Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Tudo acontece em Setembro... até os incêndios!

Cancro do Pulmão – de que morrem os portugueses

Ideias

2016-09-11 às 06h00

Artur Coimbra

Setembro é tempo de regressos. À rotina. Ao trabalho e aos seus estereótipos. À escola e aos seus problemas. A mais um ano de labuta, à espera que novo Agosto chegue.
É claro que os emigrantes já regressaram às terras de destino, às franças e araganças onde conseguem obter o pão que o país lhes nega, historicamente, continuadores de uma epopeia que remonta à era dos Descobrimentos e que se intensificou a partir do século XIX, para o eldorado brasileiro.

Os emigrantes povoaram Agosto de alegria, movimento, rebuliço, agitação, nas ruas, nas feiras, nos mercados, nos cafés, nos restaurantes. Deram outro colorido às festas e romarias, um pouco por todas as freguesias da região minhota. Andaram por casamentos e baptizados, muitas vezes ajustados exactamente para as épocas em que por cá veraneiam. Rumaram às praias, da Póvoa ou do Algarve. São os heróis da portugalidade que se expressa na Diáspora, mostrando coragem e desprendimento que milhões dos que por aqui ficaram, temerosamente, não demonstram.

Este ano, os portugueses espalhados pelo mundo vieram à terra-mãe com um novo fôlego e um orgulho incomensurável, reconfortados com o título de campeões europeus em futebol, o que, se para nós, tem o valor que tem, e é muito, para os compatriotas disseminados por todos os quadrantes onde haja oportunidade de emprego, o simbolismo é muito maior, sem dúvida! Portugal pulsa mais forte no coração dos que abandonaram a zona de conforto deste rectângulo territorial.

Um dos regressos que marca Setembro é, obviamente, ao trabalho de cada um, após um período mais ou menos feliz de preguiçar por aí, nas praias ou no campo, descobrindo ou matando saudades, o dolce far niente que passa demasiado depressa. Aliás, é consabido que as férias deviam ser multadas por excesso de velocidade!...

Setembro devolve-nos à realidade de mais um ano de trabalho pela frente, nas fábricas, nos escritórios, nos comércios. Obviamente, para quem tem trabalho e não engrossa, desafortunadamente, o exército dos desempregados. Inelutável destino e desafio permanente de dias e meses a ganhar “o pão que o diabo amassou”, como soe dizer-se!... Mas é melhor regressar ao trabalho do que às filas dos Centros de Emprego!...

Setembro é também o regresso às aulas. Todos os anos, sistematicamente, com queixas, apreensões, incertezas, para alunos, pais e professores. Para aqueles, porque vão conhecer novos professores, novos currículos, novos colegas, outras matérias, o que gera alguma natural ansiedade. Para os docentes, a agonia dos contratados, a incerteza de saber onde vão parar, se vão ter horários completos ou parciais, as filas do desemprego para aqueles que não conseguem lugar no sistema, e são muitos milhares.

E obviamente o estresse de uma actividade no mínimo heróica, pois ser professor nos dias que correm só com imensa dose de bravura, de audácia, de ousadia e de coragem, dado o ambiente de guerrilha que transitou para as salas de aula. Alunos mal comportados, mal-educados, faltas de respeito para com professores e funcionários, ausência de poder dos docentes para disciplinar as turmas, uma escola demasiado burocrática, ao que se ouve, tudo contribui para um ambiente esgotante de quem tem por missão primordial ensinar e instruir (porque a educação deve vir de casa, o que nem sempre acontece, infelizmente…).

Os professores, uma classe visivelmente exausta, baralhada e desesperada, insatisfeita devido à falta de reconhecimento profissional e preocupada com a indisciplina na sala de aula, como mostram recentes estudos sobre a profissão.

No meio de todo este ambiente, ainda a famigerada questão dos contratos de associação, que acabaram por criar um ambiente de crispação entre algumas dezenas de colégios privados que viram o apoio estatal diminuído ou suprimido e o Ministério da Educação, em muitos casos muito justamente, porque, em época de apertos orçamentais, não é legítimo que o Estado esteja a duplicar o financiamento à educação. A sua obrigação constitucional é para com o ensino público. É um caso que ainda está aí para lavar e durar e que muitas dores de cabeça ainda vai dar a muita gente, seguramente!...

Mas o problema maior e mais grave da educação é a drástica diminuição do número de alunos das nossas escolas. Notícias desta semana dão conta de que este ano Portugal terá o número mais baixo de matrículas deste século (80 mil alunos no 1.º ano do 1. ciclo), quando há trinta anos eram o dobro e há 16 anos (2000-2001) andavam pelos 117 mil…

Outro dos regressos tem sido, infelizmente, o inferno dos incêndios, nos primeiros dias de Setembro, aproveitando as condições climáticas favoráveis (calor intenso, temperaturas elevadas, ausência de humidade e de limpeza das matas) e impulsionados por mãos criminosas que estão a destruir o património natural do país. Este ano já arderam mais de 106 mil hectares de floresta e mata, o que representa 1% do território nacional. Uma enormidade e um atentado à economia do país, que tem urgentemente de punir os interesses que se geram à volta do combate aos incêndios, devendo privilegiar a respectiva prevenção!...

É claro que, nestas ocasiões, sobram os heróis de sempre, os bombeiros deste país, para tentar salvar vidas e bens que os criminosos ameaçam com os seus actos tresloucados e, a grande maioria das vezes, intencionais!...

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