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Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2012-11-30 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

As sondagens permitem prever o comportamento eleitoral, isto é, possibilitam responder à questão: se as eleições fossem hoje, quais seriam os resultados eleitorais? Mas as sondagens permitem também, avaliar a legitimidade política do governo. Se os resultados das sondagens forem muito inferiores aos das últimas eleições significa que o eleitorado está descontente.
Ora, os resultados das sondagens publicados no Expresso de 17 de Novembro último, apontam para uma queda acentuada do PSD (26.9%), enquanto o outro parceiro da coligação, CDS-PP, se mantém (10.1%); por sua vez o PS sobe para 35%, subindo igualmente os outros partidos de esquerda: CDU (10,9%) e BE (9,5%).

Quanto ao CDS-PP, apesar de estar no Governo e este ter uma avaliação negativa de - 20,5%, consegue manter-se, o que significa que tem sido capaz de convencer o eleitorado que discorda das políticas seguidas e que a sua continuação no governo se faz em defesa dos cidadãos e do interesse nacional.

Em segundo lugar, o PS não tem conseguido agregar o descontentamento generalizado porque não tem sido capaz de apresentar políticas alternativas ao programa do Governo, limitando-se a reagir, muitas vezes de forma táctica e com vista às eleições que podem ocorrer brevemente. E o eleitorado tem percebido. De outro modo, as intenções de voto tinham que estar, nesta altura, próximas da maioria absoluta. Como explicar que liderando o PSD as políticas de austeridade, consiga manter-se nos 26,9%? Em outros países, teria desaparecido do mapa eleitoral. Será que os eleitores portugueses são irracionais?

Existem três tradições no estudo do comportamento eleitoral: a escola de Columbia que enfatiza os processos de influência social; a escola de Michigan que acentua a identificação partidária como factor determinante da escolha eleitoral; finalmente, o modelo da escolha racional, que assume um eleitorado homogéneo, não determinado por hábitos ou classes e que vota com o seu bolso.

Assume também que as políticas públicas, e em especial as políticas económicas e sociais, são da responsabilidade do governo. E, portanto, penalizam o partido do poder quando as suas políticas não são satisfatórias. Assume também que os partidos não são ideologicamente demarcados, pelo que a deslocação ao centro do espectro partidário pode ser feita com facilidade, já que não significa a adesão a um ideário político estruturado.

Ora, em Portugal, os partidos do poder têm ainda uma demarcação ideológica não negligenciável, estando ainda associados a determinados grupos e classes sociais. Além disso, existe um grau importante de identificação partidária. Os partidos são vistos, muitas vezes, pelos eleitores como clubes de futebol. E, embora os resultados possam não ser os melhores, torna-se doloroso mudar de partido como é doloroso mudar de clube.

Assiste-se, porém, a uma crescente desideologização dos partidos do centro do poder. Além disso, as políticas de austeridade tendem a esbater a identificação partidária e a tornar mais racio-nal as escolhas do eleitorado.
Estou convencido que o PSD tenderá a perder a sua importância na cena política portuguesa, a não ser que apareça um líder que substitua a actual direcção. E o PSD tem uma história cheia destes golpes de rins. Mas, entretanto, o país está a mudar e não acredita mais em branqueamentos. Está a perder a juventude e a esperança no futuro.

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