Correio do Minho

Braga, terça-feira

TUB desistem de renovar a frota

Confiança? Tínhamos razão.

Ideias

2015-11-17 às 06h00

Jorge Cruz

Há pouco mais de um ano o gestor dos Transportes Urbanos de Braga (TUB) anunciou, com alguma pompa, que a empresa municipal que gere iria investir 135 milhões de euros, em dez anos, na montagem de um sistema de metro de superfície e na aquisição de novos autocarros. Baptista da Costa, assim se chama aquele responsável, precisou ainda que dessa verba global, 15 a 20 milhões se destinariam a investir na renovação da frota de autocarros, à média de 1,5 milhões anuais.

Na altura, as afirmações pareceram bastante temerárias e o seu conteúdo foi considerado, pelo menos por uma boa parte da população, mais propagandístico, mais folclórico, do que a realidade aconselharia. Suspeito mesmo que nem uma alma terá acreditado num investimento de tantos milhões, principalmente quando ainda se vivia a famosa encenação dos esqueletos nos armários e das auditorias que pré-anunciavam terríveis desastres.

Cerca de doze meses volvidos, mais concretamente no início deste mês, o presidente da Câmara Municipal de Braga anunciou que os TUB gastaram agora cerca de 250 mil euros na aquisição de 44 autocarros usados, naquilo que Ricardo Rio considerou um “negócio de oportunidade e de grande utilidade”. Aliás, o edil garantiu que “o problema da aquisição de viaturas fica resolvido para os próximos cinco anos”.

Deixar cair a aposta (?) no metro de superfície não creio que tenha causado grande estranheza tanto mais que, como sublinhei atrás, ninguém levou o assunto a sério. Mas abandonar a renovação da frota de autocarros, isso sim, já causa grande perplexidade principalmente se tivermos em atenção que as unidades ao serviço dos bracarenses estão longe de satisfazer as necessidades.

Aparentemente, esta operação configuraria apenas uma certa firmeza (ou arrogância?) política de Ricardo Rio relativamente às opções técnicas de quem gere quotidianamente a empresa municipal ou, se quisermos, uma retirada de tapete a Baptista da Costa. Acontece que a solução adoptada pode revelar-se bastante penalizadora quer para os utentes quer para a própria empresa de transportes.

Se é verdade, como muito bem sublinhou o gestor há um ano, que “a frota está envelhecida, (que) a média de vida dos veículos é de 16 anos, quando o máximo europeu é de 12”, não se compreende como é possível adquirir agora autocarros com uma média idêntica. Ou seja, viaturas que ultrapassam o tal limite de doze anos. De resto, o especialista que Ricardo Rio foi buscar ao Porto, onde Baptista da Costa geriu o lançamento do metro de superfície, acentuou na altura que a renovação da frota de autocarros “passa por um concurso aberto”, de médio prazo, para fasear a aquisição de viaturas e evitar, como sucede agora, a caducidade da frota daqui a 12 anos.

Aparentemente insensível a estes argumentos, o presidente da Câmara vai colocar ao serviço dos bracarenses, a partir do próximo ano, as 44 antigas e velhas viaturas dos Serviços de Transportes Colectivos do Porto. Como entretanto serão enviadas para abate cerca de três dezenas de viaturas, a frota da transportadora bracarense beneficiará apenas de um aumento de cerca de uma dezena de unidades.

Convenhamos que o balanço é francamente negativo, tendo em conta que se encheu a boca com a duplicação da frota durante o mandato e que os próprios docu- mentos oficiais falam no tal investimento de milhão e meio de euros por ano para aquisição de viaturas novas.
Em súmula, a aquisição destes autocarros pode representar uma mais-valia para as oficinas dos TUB, do ponto de vista do reforço de stock de peças, mas creio que para além dessa canibalização das viaturas, para aproveitamento de partes, não resultarão grandes benefícios para os utentes dos transportes urbanos de Braga.

A renovação da frota é um problema que continua sem resolução à vista, bem pelo contrário, é cada vez mais adiado com decisões deste tipo, de empurrar o problema com a barriga. É, em última análise, a assumpção de mais uma desistência, a desistência de renovar a frota dos TUB, modernizando-a com autocarros novos, amigos do ambiente e que contribuam para incentivar a utilização do transporte público.

Nota: Ao contrário da opinião que tem estado a generalizar-se, a República Portuguesa ainda tem Presidente. Quase não se dá pelo personagem, é certo, mas ainda se mantém em funções. Chama-se Aníbal Cavaco Silva e de momento encontra-se na ilha da Madeira.

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