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Braga, quinta-feira

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Tornar os livros e a literatura acessíveis a toda a população

Para reflexão...

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Tornar os livros e a literatura acessíveis a toda a população

Voz às Bibliotecas

2022-06-09 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Constituir mini bibliotecas comunitárias em diferentes locais do concelho de Braga, a partir das quais qualquer pessoa possa levar o livro que quiser, sem ter de se registar ou de se preocupar com prazos de devolução, poderá ser uma ideia implicada com uma política de ação cultural e educativa ativas, para ajudar a criar hábitos de leitura localmente nos cidadãos.
Podem ser feitas com material reciclado, com ou sem estantes, podem ser mais fechadas, podendo qualquer um espiar o que há na biblioteca e, se tiver interesse, pegar um dos livros para si. A única regra existente nestas bibliotecas é a de sempre colocar um livro no lugar.
As mini bibliotecas são por norma estruturas montadas em espaços urbanos ou mais periféricos, para a troca de livros entre transeuntes. Não é algo de novo ou isolado, dado que elas existem em diferentes cidades e em diferentes países com formas, estruturas e regras igualmente distintas. Esta iniciativa pode ser desenvolvida em articulação com os programas nacionais de leitura ou programas literários, habitualmente dinamizados um pouco por toda a Europa (sobretudo do Norte), assim como na América do Sul e Canadá. Surgem com um papel catalisador e de liderança nas comunidades locais, contribuindo para que se tornem comunidades baseadas no respeito pelo bem público, pela partilha do conhecimento. Começa por ser um projeto educativo e cultural, num conceito simples, mas diferenciador na paisagem, que pretende de forma democrática e descentralizada, tornar os livros e a literatura acessíveis a toda a população. Atrai quem lê e quem não lê.
A ideia de trazemos uma “caixa postal aberta” dimensionada para livros, ou de uma mini casinha que nos reporta à infância é já motivo de atração na paisagem. Nelas podemos aceder aos livros aí depositados, de livre acesso, sem a presença de colaboradores de uma biblioteca ou Junta, ou Centro Social e Paroquial. Podem ser anexadas a portões de lojas ou edifícios públicos. Funcionarem sem apoio do município ou qualquer instituição pública ou privada, sendo mantidas exclusivamente pelos moradores da área e donos do local onde está fixada.
Não há uma grande preocupação pelo cumprimento de prazos de devolução, porque o sistema é assente na confiança e na cidadania. O ritmo da leitura pode ser adaptado ao leitor e às dinâmicas das famílias.
Nestas mini bibliotecas, os leitores poderão encontrar livros de diversos estilos e temáticas, maioritariamente de ficção, dirigido a adultos, crianças e jovens, em língua portuguesa e estrangeira.
O objetivo é promover a leitura de forma gratuita e espontânea, aumentar os índices de literacia, estreitar os laços comunitários e exercitar a cidadania através do recurso a um espaço totalmente inesperado. A iniciativa pode começar a ganhar espaço nas praças e também em locais residenciais. A ideia é que cada cidadão deixe um livro e pegue noutro livro. O importante é incentivar a leitura e colocar os vizinhos e visitantes do local em contato, possibilitando encontros e trocas de experiências agradáveis com a leitura e entre leitores.
O que pode motivar o cidadão neste projeto, é a curiosidade em espreitar e tentar explorar os títulos, autores e temas, a oportunidade de cada cidadão ter acesso direto ao livro. Os leitores mais curiosos são as crianças, que rapidamente procuram livros coloridos, com muitas ilustrações, livros-brinquedo, abrem e começam a ler. Estar neste espaço biblioteca pode ainda proporcionar um momento de trocas afetivas e estimular a leitura em qualquer ambiente, sobretudo no tempo solarengo, debaixo de árvores copadas e frescas. A leitura diverte, transforma as pessoas e consequentemente o mundo. Para crianças que gostam de ler em família é um excelente contexto de abdicar dos gadgets, servindo de maior momento de descontração e relaxamento.
Com a devida comunicação junto da população, as “casinhas biblioteca” podem assumir uma maior importância, com a dinâmica de muitos livros a entrar e a sair, ganhando vida nas mãos das pessoas. São um projeto para todas as idades. Num país onde os índices de leitura ainda estão muito baixos, cabe à própria população tentar salvar o hábito de ler, que faz tão bem a todos.

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