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Braga, sexta-feira

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SOS Portugal!

Reflexões abertas à sociedade portuguesa

SOS Portugal!

Ideias Políticas

2020-03-31 às 06h00

Francisco Mota Francisco Mota

Acredito convictamente que muitas vezes não somos nós que escolhemos as circunstâncias, mas antes as circunstâncias que nos escolhem a nós. O momento de emergência colectiva que vivemos é precisamente prova disso e merece de todos uma reflexão profunda. Até há pouco tempo discutiam os valores da sociedade, em detrimento da sociedade de valores; apontavam a morte como solução para a vida; perseguiam as IPSSs em favor de uma birra ideológica em que o estado deve deter a economia social; apontavam os animais e o mundo rural como os grandes poluidores mundiais; determinavam o animalismo simplório e descartavam os nossos avós; discutiam o acessório para esconder a inoperância; destruíam o europeísmo para fazer vingar o federalismo; desvalorizavam as forças de segurança para defender os incumpridores; desinvestiam nas forças armadas amedrontados pelos fantasmas em que apenas eles acreditam; desrespeitaram a qualidade do ensino em prol do facilitismo; cavaram o fosso entre funcionários públicos e privados e patrocinaram a divisão entre trabalhadores e empregadores. Esta foi a história recente de um País que vivia iludido, e onde uma pandemia mundial retirou a magia de um Portugal encantado, que no fundo nunca existiu.
Este cenário é no mínimo irónico, porque agora percebemos que os valores de uma sociedade judaico – cristã se revelam imprescindíveis na construção do indivíduo, que a solidariedade e o espírito de dedicação aos mais débeis não se adquire em nenhuma transação comercial ou se negoceia em bolsa. Mas a sorte é que há quem nunca desista desta missão humanista, nem do sentimento patriótico de ser Português.
Espero que tenhamos aprendido que a dinâmica controladora de um estado segregador das iniciativas públicas apenas permite que, enquanto nação, falhemos. Este é o momento certo para reflectirmos sobre que modelo social que queremos para as novas gerações, e que País estamos a construir rumo ao futuro. Se por um lado estas circunstâncias são extraordinárias, também não é menos verdade que as desvalorizamos e que faltou liderança na Europa para imprimir a coragem necessária no ataque a um inimigo silencioso.
Aproveitemos este novo tempo para avaliar a importância colectiva das decisões que tomamos, ou, para aqueles que simplesmente deixam nas mãos dos outros para o fazer, com o argumento de que isso não é nada com eles, qual será a sua atitude daqui em diante.
Não basta bater palmas aos nossos heróis é necessário questionar o porquê do País estar a falhar com eles, quando eles não estão a falhar connosco. Médicos, enfermeiros e auxiliares de um sistema que nos sufoca todos os meses com impostos, mas não consegue dar o mínimo de condições a estes homens e mulheres que combatem cara a cara com um inimigo invisível. Aqueles que estão na primeira linha, forças de segurança e militares, há anos sem condições e descartados como acessórios, são mais uma vez a força do cumprimento em prol da nossa pátria. Aos Bombeiros Profissionais, Bombeiros Voluntários e à protecção civil, que com um passado recente nada aprendemos, continuamos a pedir o impossível, quando a solução passa por priorizar, equipar, contratar e modernizar as instituições, reforçando o número de efectivos e meios. Como diria um general chinês “Se conheces o inimigo e conheces-te, não precisas temer o resultado de qualquer batalha. Se te conheces mas não conheces o inimigo, prepara-te, para cada vitória ganha, sofrerás também uma derrota. Se não conheces nem o inimigo nem a ti mesmo, perderás todas as batalhas”, está na hora de nos conhecermos nas fragilidades para vingarmos no futuro. Estes Homens e estas Mulheres, que deixaram as suas casas e as suas famílias, são o rosto e os heróis de um País de memória curta, mas nós temos o encargo moral de não permitir que entrem no esquecimento colectivo. Por agora #fiquememcasa mas refletiam Por Ti, Por Nós, Por Portugal!

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