Correio do Minho

Braga, sábado

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Tristezas não pagam dívidas

Cobrança de comissões bancárias – Lei impõe limites

Ideias

2016-02-05 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

O ar sempre risonho e o sorriso bem aberto do Centeno, em Bruxelas, no parlamento e na comunicação social e a figura nédia, nutrida, satisfeita e também sempre sorridente do Costa fazem-nos acreditar que o povo tem razão quando diz que “tristezas não pagam dívidas”, já que nada há que os preocupe ou perturbe. Ainda que o défice aumente e a situação económica do país se agrave, justificando um “puxão de orelhas” da UE, interrogações e dúvidas e até intervenção da troika, há-de haver solução para tudo. A incontornável realidade de se enfrentar um aumento das despesas públicas e diminuição das receitas, consequência de um apressado, insensato, demagógico e político alterar e reverter de príncípios, regras e medidas para “responder” a compromissos eleitorais e ao apoio parlamentar, não lhes tira o sono.

Esquece-se o défice e confia-se num milagre “das rosas” do Centeno e dos socialistas, importando tão só sorrir, “agradar à malta”, voltar a sorrir e ter o povo contente e crente nas promessas. Tão só promesssas, note-se, porque tristezas não pagam dívidas e Sócrates, que “anda por aí ”, já defendera “os caloteiros” ao dizer que “pagar as dívidas é coisa de crianças”. E não há motivo para preocupação apesar do caso do Banif, da reversão de certas medidas, das “novidades” e outras “mexidas” anunciem derrapagens, descalabro económico e intervenção de Bruxelas.

A quem Costa quer “fazer peito” quando diz não recuar no seu programa eleitoral e cumprir as regras europeias,o que perspectiva mais um duvidoso “milagre” e resultados dúbios de tal “peitaça” transportando-nos de imediato para a Grécia.

Aliás, é patético esperar que os credores e investidores se deixem abalar pela “força” e “conversa” do Costa e continuem a debitar dinheiro para o país. Onde se instalou uma governação pífia, estulta, demagógica, utópica e “minada” pela loucura e “guinadas” de jovens “turcos” de esquerda (socialistas, bloquistas e comunistas), visionando um fantasmagórico Eldorado.

A culpa, claro, será sempre dos outros, do anterior governo e do Costa, o do BdP, aliás com costas largas para arcar com os nefastos efeitos da solução Banif quanto a investimento estranjeiro, imagem e confiança no país, e importa tão só “gozar” a vida e agradar ao povo porque quem vier atrás há-de “fechar” a porta.

Sem se travar nos gastos, assistiu-se a um desenfreado aumento nos consumo e despesismo e a vivências em desvario e animação, multiplicando-se as festas, os encontros, os foguetórios e os folguedos, ainda que já se falasse em aumento do custo de vida, subida da inflacção e num “engrossar” dos preços das portagens, pão, água, electricidade, comunicações móveis, jornais, serviços bancários, etc., aliás logo sentidos, sendo ainda de se temer sequelas e efeitos perversos noutros produtos, serviços e mais esferas da actividade económica.

Aliás, a ideia de que, tendo o consumidor mais dinheiro, será maior o consumo e, em sequência, tal se irá reverter no desenvolvimento e crescimento da economia, afigura-se-nos falacioso, teórico, livresco, utópico e irrealista. O que se impõe, insista-se, é aproveitar os nossos próprios recursos e avançar rumo a uma autosuficiência com contenção nas despesas públicas, nas importações e no recurso à ajuda financeira, trabalhando-se e poupando-se sem alardes e estultas e irrealistas pretensões, até porque são já preocupantes os sinais “de uma recaída de uma doença endémica: o Estado deficitário, viciado em dívida”, como escreve C. Rodrigues (CM 28.1.16), dizendo ainda que “ao fundo do túnel, a reversão da austeridade continua a mostrar a sua luz.

Esperemos todos que não seja a locomotiva da falência a caminho de nos destruir outra vez”. Na verdade, o “esboço” do orçamento mandado a Bruxelas fez torcer o nariz a muitos, aqui e lá, suscitando dúvidas, interrogações e pedidos de esclarecimento, sendo de temer os resultados apesar do”paleio” e “poder negocial” do Costa.

O Centeno anda sorumbático, perdeu o sorriso, mudou o discurso e até se perturbou ao aludir aos vários itens (não “aitens” como pronunciou), sendo visíveis “surdos” desentendimentos entre a “maioria” que apoia o Governo (orçamento rectificativo, o caso das 35 horas, v.g.), ameaças e mesmo greves, com o Arménio, a Ana Avoila e o professor (!?) Nogueira perfilarem-se como uns “activos tóxicos” do país. Onde as asneiras, tonterias governamentais e medidas de impacto «tão só» obedecem a um plano: “pagar” apoios, retroverter, anular e mudar tudo o que fora feito, esquecendo-se de todo a sensatez, a racionalidade, a situação económica do país e “caindo-se” numa governação de mero desforço e revanchismo demagógico.

O Matos Fernandes, “enrolando-se” com os transportes públicos da STCP, Carris e Metro do Porto e Lisboa, “chuta para escanteio” contratos e acordos feitos com alarido e geral agrado da esquerda e reverte tudo à situação anterior: às greves, descontrolos na administração, prejuízos para os utentes e usual descalabro económico-financeiro a suportar pelos contri- buintes, a quem acrescerão os custos com a reversão dos contratos e com a pretendida inversão no processo da TAP. Aliás, apesar das promessas, já há aumentos nos impostos indirectos (v.g. tabaco, imposto do selo, combustíveis, etc.), com nefastos reflexos noutras áreas económicas, e a diminuição do IVA na restauração tornou-se num “caso de estudo”.

Mas como as tristezas não pagam dívidas, continua-se a governar sob a égide do “experimentalismo” e a coberto da “esperteza” e “inteligência” de uns quantos, com o «miúdo» Tiago Brandão, apesar do parecer crítico do CNE ( “quem governa somos nós” (sic)-CM, 14.1.16), a enveredar por uma política de insensatez “assente” num facilitismo “abrilesco” e num nacional “porreirismo” de esquerda e a “desaguar” numa irresponsabildade e cultura de “incultura”, “enrolando-se” a meio de um ano lectivo na questão das avaliações e exames e minimizando e perturbando a segurança dos alunos e educadores. Entretanto, porque nem interessa pensar muito no défice nem no futuro.

O “Governo de Costa nomeia 338 boys” em mês e meio, sendo que só ele tem “sete secretárias, cinco adjuntos, três assessores,um chefe de gabinete e um técnico” (CM, 14.1.16), sendo que um é Vítor Escária, antigo assessor económico de Sócrates, pelo que se conclui que esta “governança” cada vez mais se aproxima da de Sócrates, com o truculento Santos Silva preocupado com faqueiros de prata D.João V para os diplomatas e todos mandando a “austeridade” dar uma volta ao bilhar grande.

Mas enquanto Bruxelas aparar o jogo e de lá “escorrer” dinheiro não há problema, e o povo pode até dar-se ao luxo da chacota e da piada no Facebook ao sugerir que Costa, nédio, risonho, com um ar bem nutrido e de bem na vida, seria o treinador ideal para o FCPorto, pois “transformaria” derrotas em vitórias. E como tristezas não pagam dívidas e já acabou o ridículo “folclore” e a “piolheira” da campanha presidencial, há tão só na TV o “Eixo do Mal” e o “Governo Sombra” para esquecer o nosso triste fado. As “lucidez”, “seriedade” e” inteligência” dos intervenientes por vezes levam-nos à gargalhada... o que não deixa de ser saudável.

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