Correio do Minho

Braga, terça-feira

Um Caso Grego

Um excelente exemplo de branding

Ideias Políticas

2015-06-23 às 06h00

Francisco Mota

A Europa encontra-se num reboliço político e económico a onde não sabemos muito bem onde vai parar. Corro o risco de estar a escrever esta crónica e o desfecho Grego já estar definido, mas ainda assim prefiro dar a minha opinião num momento tão difícil como o que vivemos.
Independentemente de ideologias ou de opções político-económicas a verdade é que o contexto de sobressalto que vivemos deve preocupar qualquer Português ou Europeu.

Como era inevitável, a decisão sobre a Grécia, seja qual ela for, será tomada pelos líderes Europeus. Por mais que tentemos dar um tom macro económico ao caso, a verdade é que estamos a jogar no tabuleiro das opções políticas e essas cabem aos líderes, com as devidas consequências para o Futuro da Europa, independentemente das decisões que forem tomadas. Se é verdade que o governo grego abusou da retórica fácil e do populismo. E que esticou demasiado a corda ultrapassando o limite do inimaginável, também não é menos certo que não encontrar uma solução pode ser um erro de dimensões irreversíveis para o projecto europeu.

Olhando o cenário da saída da Grécia do euro, que até pode fazer sentido para economistas, devido ao percurso dos seus governantes e consequentemente o incumprimento. Fazendo uma análise crua, abstracta e fria até podemos considerar a saída como o plano mais objectivo. Mas não podemos ignorar as consequências políticas e estratégicas para a Europa, mas sobretudo não podemos desatender a história do velho conti-nente.
A Europa é um território frágil, com conflitos permanentes, onde as fronteiras são incertas, onde nações não são Estados, onde a memória da guerra e do ódio estão muito presentes. Foi aqui que se deram os maiores confrontos bélicos da história da humanidade.

Não tomar em atenção estes factos, não os interpretar ou compreender é brincar com um rastilho de pólvora indomável. É esquecer as razões que levaram à falência da NEP no período pós I Guerra, é não saber o porque do aparecimento da CEE no pós II guerra e a sua evolução até aos dias de hoje que permitiu ter o maior período de paz no continente Europeu.

Alguém escrevia esta semana sobre este mesmo assunto e dizia: “Curiosamente, Angela Merkel (que será um dos maiores pesos na decisão final) sabe isto muito bem e está verdadeiramente preocupada. Talvez porque tenha nascido na RDA, porque conheça as mudanças nos mapas da Alemanha, da Polónia ou dos Estados bálticos, porque sabe que foi a política que determinou a requalificação da Alemanha (e não a economia)”, dando a entender, que mesmo sendo a líder com mais pressão interna para afastar a Grécia, não é o caminho separatista que pretende ter como opção.

Aprovar e apoiar o “Grexit” sairia demasiado caro à chanceler, mesmo tendo um apoiante desta ideia no seu governo. O ministro das Finanças Wolfgang está convicto que o euro ficaria bem melhor sem a Grécia. Contudo o problema continua a ser político e certamente que não quer ficar na história como responsável do fim da União Europeia e cunhando a Alemanha como tendo destruído a europa pela terceira vez no espaço de um século.

Os líderes europeus e a chanceler alemã querem um acordo para o seu próprio bem e da Europa e a Grécia necessita deste mesmo acordo. Não quero acreditar que o primeiro ministro grego va aceitar de animo leve a bancarrota do seu país, empurrando o povo grego para uma situação ainda mais insuportável e sem fim à vista. A atitude irresponsável e desmedida de Alexis Tsipras chegou ao fim e percebeu que terá de ceder para não cair num cenário insustentável.

Por outro lado e não pondo em causa as análises económicas do que está em jogo, não quero acreditar no desfragmentar do projecto europeu em que deposito todo a esperança.

Termino lembrando um pensamento que diz muito nesta hora difícil mas determinante, “A história é émula do tempo, repositório dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro.” Não esqueçamos a nossa História, a História da Europa!

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