Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Tempo para balanço do ano letivo

O mito do roubo de trabalho

Voz às Escolas

2016-06-13 às 06h00

Jorge Saleiro

Estamos na reta final do ano letivo 2015/2016. Depois do final das aulas, ficarão por realizar os exames e provas finais que ditarão muito do futuro dos nossos alunos.
Este foi um ano em que muito se falou de educação. Em Outubro passado, neste mesmo espaço, ficou registada a convicção de que teria havido um escasso debate sobre este tema durante a campanha eleitoral para as eleições legislativas.

O silêncio dessa fase transformou-se rapidamente em sonoras controvérsias ditadas pelas alterações de políticas educativas do governo.
A tensão começou com a questão das alterações à avaliação externa dos alunos e com a decisão de suprimir as provas finais do quarto e do sexto anos e de passar a aplicar provas de aferição nos segundo, quinto e oitavo anos. Foi uma altura de grande polémica e de troca de argumentos entre governo e oposição, de tomadas de posição por sindicatos, Conselho Nacional de Educação, Conselho das Escolas e muitas outras partes interessadas.

Mais recentemente, a celeuma à volta das questões da educação agudizou-se com o anúncio da decisão governamental de cessar alguns contratos de associação com escolas privadas. Há semanas que a questão se dirime publicamente sob as mais diversas formas. Continua a ser uma questão na ordem do dia. É um dos temas de educação que mais tem captado a atenção da comunicação social, muito em resultado da contestação realizada pelas escolas privadas.
Ainda neste fim de semana, este assunto é tratado na primeira página de um jornal diário nacional, o Jornal de Notícias, mantendo acesa a disputa entre os decisores políticos e os privados.

Também em outros dois jornais diários nacionais, o Público e o Diário de Notícias, se dá destaque de primeira página a assuntos relativos à educação. O primeiro aborda a avaliação e o segundo as férias escolares dos alunos.
Constata-se assim que a educação está a suscitar o interesse da opinião pública e a fomentar o debate coletivo sobre várias matérias que lhe dizem respeito.

É importante que assim seja. A educação é uma área demasiado importante para que o país se alheie dela. É essencial que se confrontem ideias e se faça uma discussão esclarecida, informada e racional sobre o que queremos para a educação e para o nosso futuro enquanto país. Mais essencial ainda seria que as principais forças políticas pudessem encontrar um rumo comum, negociado, firme, que concedesse, às escolas e ao sistema, a estabilidade e a segurança de que necessitam.

Este é um apelo de todos os que vivem as questões educativas, alunos, pais e profissionais. Este é um dos principais anseios ouvidos daqueles que têm responsabilidades na área.
Nos últimos anos, as escolas têm vivido tempos de permanentes mudanças. Na esmagadora maioria dos casos, as mudanças sucedem-se sem grandes explicações e sem que sejam devidamente avaliadas.

Estamos convictos de que esta realidade, que descentra atenções e cria incertezas, é muito prejudicial para o trabalho pedagógico que deve ser a essência da vida das escolas.
É preciso apresentar às escolas horizontes de trabalho mais amplos. É necessário conceder tempo às escolas para aplicar as medidas de política educativa desenhadas superiormente e avaliar a sua aplicação.
Em tempo de balanço do ano que ora se finda, fica este desejo para os anos letivos do futuro próximo.

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