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Truta - O funcionário da Câmara Municipal de Braga

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2014-05-12 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Existem pessoas que desempenharam algum papel de destaque na sociedade e, por essa razão, tornaram-se acarinhadas, especiais e inesquecíveis para muitos de nós.
Uma dessas pessoas, que se confundiu com uma época, foi o Truta, um funcionário da Câmara Municipal de Braga muito admirado por praticamente todos os bracarenses.

Para além de zeloso funcionário do município bracarense, o Truta exerceu ainda funções na polícia, como guarda, tendo atingido o posto de “1.º cabo”, devido aos seus bons serviços. Manteve-se nestas funções até 1880, altura e que foi nomeado oficial de diligências da Administração do Concelho de Braga, cargo que manteve durante os 16 anos seguintes.

A forma peculiar como o Truta se apresentava em público contribuiu para a sua notoriedade: enquanto guarda-mor da Câmara Municipal de Braga, ainda no tempo da Monarquia, usava calção, meia e breca, e obedecia aos seus superiores de forma absolutamente fiel. Apesar de ter dificuldades a nível da audição, o Truta tinha uns pulmões que impunham respeito, já que falava muito alto. Aliás, esta sua forma de falar fazia com que algumas pessoas, ao primeiro contacto que mantinham com ele, o considerassem algo bruto, impressão que desaparecia logo que mantinham conversas com este simpático bracarense.

O Truta era uma pessoa muito educada, delicada e empenhada nas funções de serviço público que estavam sob a sua responsabilidade. Participou activamente nas procissões do Corpus Cristi, que se realizavam em Braga e, na qualidade de guarda-mor da Câmara Municipal, era o responsável pela cerimónia da quebra dos escudos, sempre que o monarca morria. Assim aconteceu por ocasião da morte do rei D. Luís e ainda do rei D. Carlos.

No papel de guarda-mor da Câmara Municipal de Braga, coube-lhe a responsabilidade de apregoar, nas principais praças e ruas de Braga, o luto nacional que foi declarado através da portaria de 1 de Fevereiro de 1908, após o regicídio do rei D. Carlos. Também por este papel, o Truta era muito respeitado e admirado em Braga.

O Truta era um cidadão com quem era relativamente fácil tornar-se amigo e com quem se mantinha uma conversa agradável. Um episódio da sua vida, que foi muito comentado e até de forma humorada pelos seus amigos, referia-se às suas tendências políticas, ou seja, ainda no tempo da monarquia, o Truta resolveu participar com alguma intensidade na política, envolvendo-se em ações do partido progressista. Posteriormente, resolveu inverter esta tendência e passou a apoiar a política de tendência regeneradora.

O problema é que, depois de ter participado activamente com os regeneradores, foi dispensado por estes, tendo então voltado à sua participação política… de tendência progressista!
Várias vezes questionado sobre esta sua tendência, o Truta respondia que afinal tinha uma tendência política diferente, uma vez que era um velho apoiante de D. Miguel, o Absolutista! Aliás, segundo o Truta, essa sua tendência miguelista já vinha do tempo da sua família!

Sempre que se realizavam eleições, o Truta procurava por todos os meios ter uma participação ativa, pois dessa forma queria demonstrar toda a sua importância, quer política, quer social, aos seus amigos de Braga. Assim, por diversas vezes envolvia-se em discussões, umas vezes mais acesas, outras vezes menos, mas nunca extravasando a linha da falta de respeito. Também por isso era respeitado e admirado.

Quando morreu, sentiu-se um vazio nas ruas de Braga, de tal forma os bracarenses estavam habituadas a ver o Truta passar!
O simpático Truta teve uma vida profissional ativa e longa, que durou mais de 50 anos de serviço, quer à causa pública institucional, quer à simpatia que dedicava ao público de Braga.
Morreu com 85 anos, no dia 6 de janeiro de 1929.

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