Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Trabalho infantil, não!

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Escreve quem sabe

2011-12-18 às 06h00

Joana Silva

O desemprego infelizmente afecta muitos portugueses, e com a crise que o país atravessa há uma maior tendência para que este cenário piore. Hoje, a sociedade tende a excluir aqueles que por infelicidade viram perder os seus empregos após anos e anos de trabalho em empresas que entretanto encerraram. A sociedade, por vezes, pode ser “madrasta”, quando rotula de “ultrapassados pela idade” aqueles que procuram um novo rumo ou o refazer das suas vidas com a possibilidade de um novo emprego, salvo claro as excepções daqueles em que o principal objectivo de vida se limita a “viverem de subsídios”. A crise “bateu à porta” de muitas famílias portuguesas que se vêm obrigadas a procurar soluções para os seus problemas. Neste sentido os investigadores como Pedro Goulart, alertam que à crise está indissociado o trabalho infantil . É certo que a taxa de exploração infantil diminuiu ao longo das ultimas décadas, no entanto, não está completamente extinta e com a crise há uma propensão para que esta taxa aumente novamente. Um flagelo, que não é assim tão invisível, pois quantas crianças por exemplo, trabalham em empresas clandestinamente? Nos meios rurais, quantas crianças antes de irem para a escola ajudam os pais a cuidar das terras? Quantas crianças trabalham em empresas familiares , a quando o regresso das aulas ? Muitas, onde a sua maioria trabalha sem remuneração, que por conseguinte, ao descurarem as tarefas escolares caminham para o insucesso escolar.
Entenda-se por trabalho infantil toda a forma de trabalho físico e mental desempenhado por crianças e adolescente que não possuem idade legal que permita trabalhar. A inserção de crianças no “mundo do trabalho” de forma precoce tem repercussões e no desenvolvimento físico, psíquico, emocional e social das mesmas. Na infância “o trabalho” das crianças é o brincar e ao privarem-se desta acção não vivem a infância na sua plenitude. Mais concretamente, o próprio exercício ou actividade de trabalhar implica responsabilidade, estabilidade emocional, concentração, factores que podem contribuir para a identificação da criança com o mundo adulto mais do que com o próprio mundo infantil. Trabalham horas e horas em jornadas de trabalho com remunerações baixas e por vezes sem condições de trabalho. Num outro contexto de reflexão, e no que diz respeito ao caso dos adolescentes as opiniões divergem quando à prática da actividade laboral precoce. De um lado estão aqueles que condenam o trabalho infantil, pelo abandono escolar , também devido à exagerada carga física e psíquica, que pode causar o envelhecimento precoce e até mesmo atrasos no desenvolvimento, bem como, acidentes de trabalho. Por outro lado, há os que dizem “que trabalhar não mata ninguém” nomeadamente os que não tem sucesso escolar. Ora, todas as crianças e adolescentes tem direito à educação. Ao insucesso escolar está frequentemente ligada a falta de motivação e interesse dos alunos. Cabe ao sistema escolar em conjunto com os respectivos pais perceber e interpretar as reais dificuldades dos alunos para que possam ser delineadas estratégias interventivas. O factor desmotivação é uma das razões pela qual muitos jovens optam pelo emprego precoce, porque não vem os seus objectivos conseguidos, não são incentivados muitas vezes pelo suporte familiar e portanto consideram-se incapazes.
Cabe aos nossos governantes estarem atentos para as eventuais consequências negativas que a crise possa despoletar nomeadamente a prática do trabalho infantil.

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