Correio do Minho

Braga, terça-feira

Somos todos “bipolares”

Obrigado, Pedro Passos Coelho

Escreve quem sabe

2017-10-22 às 06h00

Joana Silva

Hoje em dia, temos cada vez mais dificuldades em expressar as nossas emoções, o que sentimos. Dizer “estou triste” é interpretado, por aquele que sente, como um sinal de fraqueza. Não porque os outros o vejam como tal, mas a sua perceção, o diz.
Todos nós em algum momento da nossa vida, já escondemos algum estado emocional 'menos positivo' (ex: a decepção, o receio, a fúria etc.) por vergonha, por medo, por de decepcionar. Ficamos tristes, quando nos magoam emocionalmente seja um(a) familiar, um(a) companheiro(a), um(a) filho(a) um(a) colega de trabalho ou um(a) chefe, ou um(a) amigo(a).
À tristeza está associada a desilusão, incompreensão e até a solidão. Quanto mais significativa for a pessoa (por outras palavras, quanto mais gostámos) maior a é intensidade a tristeza. Muitas pessoas não o mostram, isto é, 'escondem bem', outros porém, por mais que o desejem não conseguem.. a voz triste, os olhos e até a postura denunciam. A vida tem altos e baixos, e há dias em que  nos sentimos 'mais em baixo' mas levantamos a cabeça, em outros, por mais que o queiramos não conseguimos. E há quem seja mais atento a estas mudanças emocionais (Ex. Se vai menos conversador (a) para o emprego e prefere estar sozinho(a) a almoçar) e como não as compreende, e em outros casos entendem mas mostram que não porque a maledicência “é mais forte” tendem apelidar com base na observação destes comportamentos de bipolar.
Na verdade, quem o diz não sabe realmente o que diz.
O transtorno bipolar é uma patologia mental com características muito específicas, episódios intercalados de humor de euforia (ex: a pessoa sente um bem-estar tão grande e está tão feliz que vai a loja e gasta o saldo de cartão todo e continua a sentir-se ótima), e depressão (ex: Só quer estar fechado(a) no quarto e não fazer nada. Não tem prazer em fazer nada). Ora esta patologia mental é distinta de situações negativas que ocorrem no nosso dia-a-dia. Lidámos diariamente, com um sem fim de problemas. Um chefe que prejudica, sem razão, e que dá mais valor ao colaborador que não trabalha do que o que trabalha; as discussões e conflitos em casa; os problemas interpessoais dos filhos na escola referenciados pelo professor; os colegas de trabalho competitivos sem ética; o(a) amigo(a) que “deixou” de ser amigo(a).
Todos estes problemas desgastam essencialmente a parte psicológica, porque a sabedoria popular, assim o diz, “Não podemos andar bem”. Por conseguinte, o mau humor e a irritabilidade é uma consequência da má gestão das emoções.
No entanto, o humor deprimido, concretamente, a tristeza não faz de nós bipolares. Se assim for, somos todos bipolares. É frequente acontecer que , aqueles que normalmente “rotulam” de bipolar determinada pessoa, são aqueles que contribuem ou tiveram ação direta no estado emocional da pessoa em questão, mas fazem-no porque por vezes a “consciência pesa” e como tal, é mais fácil atribuir a responsabilidade ao outro do que ao próprio. Como se sente, quando diz abertamente o que pensa, mesmo que tenha de fazer um comentário mais severo a alguém que foi injusto consigo? Deixe-me dizer-lhe… melhor, aliviado (a). Faz bem externalizar as emoções de uma forma assertiva, porque com gritos e através de discussões não chega a lado nenhum. Diga abertamente, “Eu não gostei…”, “Prejudicou-me…” ! Não tem a perder nada, muito pelo contrario, o seu corpo e a sua mente agradecem. Não precisa de ter a atenção de pessoas toxicas, sobretudo, quando contribuem para o seu mau estar. Se acha que não consegue o fazer, liberte-se de outra maneira, com o silêncio. O silêncio também castiga.
Olhe por si e pense também em si!

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