoluto, não me tinha apercebido que o verão estava no fim e que na manhã seguinte tinha que viajar, cumprir e finalizar o meu último ano na academia militar.

De repente dei por mim a pensar um pouco mais no assunto e perguntei me a mim mesmo se iria aguentar uma dor tão superior ao que jamais imaginaria...Tinha que aproveitar todos os segundos com ela, não desperdiçar nenhum momento…

Encontrei-me com ela e disse-lhe “no verão, quase todas as noites têm um lugar, um espectáculo incomparável: a contemplação do céu”, o brilho do teu olhar é uma estrela que me ilumina, sempre que te fores deitar olha para uma, eu te estarei a guardar.

Ela encantada não resistiu de tanta emoção que caíram lágrimas pelo seu belo rosto.
Não há nada mais belo do que a natureza. O destino juntou-te a mim, tu és a minha natureza!
Eu sequei-lhe as lágrimas, o que me fez sentir protector, nesse momento soube que ela estava segura.

Pouco faltava para a meia-noite, e nós corríamos que nem uns doidos pela praia fora. De repente ela tropeçou numa rocha e soube que os meus reflexos eram bons devido aos treinos militares, atirei-me para a areia sem mais nada pensar, apenas na sua segurança e ela caiu subitamente nos meus braços. Os seus lábios tocaram nos meus e eu sentia a sua respiração acelerada tal como o bater do meu coração.

É na praia que me sinto realmente apaixonada pela liberdade, disse me ela com um sorriso na face.
De súbito, gritei o quanto mais pude aos quatro ventos e disse-lhe: tu és a tal … Tu és o melhor do mundo!

Esta noite foi memorável, jamais me esquecerei de tudo o que vivi contigo!
Após conversarem durante diversas horas, adormeceram numa barraquinha, os dois muito agarradinhos…

A manhã seguinte nasceu agradável pois o sol não faltou ao encontro nessa manhã, muito pelo contrário nasceu mais brilhante do que outrora.
Despediram-se e prometeram escrever-se todos os dias possíveis que podia demorar às vezes a chegar as cartas mas que chegariam sempre, durante um ano fizeram o mesmo e todos os dias tinham mais saudade um do outro, amavam-se demais para estar longe um do outro…

Ele completou a academia e ela terminou os estudos, encontraram-se pouco depois… Tinham vindo os dois ao mesmo sítio, a barraquinha que há um ano atrás se viram pela última vez, ele vinha dum lado da praia e ela do oposto com o calçado na mão, deslumbrante como sempre mal se viram, correram um para o outro, abraçaram-se, ele rodopiou-a no ar e beijaram-se com saudade…

O nosso amor sobreviveu com um único beijo durante um ano.
Um amor de Verão foi um amor de vida …

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