Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Somos grandes trabalhadores

Macron - Micron

Ideias

2010-05-01 às 06h00

Paulo Monteiro

Hoje é o Dia do Traba-lhador. Em 1889, o Congresso Operário Internacional, reunido em Paris, decretou o 1.º de Maio como o Dia Internacional dos Traba-lhadores, um dia de luto e de luta.
Portugal é um país de grandes trabalhadores, de grandes cérebros, de grandes cientistas e de grande classe. Muita dela encontra-se no Norte, muitas vezes esquecido e humilhado.

Tenho que confessar que Cavaco Silva teve um discurso brilhante no passado dia 25 de Abril, exortando os portugueses a acreditar em si próprios e a aproveitar as oportunidades que surgem diariamente pela frente, como o mar e as indústrias criativas. E mais: falou do Norte. Esse Norte muitas vezes abandonado mesmo por aqueles que são nortenhos de gema e, depois, no Sul (lei-se Lisboa) ignoram pura e simplesmente as suas origens. Mas ser do Norte é ser criativo. É ter imaginação. É ser trabalhador nato.

Por isso, gostei que um homem do Sul, do Algarve, falasse do Norte e elogiasse a capacidade empreendedora “das gentes do Norte” onde existe “muito do melhor que Portugal fez na últimas décadas”. Não há dúvida que o Norte precisava desse elogio. E focou o Norte, tendo atenção o Porto, uma das cidades sempre deixadas para segundas núpcias e sempre em detrimento de Lisboa. Mas não há dúvida de que no Norte exis-te o que de melhor há neste país. As indústrias criativas são das melhores do Mundo. E nós somos dos melhores do Mundo. Por que razão nos andamos sempre a lamentar?

Circula, nesta altura, pelos e-mails, um texto escrito por Nicolau Santos, director-adjunto do ‘Expresso’, que mostra a nossa realidade e aquilo que, de facto é Portugal:
“Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.
Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.
Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.
Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.
Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.
Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.
Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de sto-cks, dirigidos às PMES.
Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.
Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.
Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.
Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.
Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.
Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.

O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive… Portugal.
Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespa-ce Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.”
Somos bons ou não somos?
Por que razão andamos sempre em crise?

Por que razão andam as empresas de ‘rating’, do outro lado do Atlântico a dizer sempre mal de nós, se é daqui que saem muitos dos materiais que aquele país da América consome… O que se passa verdadeiramente connosco? Uma má gestão? Maus governos? Más gestões de sucessivos governos? Talvez… talvez maus gestores governamentais e mais grave ainda por-que são eles que gerem os nossos dinheiros… os dinheiros dos nossos impostos…

Mas somos verdadeiramente bons, até para os americanos... somos líderes europeus nos têxteis-lar e o terceiro maior exportador do Mundo. Para isso basta dizer que 26 milhões de americanos dormem em lençóis portugueses. E as marcas lusas destacam-se pela inovação: tecidos inteligentes, anti-fogo, anti-bacterianos ou com proprieda-des terapêuticas e hidratantes.

Noventa milhões de pessoas em todo o Mundo preferem sapatos portugueses. Fomos nós que calçamos o universo da ‘Guerra das Estrelas’, que inventamos os sapatos à prova de balas. Temos a maior central fotovoltaica da Europa e a energia eólica está no topo dos nossos investimentos.
Exemplos não faltam...

Agora, juntemos todos os puzzles e façamos contas; de todos os exemplos dados e de todas as empresas mencionadas qual a direcção que tomamos? O Norte pois claro… Por isso, merecemos os elogios de Cavaco quando fala das gentes do Norte e de uma grande região europeia vocacionada para a economia criativa, sinónimo de talento, de excelência e de inovação.

Por isso, também, um apelo: deixem trabalhar o Norte. Dei-xem o Norte mostrar as suas virtudes e desenvolver os seus projectos. Chegou a altura do Sul deixar de olhar para o seu umbigo. Unam-se esforços. Juntem-se todas as sinergias. Capacidades não nos faltam. E o futuro será nosso. Temos tanto talento para não precisarmos da crise para nada...

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