Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Sucesso invisível

A pretexto de coisa alguma

Voz às Escolas

2018-06-07 às 06h00

Luisa Rodrigues

Aquestão dos resultados escolares tem feito correr muita tinta, sobretudo quando diretamente relacionada com os ditos rankings, que, independentemente de se tratar de escolas públicas ou de escolas privadas, o que faz toda a diferença, rotulam as escolas e confundem alguns encarregados de educação, menos informados.
Estamos na era da mudança, mudança essa em que a vertente humanista da educação surge com a devida valorização, validando as opções estratégicas de algumas escolas, escolas essas que defendem a formação como um todo, em que a componente científica e a componente da educação para os valores, ou para a cidadania, se assumem como ingredientes indispensáveis e indissociáveis na preparação dos jovens que, num futuro próximo, estarão aptos a intervir, socialmente, e em quem depositamos toda a esperança para a construção de um mundo melhor.

Assim sendo, questiono-me, muitas vezes, sobre a catalogação das escolas e a valorização dos resultados decorrentes da realização de Provas que, na atual conjuntura, deixam de fazer algum sentido, já que reduzem todo o investimento feito pelas escolas, em prol da formação dos alunos, aos resultados de um momento.
Os verdadeiros resultados, que ainda não vi serem devidamente valorizados pelas estruturas do Ministério da Educação, vão acontecendo, ao longo de cada ano, nas inúmeras competições em que os alunos participam, quer nacionais quer internacionais, incentivando-os na promoção de uma maior qualificação do sucesso que perseguem e enchendo de orgulho as comunidades escolares.

Será que os resultados alcançados, por exemplo, nos campeonatos Supertmatik, serão tidos em conta para premiar o esforço e o profissionalismo dos professores e o desempenho dos alunos portugueses?
Sinceramente, não me apercebi da tinta que correu para noticiar o seu contributo para elevar o estado da educação num país que, pese embora ter dado os primeiros passos no sentido da mudança, há muito aguardada, ainda continua prisioneiro de uma escola que está longe de responder às exigências de uma sociedade que não se compadece com conservantismos.

Aproveitando a oportunidade, decidi publicitar os mais recentes resultados da organização que lidero o Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, da Póvoa de Lanhoso, num gesto que pretende reconhecer o excelente trabalho dos professores, o elevado nível de conhecimento dos alunos e o impacto da valorização da componente humanista da sua formação, enfatizando:
- O concurso que contou com mais de 900 ideias de todo o país, em que a Escola E.B.2,3 Professor Gonçalo Sampaio, com o Projeto de Gestão de Conflitos em Contexto Escolar e a Escola Básica da Póvoa de Lanhoso, com o Projeto das Hortas Biológicas, foram distinguidas com o Selo Escola Amiga da Criança, na edição de 2018.
- O Concurso Internacional de 2018 do Supertmatik de Cálculo Mental, em que participaram 518 210 alunos de 48 nacionalidades, e em que quatro alunos povoenses, do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, atingiram o Top 10: no terceiro escalão, Jesus da Silva Tinoco alcançou um honroso 10.º lugar, entre 25 480 alunos.
No quinto escalão, Gonçalo da Silva Ribeiro obteve o 7.º lugar, entre 44 870 alunos e, no nono escalão, os dois alunos apurados integraram o Quadro de Honra: a aluna Bárbara Silva, em 6.º lugar, foi a melhor portuguesa deste escalão e o aluno Miguel Campos Almeida obteve o 8.º lugar, em 27 860 participantes.
- O Concurso internacional de 2018 do Supertmatick de Francês, em que a Escola E.B. 2,3 Professor Gonçalo Sampaio conquistou dois primeiros lugares, no sétimo e oitavo escalões.
- O desempenho dos alunos dos 8º e 9º anos na dinamização das sessões de sensibilização que têm sido levadas a cabo, junto da população do concelho da Póvoa de Lanhoso, no âmbito do Projeto de Prevenção de Incêndios e de Proteção da Floresta, sessões essas que têm sido a demonstração do sentido de responsabilidade, da capacidade de exposição e de argumentação e do sentido de pertença na defesa de um bem que é responsabilidade de todos o ambiente, numa verdadeira lição de cidadania, por todos reconhecida.

Precisaria do direito de exclusividade para poder continuar a demonstrar que, no Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, como em tantas escolas deste país, as Provas a que os alunos são sujeitos e a decorrente catalogação são um teatro que depende da boa disposição dos atores, quando em palco.
Porque, o verdadeiro sucesso é invisível

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