Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Todos somos bibliotecas

Como sonhar um negócio

Voz às Bibliotecas

2015-11-12 às 06h00

Aida Alves

Caro(a) leitor(a), hoje queremos falar consigo sobre bibliotecas e sobre a campanha em curso, para a qual pedimos a sua atenção: Somos bibliotecas.
A Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD) (única associação em Portugal que representa a classe dos profissionais de informação e documentação, fundada em 1973), tem levado a cabo desde 22 de outubro de 2015, uma campanha nacional de sensibilização, alertando para a importância das bibliotecas públicas na sociedade. Esta campanha está a ser apoiada por várias ilustres personalidades da sociedade portuguesa.

Esta campanha “pretende evidenciar junto da sociedade o papel das bibliotecas públicas em Portugal”, tendo “como público-alvo a população em geral, quer seja ou não frequentadora de bibliotecas públicas, sendo baseada em diversos tipos de testemunhos, apresentação de serviços e atividades prestadas pelas bibliotecas públicas. O objetivo desta campanha é que tenha um efeito multiplicador junto da população, de modo a que se torne uma ferramenta chave de promoção, divulgação e apresentação das bibliotecas públicas portuguesas.”

A página de apoio à Campanha Somos Bibliotecas. Públicas. Municipais. De Todos. servirá como repositório de todos os materiais criados/recolhidos - vídeos, fotografias, testemunhos, opiniões, materiais gráficos da campanha - reunindo ainda diversos elementos chave para o cumprimento dos seus objetivos. Assim, está disponível uma aplicação de simulação de cálculo do valor da biblioteca, um mapa nacional interativo das bibliotecas públicas municipais portuguesas, uma petição dirigida à Associação Nacional de Municípios Portugueses e à Assembleia da República como forma de alertar para a situação atual das Bibliotecas Públicas Municipais nacionais e para solicitar a criação de um enquadramento normativo que defina requisitos mínimos para o funcionamento das Bibliotecas Públicas Municipais.”

As bibliotecas públicas são agentes basilares das sociedades democráticas. Asseguram a igualdade de acesso dos cidadãos à informação e garantem a liberdade intelectual. Promotoras de capital cultural, económico e social, espaços de encontro aberto e multicultural, as bibliotecas públicas municipais são autênticas salas de estar das comunidades locais.

Anualmente, mais de seis milhões de portugueses frequentam as cerca de 300 bibliotecas públicas e usufruem dos seus serviços, de forma gratuita, em livre acesso. Idosos, crianças, jovens e adultos folheiam livros, jornais, revistas, acedem gratuitamente à Internet, divertem-se a ver filmes, ou a ouvir música ou contar histórias, jogam e encontram-se e conversam com os amigos, fazem perguntas e obtêm respostas, num serviço personalizado. Participam em atividades educativas, formativas, de lazer, na sua grande maioria de entrada livre. As bibliotecas públicas municipais são espaços de informação e sociabilização, amigáveis e úteis aos cidadãos, necessários à natural inclusão pelo social e pela educação e cultura.

Em Portugal, a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas foi criada em 1986 e, graças a uma política continuada de vários governos, cobre hoje a quase totalidade do país, tendo modificado radicalmente a paisagem da leitura pública e do acesso à informação em menos de 30 anos. Atualmente, mais de uma geração de portugueses nasceu com uma biblioteca perto de casa, usufruindo de programas de promoção de hábitos de leitura e competências de literacia, de acesso à educação informal e a informação diversa, incluindo atividades culturais que trouxeram manifestações artísticas, musicais e literárias a populações em espaço rural e urbano que, em muitos casos, sem as bibliotecas delas estariam arredadas.

Estas bibliotecas são o resultado de um programa estruturado e resultam da colaboração entre o governo central e os municípios, seguindo normas rigorosas para a criação e organização dos espaços, disponibilização de documentos vários, realização de atividades e existência de recursos humanos qualificados que asseguram o cumprimento da sua missão cultural, informativa, educativa, recreativa e social; aí se encontram a informação local e o conhecimento universal, que contribuem para a identidade cultural e a coesão e inclusão social, e através delas são estabelecidos protocolos de cooperação com vários agentes da sociedade civil: escolas e creches, lares de idosos e centros de dia, instituições de solidariedade social e associações culturais e recreativas, prisões e hospitais ou empresas.

Neste alinhamento, convidamos o(a) leitor(a) a assinar a petição online http://peticaopub-lica.com/pview.aspx?pi=somosbibliotecas. Esta petição apela a que o governo central retome a política de investimento continuado na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, para que estes equipamentos possam continuar a assegurar um serviço público elementar de acesso livre e igual à informação, à cultura, à educação e ao lazer, tão especialmente necessário em tempos de crise.
Contamos com o seu apoio!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.