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Tirar lições da pandemia

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Tirar lições da pandemia

Ideias

2020-10-22 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

Apandemia Covid-19 veio evidenciar a necessidade de se reforçar a cooperação e a colaboração ao nível da saúde à escala mundial, e particularmente na União Europeia. Hoje, é evidente para todos que, também na saúde, a solução dos nossos problemas não está no tão propalado ‘orgulhosamente sós’ que muitas vezes cingimos à política e à economia, mas antes numa resposta conjunta e integrada. Estamos todos ligados.
Há que tirar lições e não repetir erros. Considero um bom exemplo que se tenha autorizado a comissão europeia a iniciar consultas de mercado para adquirir 300 milhões de doses de vacinas para as disponibilizar de forma acessível ao cidadãos europeus logo que estejam disponíveis. A nível da UE exige-se um programa europeu de saúde, o investimento em setores críticos e estratégicos. Na UE, estivemos praticamente em rutura de stock de medicamentos e não tínhamos ventiladores, por estarmos dependentes da sua importação, apesar de não nos faltar capacidade para os produzirmos. Tal implica uma estratégia europeia que reforce a nossa autonomia.
Mas cada um tem de fazer a sua parte. Orson Welles evidenciou já no século passado a ‘aldeia global’ em que vivemos, mas a diretora-geral da saúde de Portugal assumiu publicamente já este ano a sua incredulidade sobre as capacidades do novo coronavírus vir rapidamente da China para Portugal. São erros e falhas que desnudam impreparação e incompetência, com efeitos bem mais lamentáveis na atual fase de descontrolo da propagação do vírus.
Face a uma segunda vaga tínhamos a obrigação de estarmos melhor preparados. É inacreditável, mas algumas semanas depois do início da pandemia nem sequer sabíamos o número de ventiladores disponíveis nos nossos hospitais.
Para além das incapacidades de resposta para fazer face a um recrudescimento da pandemia em números mais graves do que da primeira vaga de março/abril, o sistema nacional de saúde está a prescindir de serviços básicos e vitais para a população – tanto ao nível do tratamento como de prevenção, diagnóstico e acompanhamento de doenças – cujas consequências acarretam riscos graves para a saúde pública a breve prazo. As taxas de mortalidade podem agravar-se drasticamente devido ao adiamento de diagnóstico em doenças, nomeadamente cancerígenas.
É uma consequência dramática de uma opção de cariz sobretudo ideológico de um governo socialista dominado por uma esquerda que defende a exclusividade do setor público, quando o lema deveria ser o envolvimento de toda a sociedade, de todos os recursos e sinergias de um país unido, em torno de uma causa obviamente comum. É inegável a importância da vacinação da população contra a gripe, mas as farmácias queixam-se da falta de vacinas face à procura, porque o Estado decidiu açambarcá-las nos centros de saúde, com dificuldades acrescidas de serviço.
O insubstituível Sistema Nacional de Saúde, face à atual ameaça à saúde pública, não pode prescindir dos setores privado e social, que aliás representam uma mais valia.
Na luta contra a pandemia Covid-19, a Comissão Europeia deu um bom exemplo sobre a importância da mobilização dos setores público e privado, como aconteceu em maio com a campanha global de angariação de fundos para investigação e que em poucas horas logrou atingir os 7,5 mil milhões de euros que eram apontados como objetivo inicial da iniciativa.
Ao invés, o governo socialista de António Costa prefere apostar numa política de serviço público de permanente dependência do Estado, comprovadamente deficitário. Não se compreende o funcionamento de contingência a que se assiste em serviços básicos e vitais, como é a saúde. São precisamente os mais carenciados a sofrerem, por manifesta incapacidade de acesso a sistemas alternativos.
Na saúde, a proposta de orçamento do Estado assenta em reforços financeiros limitados que vão servir para remediar alguns dos buracos que voltaram a avolumar-se com a governação socialista, ao mesmo tempo que procurará dar sustento a respostas propagandísticas a queixas de diferentes setores profissionais.
De fora fica, novamente, a concretização de uma verdadeira política de modernização e desenvolvimento do setor da saúde em Portugal, a começar desde logo pela articulação e coordenação dos diferentes setores que atuam neste campo, sejam públicos, privados ou sociais.
Como é apanágio socialista, prefere-se a propaganda e a boa comunicação na gestão de expectativas e dos problemas.
António Costa até procurou esta semana desmentir os atributos na comunicação, ao fazer uma espécie de ‘mea culpa’ sobre a obrigatoriedade da aplicação ‘Stay Way Covid’, numa trapalhada tão oportuna como provocada para aliviar tensões sobre a crise económica, social e dos serviços capitais do Estado e, sobretudo, de um orçamento cuja pobreza nem as benesses vindas dos reforçados fundos da UE permitem disfarçar.
Em situação de crise, torna-se ainda mais premente a importância de contar com todos, sobretudo com a sociedade civil, sem exclusão – valor que alguma esquerda gosta de usar no discurso como princípio da sua doutrina, mas que viola de forma sistemática e reiterada, em prejuízo direto das pessoas.

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