Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Todos fizemos o país que somos

Macron - Micron

Ideias

2012-10-17 às 06h00

Pedro Machado

É frequente ouvir dizer, em todo o lado: no circulo de amigos, nos cafés, nas redes sociais e até nos órgãos de comunicação social, que a culpa da situação económica do país é dos políticos. Aliás, as palavras político e política ganharam uma conotação extremamente negativa.
Na minha opinião, apesar de grande parte dos políticos atualmente no ativo terem feita carreira nas ‘Jotas’, não nos podemos esquecer que, antes de serem políticos, essas pessoas são profissionais noutras áreas, têm família, são ativos noutras associações e eram reconhecidos nessas áreas. Se eram bons, não passaram a ser maus só porque são políticos.

Há quem aponte também como culpada a nossa entrada para a União Europeia, afirmando que Portugal nunca deveria ter entrado para a comunidade europeia.
A culpa não é só das decisões políticas ou das políticas europeias, a responsabilidade é de todos os cidadãos, porque todos fizemos o país que somos.
Os políticos também são muito culpados, mas são, antes de mais, cidadãos. A União Europeia proporcionou-nos oportunidades de desenvolvimento, mas todos sabemos que nem tudo foi aproveitado da melhor forma.

Muitos dos fundos para modernizar o País, na indústria, na agricultura foram aproveitados para a aquisição de viaturas próprias, o mesmo se passou com fundos para modernizar fábricas e tornar a produção mais competitiva no mercado exterior, foram milhões desbaratados. Há alguns anos, por exemplo, Felgueiras foi considerado o concelho europeu com mais Ferraris por metro quadrado, num concelho onde abundaram empresas têxteis e empresas de calçado.

Os empresários fizeram opções, em vez de modernizarem o processo produtivo, diminuindo o custo de produção, optaram por continuar a apostar na mão-de-obra barata. O problema foi quando começou a concorrência asiática e da mão-de-obra ainda mais barata dos países de leste.
E as casas de Turismo Rural que brotaram como cogumelos no final dos anos 90? Vemos placas a indicar Turismo Rural por todo lado, apontando para casas de que ninguém ouviu falar e que não estão divulgadas em nenhum portal turístico. Talvez os donos tenham aproveitado os fundos para remodelar as casas para habitação própria.

Mas estas situações ocorreram não só com a responsabilidade dos intervenientes mas também por falta de fiscalização das instituições responsáveis. Com isto quero mais uma vez afirmar que a culpa é de todos nós e não apenas dos políticos.
Enquanto que continuarmos a ouvir falar neste tipo de situações duvidosas: desde bancários que recebem dinheiro para aprovar empréstimos, empresários que recebem contrapartidas em troca de aquisições de bens ou serviços, gestores de empresas públicas, juízes, padres, médicos, enfim, Nós, o país vai continuar mal.

Portugal tem de fazer uma espécie de Tratado de Tordesilhas, daqui para a frente e mudar, precisamos de pessoas com educação, cidadania, não procurar o “fino”, mas procurar o mérito, transversalmente temos de mudar a forma de sermos.
A solução emergente passa por cortarmos na despesa, o país tem de reduzir a despesa, mas a responsabilidade da recuperação é de todos nós, o futuro do país depende de todos nós.
Ajude, ajudando-se!

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