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Tudo bons rapazes

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Tudo bons rapazes

Ideias

2019-09-29 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Das maiorias não colherá Portugal grande benefício, segundo o politólogo A. Costa, e nós subscrevemos. As coligações, por outro lado, são um poço de problemas, constando que a vigorou tenha ares de passar ao lado de uma reedição. Que fazer, bom Deus: aviar o senhor Costa, íntimos e afins, com 116 parlamentares? Tal não lhe trará problemas maciços de governação, um congestionamento excruciante de melindroso prognóstico?
Permitam-me que explane o dilema: se Costa abomina as maiorias, pelo que de pernicioso encerram – arrogância, nepotismo, alienação, enviesamento social, etc. –, se as comadres sinistras, desencantadas, arrumam tralhas e afiam facas, se um Portugal sofrido franze o cenho ao grémio dos cínicos e dos hipócritas, assim, com tudo isto, não facearemos nós um psicodrama de rivalizar com os suspenses de Hitchcock? E logo agora, que saíamos do sufoco.
Descartemos a hipótese de uma greve às eleições, que um Costa ferocíssimo dissiparia com serviços mínimos esticados e requisições civis conexas, tareadas com um rol de cominações. Ponderemos, antes, o grave sarilho em que nos encontramos, todos nós, anónimos eleitores, conduzidos à cabine de voto como ovelha a matadouro: como votar no PS, sem que a mãozinha perca pés no enxurro, sem que o iluminado, que serve de inspiração a uma Europa boquiaberta, qual Pombal dos nossos dias, se veja na contingência de abdicar? Sim, porque mediante a malevolências das maiorias, que outra solução lhe restaria: acaso o rateio dos deputados pelas confissões minoritárias, pataca a ti, pataca ao outro?
É claro que damos de barato que um PS aflito jamais celebrará banhos com um CDS higiénico, e que um bloco central espúrio é arranjo que não lembra nem ao diabo, se bem que de uma banda e outra pareça haver quem traga a língua afinada com o mafarrico.
Eu, com toda a imodéstia, avanço uma solução: e se nos juntássemos, informalmente, à meia centena, e combinássemos o desfecho do escrutínio, assim como quem fixa o resultado batoteiro de um confronto desportivo? Não dizíamos nada a ninguém, abonávamos uns com trinta por cento, outros com vinte e cinco, e por aí fora. O bouquet ficava equilibrado e, com ele, a legitimidade sociológica de toda e qualquer composição de executivo ou suporte parlamentar. Bem apurado o petisco, poderíamos, inclusive, chegar ao brilharete de uma taxa de abstenção de décimas, da ordem dos défices do Centeno. Então é que a Europa nos citaria como modelo, então é que o português subiria em flecha nas agências de notação.
Adivinho descrenças e reservas, pois se eu próprio sei que o cambão seria de difícil urdidura. Teríamos de confiar uns nos outros, na palavra que empenhássemos de votar assim ou assado, e é certo que a vulgar das traições está dentro de cada porta. Seria um acto de fé, mas circunstâncias extraordinárias requerem soluções de igual gabarito.
Por certo, mesmo, tenho que não podemos confiar nas afiliações pessoais, esperando que, por arranjo astral, a vitela saia repartida com parcimónia e equidade, sem velada ameaça de apoplexias. Sim, eu sei que será doloroso obrigar uma alma convicta a votar na cor oposta, por que assim dita a correlação de forças da célula conspirativa de sótão. Mas a vida é sofrimento e resignação. Paralelamente, bem vistas as coisas, somos todos sociais-democratas, individual e colectivamente, somos todos partidários do progresso, das liberdades cívicas, da cunha, do tacho, da demagogia e da espertalhice dos negócios de gola: enganarei-me?
Eu voto à toa, e tu?

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