Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Surrealismo, por Rosa Magalhães

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Conta o Leitor

2010-08-21 às 06h00

Escritor

Cruel é o mundo feito pelo homem, cruel é o homem!

Construí Enéadas nos livros do mestre e os anos multiplicaram-se por expedições de selectos influenciados pelo pensamento...
... o homem curou-se dum lado e amargurou-se do outro. A moral do mundo são leis criadas pelo humano que faz de si mesmo, desumano para as cumprir.
Pensar que poderão ser o destino da alma, seria mais fácil a dita inteligência ser um só uno, mas isto que deixo aqui não pode ser um jogo de cartas para descartar tais pensamentos...
... logo hoje que trouxe-te um bocado dos elementos simbólicos do riso que carrego e me completam.
O Supremo?
Vejo-O como virtude!
E tudo que é tudo são coisas que nunca apartaram do não deixar de ser simples coisas.
Sou invisível aos teus olhos, por isso não me vês...
... e o conceito que treme tuas pernas é mente repleta de léxicos conscientes dos seres habitados ao nosso lado, enquanto continuamos, vivos. Vejo animais crentes neles mesmos e as conotações tornam-se invasivas a querer transmitir pessoas num acordo ortográfico sem significado maior de palavras gregas de se entender. Se posso escrevê-las tortas e desordeiras posso destorcer realidades, mas dou de caras com outras tamanhas que podes nem entender qual código é o da mente. Ser apenas inspiração dum escritor louco a viver noutros mundos à parte do meu que é sadio e cruel, era bom que Plotino voltasse a decifrar seus mandamentos filosóficos e desenvolve-los a ponto de dizermos todos gritando:
- houve evolução!
Mas não. Homem bicho, é bicho que foge do bicho homem.



O amor entre fadas e homens, está condenada ao insucesso!


Dançava num circulo de folhas e surgiu-me um Elfo. A noite trazia lua cheia. E como rezam as lendas, para que não fugisse bastou-me soletrar um desejo para ser atendida. Enquanto as restantes Fadas, bailavam soltas e graciosas, apareci junto à lagoa onde o homem lavava um cavalo, tal e qual como Fada que aparece ao herói perdido que não resiste a esquecer outras paixões terrenas e se entrega à paixão de corpo e alma. Apaixonado pelo fascínio mantém um ar inexplicável, oferece diamantes num pedido de casamento, e sem saber que ambos pertencem a mundos diferentes onde os encontros apenas se realizam entre as fronteiras, o homem coloca toda a fidelidade à prova, numa paixão sem sucesso! A Fada tem regras simples e o homem, entende isso como caprichos, acaba por não dar a devida atenção e quebra seu juramento, perde para sempre o amor da Fada, deixa de fazer parte do reino, abre a porta dos encantos e volta a ser um pequeno mortal a vaguear no mundo como alma penada até morrer de nostalgia e tristeza. A Fada desaparece e o homem fica entregue à sua sorte. Além das Fadas que buscam o amor dos homens, também há os Elfos que buscam o amor das mulheres de carne e osso! Vê-se nitidamente no jovem de olhos negros, que seduz as mulheres solitárias no cair da noite, com suas palavras. Pobres são as mulheres que se deixam abraçar por eles, pois acabam por morrer, depois que eles saciam suas carícias. Também existe, aquele que se vinga cruamente de uma mortal que lhe tinha jurado amor. O Elfo desaparece por sete anos, cansada da espera encontra outro amor, depois ele volta e faz de tudo para a seduzir de novo e foge com ela no vento mágico, mas aí vem a tempestade e o amor afunda-se e morrem! Os Elfos nem sempre são jovens, aparecem com alguma deformação física, uns com barriga, outros de pés tortos e outros estrábicos.
É que, no amor entre Fadas e homens ou Elfos e mulheres, está sempre presente a tragédia pelo insucesso ao amor entre dois mundos diferentes! Estes são os espíritos da natureza e quando o amor fica eterno é quando ambos pertencem ao mesmo universo.
Todos seres incrivelmente brincalhões e sensíveis e apaixonados e em busca do amor. Eles despertam paixões arrebatadoras e a atracção torna-se irresistivelmente mútua, mas sempre podemos escapar desse amor louco!



Acordei, com o Cupido morto ao meu lado!


Aterrei na ilha dos amores, uma ilha agoirada por assaltos de anjos clandestinos e armadilhas ousadas de bípedos sonhadores transformados em cúpidos. Na escalada da noite, chegou por engano um anfíbio de asas presas nos músculos, outrora roubadas aos anjos. A Ilha carregava amores silvestres, os anjos sobrevoavam soltos a prender todos os sorrisos que levaram para longe... meu amor lacrimejava de embriaguez enquanto dormia, a lua erguida-se lá no alto a iluminar a noite dos fascínios loucos, atributos físicos aterrados num engano. A ilha fascinante, de amores proibidos enganados pelos cúpidos, era um teatro mal afamado de fobias voadoras, a subir até às sombras por entre feras e melancolias sôfregas de contentes, enquanto os anjos largavam estrelas cadentes e setas á toa... ouviam-se barulhos estranhos a cair com o vento que trazia de volta, imagens nuas de cúpidos sem asas, todos fugiam das setas como diabos soltos, algumas já cravadas nas costas deles mesmos. Sofri a tua ausência. Na falta de asas, fiquei distante da lua e no peito guardei uma rocha de abrigo. Das setas que os cúpidos lançavam, soltavam-se penas e malícias a espirrar letras nas poesias minhas. As setas perdidas seguiam direcções erradas. Os anjos corriam atordoados a segurar as que sofriam pequenos desvios, surgiu o caos e as setas velozes de magias, arrastavam os anjos para longe. Na ilha vagueavam outros abstroncios sem flores, sem perfumes e sem beijos a cantarolar os amores ausentes, como minhas pétalas caídas nas aguardentes. Sonhadas delícias, sem asas suspensas sobre poemas meus. Os poetas ousados encostados á falésia, repousavam melancolias na espera do amor invasivo que tardara. Vi-me no meio da solidão. A ilha dos amores já ressonava com a própria ausência. Nas laranjeiras em flor, empoleiravam-se macacos amarrados, de unhas e dentes aos sentidos das cumplicidades. Das morfologias retirei meu alento, inventei outras asas sem mim, os cúpidos morreram de contentes. Ficaram palavras amargas e as mais fervorosas, fermentaram a minha mente, vi letras como estrelas cadentes sustentadas no vazio trazido pela lua, vi carruagens de andorinhas aguçadas por outros sentimentos, mais ternos mas devoradores de todas as letras. Esqueci o sono no cinzento da noite, os cúpidos esqueceram de mim e as setas que voltaram ao ponto de encontro, de onde partiram, foram puros enganos, o amor foi atirado ao devaneio desvio, deixou de permanecer no infinito do desejo! Hoje, sem cúpidos e sem anjos, sem asas e sem amor caminhamos na ânsia, morreram todos os cúpidos e o amor é exagero! Acordei, com o cúpido morto ao meu lado!

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