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Transtorno obsessivo compulsivo por compras: Oniomania

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Transtorno obsessivo compulsivo por compras: Oniomania

Escreve quem sabe

2018-11-18 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

A oniomania é uma doença no âmbito mental que se traduz na obsessão e compulsão por compras. Em pleno séc. XXI tendemos mais a focar a nossa atenção em detalhes materiais. Portanto não é transcendente de ocorrer, aquelas pessoas que tem uma forma de se vestir diferente, sobretudo mais simples, são muitas vezes diferenciadas no tratamento face aquelas que se apresentam com uma indumentária mais “sofisti- cada”.

Nem tudo o que parece é, e nem sempre o que se veste indica conhecimento ou estatuto. Todavia, numa sociedade do consumo, a compulsão por compras é a “estrela da moda”. Vejamos a publicidade. Há cada vez mais, bloggers e influencers que todos os dias nos chamam a atenção para o novo produto “hit” do momento. Produtos que são muitas vezes supérfluos e dos quais não se necessita, mas que se é “tentado/a” a adquiri-los. Será isto a felicidade? Ostentar e mostrar?! Ao contrário do que se possa pensar, não se consegue mais admiração e o respeito do outro, porque em algum momento mais adiante a pessoa começa a cansar-se de um papel que não a preenche e realiza emocionalmente. Exemplificando, uma pessoa que compra compulsivamente com o intuito de ficar “impecável e sempre bonita” consegue efetivamente chamar a atenção de todos e ser admirada, mas pode nunca conseguir ter a atenção daquela pessoa em especifico que deseja ou ambiciona. Alguns especialistas que se debruçam sobre a área, referem que a oniomania é um vício equivalente a outro tipo de substancia lícita e ilícita como o álcool e a toxicodependência. Basicamente a pessoa precisa de consumir, no caso, comprar, para se sentir bem.

O bem-estar vai muito mais além do que é superficial. Na verdade, o consumismo pode expressar uma necessidade compulsiva pelas compras para esconder a tristeza, a baixa autoestima, a desesperança, a insegurança e a solidão emocional. Passados tristes em ambiente familiar, que se expressam em medos no presente. A pessoa que não está bem com ela própria, frequentemente utiliza um mecanismo de defesa chamado de negação, a fim de se proteger da verdade que dói. Porque é difícil aceitar uma parte da sua vida que está mal. Desengane-se quem afirme, que o consumo tem por “alvo predileto” os jovens. Não é verdade! Repare. As grandes superfícies são inundadas ao fim-se-semana por famílias que vem o lazer na felicidade de fazer compras. Uma espécie de terapia relaxativa. Faça a seguinte introspeção: se vale-se a créditos frequentemente para fazer compras, se só consegue estar emocionalmente bem quando realiza compras e após minutos sente mau-estar interior, se já tem dividas, se já esta problemática causa distúrbios na sua família, se lhe vem sempre ao pensamento ideias repetitivas como “eu preciso”, “eu não tenho”, “eu quero muito” determinado objeto, se no seu armário a abarrotar tem muitas peças de roupa ou outros artigos etiquetados que não vai usar, pode claramente estar com o transtorno obsessivo e compulsivo – Oniomania. Esta doença tem tratamento com ajuda especializada. É a fase severa da doença, todavia, se tem alguma dificuldade em ceder à tentação, pode seguir alguns destes truques. Nunca vá às compras sozinho/a e escolha se possível por companhia a pessoa “mais poupada” que conhece (como se diz na expressão popular, “Não gasta um tostão mal gasto”). Leve sempre dinheiro e não o cartão de crédito. Isto porque ao ver o dinheiro na mão, pensar o quanto teve de trabalhar e os sacrifícios que fez para gastar no imediato algo que não tem certeza de gostar. Fazer compras é necessário, mas tudo em excesso torna-se mau. Um casaco novo, não é o mesmo que um carinho ou um abraço. Uma camisola nova, não apaga as palavras duras proferidas de um pai a um/a filho/a. Umas sapatilhas não são a verdadeira esperança ou o consolo de palavras após um dia difícil. As emoções no nosso coração nunca se desgastam, agora sapatos e malas desligamo-nos facilmente a cada nova estação do ano.

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