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Ideias Políticas

2022-05-31 às 06h00

André Patrão André Patrão

Esta semana, escrevo-vos partindo de uma ideia que não me pertence mas a um dos meus autores favoritos: Eça de Queirós. “Não tenha medo de pensar diferente dos outros, tenha medo de pensar igual e descobrir que todos estão errados.”
Alicerçado neste pensamento, parto para a escrita da nossa crónica quinzenal, após ouvir e ler algumas notícias sobre a eleição interna do PPD/PSD e que me levaram a considerar o estado da nossa democracia, aos dias de hoje.
A realidade política do nosso país sofreu profundas alterações nos últimos anos. De uma maioria absoluta com o Partido Socialista para uma maioria de coligação entre PSD e CDS e, posteriormente, de forma surpreendentemente eficaz, para uma geringonça entre a esquerda. Agora, com uma nova maioria do PS, qualquer um de nós consegue perceber que o momento político do PPD/PSD é difícil, algo reconhecido até pelos próprios candidatos e que o caminho do partido está numa trajetória descendente.
Perante este cenário, os dois políticos, candidatos à liderança do maior partido, em termos de oposição, na Assembleia da República, não encontraram tempo para se prestaram ao debate, nem souberam aproveitar o élan do momento para iniciarem quatro anos de oposição, perante a dura impotência de subsistir contra uma maioria absoluta. Não respeitaram a essência do confronto político que assenta no debate e na discussão de ideias. Não quiseram (ou não souberam) apresentar aos portugueses um partido com uma visão diferente de construção de sociedade.
Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva podem ter ideias, pensamentos e propostas coincidentes entre si. É algo natural que assim o seja. Mas, na minha leitura política, Luís Montenegro sentiu a vitória e persentiu que o debate não lhe traria qualquer vantagem. Arrisco dizer que o candidato vencedor considerou que até poderia servir para dar um tiro no próprio pé. Arrisco dizer que não é com candidatos ou líderes políticos que se amedrontam perante a opinião pública e que não assumem as suas ideias que a democracia é reforçada, nem que conseguimos esvaziar o populismo que invade, de forma constante, o nosso quotidiano.
O debate é essencial para o progresso. A discussão de ideias, aguerrida e irreverente, é condição necessária para crescermos, quer enquanto indivíduos, quer como sociedade. E, ademais, não é muito mais interessante esgrimirmos argumentos entre nós do que vivermos no enfadonho aborrecimento de estarmos todos em concordância?
Confesso que existo com a Revolução de Abril na constância do meu pensamento, quer pela sua representação de coragem e de ousadia, face à ditadura vivida, em função do que era a situação política da altura, quer pelo que significou para a construção do nosso quotidiano de liberdade, veementemente presentes em direitos e garantias que nos permitem sonhar. Por isso, sou um defensor acérrimo da troca de argumentos, da tomada de posição e de apresentarmos a nossa própria perspetiva, seja numa corriqueira conversa no café da esquina, seja num debate político na casa da democracia. Até porque foi para isso que se fez o 25 de Abril.
E pergunto-me, sucessivamente, como conseguiremos dar à democracia tudo o que ela precisa para se manter bem viva nas gerações futuras. Se queremos cultivar as sementes da democracia nas gerações mais jovens, devemos estar presentes no seu quotidiano. Nas escolas, não devemos promover uma educação que se baseia em lermos e decorarmos as matérias lecionadas. Devemos insistir em potenciar o pensamento crítico, a interrogação, sem pudores, sempre pautando a participação pelo respeito pelas outras opiniões, mas sem ter medo de permitir a interrupção e a genuinidade da intempestividade que significa pensar e argumentar.
Não tenhamos medo, nem nos deixemos apoquentar pelo arrepio da espinha provocado pela frontalidade de assumirmos o que sentimos, o que pensamos e o que consideramos sobre alguém ou sobre algo. Vale sempre a pena. Aliás… tudo vale a pena quando a alma não é pequena!

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