Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Sustentabilidade ambiental

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2012-11-28 às 06h00

Pedro Machado

O rápido desenvolvimento da sociedade, nas últimas décadas, tornou emergente a necessidade de que o desenvolvimento seja sustentável. É necessário garantir que os recursos não se esgotem, que estejam disponíveis para as futuras gerações.
O objetivo primordial do desenvolvimento sustentável é satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades.

Para atingir a sustentabilidade temos que ter em atenção os seus três pilares: económico, social e ambiental. Não é possível garantir a sustentabilidade, a longo prazo, sem que haja um equilíbrio entre os pilares. Os três pilares devem interagir como um todo para se atingir a sustentabilidade e, estes conceitos, deveriam aplicar-se quer a um país, a uma empresa, quer a nível da comunidade ou em cada casa a nível individual. Se todos fizermos um pouco, o pouco de todos, será muito.

Direcionando-nos mais para a vertente ambiental, facilmente concluímos que o desenvolvimento sustentável não é possível sem que esteja garantida a sustentabilidade ambiental, pois é ao Ambiente que se vão buscar os recursos naturais necessários para a produção de determinados bens, para a obtenção de energia, entre outros recursos.
Apesar de o objetivo ser encontrar um equilíbrio, defendo que alguns projetos têm de pôr o interesse público, a sustentabilidade ambiental, à frente da sustentabilidade económica, só assim, se poderá atingir o desenvolvimento sustentável.

No caso concreto da Braval, alguns projetos têm de pôr a sustentabilidade ambiental à frente da sustentabilidade económica devido ao interesse público/ambiental dos mesmos projetos. É o caso da recolha seletiva para reciclagem, da colocação de ecopontos em zonas muito rurais e pouco populosas, é o caso da recolha porta-a-porta de óleos alimentares usados.

No entanto, poderia ser alcançado um maior equilíbrio se houvesse mais adesão e colaboração por parte da população. Alguns argumentos que se ouvem com frequência para não fazerem separação dos resíduos são: dá trabalho, quem quiser que faça, já pagamos a recolha do lixo, entre outros. Porque a participação de todos é fundamental, porque é que as pessoas não pensam que lucramos todos? Lucramos nós, os nossos filhos, os nossos netos e todas as gerações futuras? A sociedade mudou, a questão dos resíduos é uma questão emergente, de há algumas décadas, e portanto, temos que pensar que temos de alterar comportamentos e mentalidades, se quisermos garantir a sustentabilidade do planeta.

Para conseguir atingir a sustentabilidade temos, então, de educar primeiro as pessoas. Daí a importância da educação/sensibilização ambiental. Esta deve ser iniciada na mais tenra infância, isso permitirá que, no futuro, essas crianças se tornem adultos conscientes e competentes em garantir a sustentabilidade: nas suas casas, nas suas empresas, nas suas cidades. Se toda a gente levar uma vida sustentável, a mentalidade sustentável estará instalada. Isto também é cidadania!
A educação ambiental é, sem sobra de dúvida, a característica mais essencial e mais positiva que, evidentemente, mais garantirá a continuidade de uma boa condição de vida para as gerações futuras.

Quando o ser humano entender que cada ação sua tem reflexo no meio ambiente, quando todas as sociedades se voltarem para a importância de se levar uma vida mais sustentável, o mundo deixará de correr o risco que hoje corre, de aniquilação, pelo esgotamento da sua capacidade de manter o ritmo atual de consumo.
A sustentabilidade económica não pode sobrepor-se à sustentabilidade ambiental, pois sem recursos naturais nada sobreviverá.
Ajude-se, ajudando-se!

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