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TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

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TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

Escreve quem sabe

2019-11-03 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Para a psicologia, a relação causa e efeito é muito importante. Há passados que fazem enveredar por comportamentos desviantes. Porém, há passados que fazem com que as pessoas “façam mal” a si próprios (as), sem o desejar, porque estão doentes psicologicamente. O Toc – Transtorno obsessivo compulsivo é uma doença mental grave e limitante. Uma doença que se pauta pela obsessão e a compulsão. Por forma a clarificar, a obsessão traduz-se em pensamentos negativos persistentes, como se uma voz fizesse seguir instruções, caso contrário há consequências. Pensamentos, estes que a pessoa não consegue controlar e que faz sofrer muito e causam ansiedade generalizada. Por sua vez, a compulsão, é a ação, de fazer algo para que não aconteça nada de grave. Uma espécie de sofrimento por antecipação, isto é, pensa-se em todas e piores hipóteses e cenários do que pode acontecer sem saber se efetivamente irá ocorrer.

As obsessões podem ser: de caracter religioso ou de superstição – ex. a pessoa que antes de dormir, diariamente e mesma hora, tem de rezar 100 vezes o sinal da Cruz (compulsão) porque caso contrário tem um pensamento automático que vai ser castigada (obsessão); acidentes - ex. ir na rua e não pisar as linhas do passeio (compulsão) , pois se não o fizer ao atravessar a rua vai ser atropelado (obsessão); doenças e contaminação - lavar compulsivamente as mãos com agua bem quente a fim de eliminar todas as bactérias (compulsão) ou não utilizar os talheres sem passar os mesmos pelo álcool (compulsão) pois se não o fizer vai ficar gravemente doente (obsessão); simetria – tudo perfeitamente alinhado e simétrico (compulsão), caso contrário fica tudo descontrolado ( obsessão) entre outros aspetos. A compulsão na verdade tem como intuito o alivio da ansiedade temporária, no sentido em que “cumpri, estou safo(a)”.

A pessoa face a estes pensamentos sente-se impotente face a este conjunto de rituais que diariamente tem de fazer, mesmo não desejados pela própria pessoa. Ficar a pensar que não se fechou bem a porta, ou se desligou a torradeira ou até o ferro de engomar, é um pensamento indesejável mas normal, porque é momentâneo e passageiro. É obsessivo e compulsivo quando a pessoa regressa a casa mais do que um dia por semana, para se certificar se está “tudo direito”. O simples fechar da porta também não é o normal de bater e rodar a chave. Este transtorno implica manusear à chave, uma contagem específica de vezes, por exemplo sete. Se forem 6 ou 8 vezes, já não está fechada. O mesmo se pode dizer da “mania das limpezas”.

Não gostar das coisas desarrumadas e ser-se exigente na limpeza não significa que a pessoa é TOC. Só se pode considerar a partir do momento em que a pessoa coloca a sua própria vida e saúde em risco, quando se verifica por exemplo lesões na pele dos detergentes, e a arrumação é milimétrica. Este transtorno afeta todas as faixas etárias nomeadamente crianças. Nas crianças os sinais são mais graves, porque não tem uma estrutura mental e cognitiva tão desenvolvida para perceber o que é normal e patológico. Os sinais mais evidentes de um possível transtorno obsessivo compulsivo numa criança é a compulsão pela lavagem das mãos até fazerem ferida (em alguns casos), não querer vestir determinada roupa ou calçar sapatos porque afirma “ter bicho” (supõe-se um vírus ou bactéria que o vai levar a ficar doente), ou até colocar os materiais escolares de forma simétrica e se verificar que não está como gostaria ou deveria esta, fica ansioso.

Cabe aos pais estarem atentos e perceberem essas alterações de comportamento e procurarem ajuda. Mas há pais e pais…comportamentos, como agredir fisicamente ou psicologicamente como ridicularizar através do gozo “tem bicho”, e chamar “tolo(a)”, ou dizer “não vales nada, malu-co(a)” vão acentuar mais o sofrimento da criança ou jovem e deixam sequelas inimagináveis na vida adulta. Quais as causas que levam a desenvolver Toc? Ainda não estão especificadas. Existe causalidade genética mas o fator meio é também um dos principais responsáveis. Pessoas que foram mal tratadas durante a infância com abusos físicos e psicológicos e até sexuais, desenvolveram traumas que são responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

Se uma criança apresenta esta a patologia, significa que alguma situação muito grave, aconteceu ou que está acontecer que não está bem e que precisa de ser valorizada e acompanhada por técnicos especializados. Uma dose certa de carinho, afeto e compreensão, para além da medicação necessária para a cura deste transtorno fazem milagres. Se padece deste transtorno, partilhe com alguém o seu sofrimento para que essa pessoa o possa o ajudar a procurar ajuda. Pedir ajuda não faz de si “maluco” (expressão popular), aliás muito provavelmente somos todos um pouco… Esta é apenas uma fase menos positiva da sua vida que se o desejar tem cura e solução.

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