Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Sobre os Encontros da Imagem

A Escola em tempo de “guerra”

Escreve quem sabe

2015-10-04 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Os Encontros da Imagem são uma marca distintiva de Braga. A utopia que no seio da AFCA - Associação de Fotografia e Cinema Amador, na rua D. Diogo de Sousa, em 1987, construída por um grupo de jovens, Carlos Fontes, Henrique Botelho, Luís Fontes, Rui Prata, o seu impulsionador e Diretor, e muitos outros, que participaram na sua transformação, num grande acontecimento internacional da fotografia criativa. A sua história faz-se com todos! Fundada no sonho de um punhado de voluntários e, numa aliança com algumas instituições públicas e privadas, onde pontuaram o Município, o Instituto Português da Juventude, a Secretaria de Estado da Cultura, e alguns mecenas, que tomaram em mãos esta aventura, que se transformou num épico exercício de resistência, que sustentou as suas vinte e cinco edições, que constituem um quarto de século de ouro, para a fotografia mundial.
Um caso raro de persistência e de consolidação de um projecto, longe dos mediatismos e dos ambientes monumentais, caracterizam a produção de eventos artísticos do nosso tempo que, agora pela mão, sensibilidade e competência da Ângela Ferreira, atual Diretora, se reafirma todos os anos a sua qualidade, de um dos mais antigos e prestigiados festivais de fotografia da Europa.
Uma ideia que foi ganhando forma, desde a sua primeira edição, muito centrada nos artistas jovens, foi redefinindo progressivamente para se adaptar aos desenvolvimentos estéticos e formais da fotografia, sustentando o seu objecto central, numa vasta participação de artistas portugueses e estrangeiros, nas mais várias vertentes da fotografia - histórica, documental e conceptual, que ao longo das sucessivas edições, foram consolidando o seu prestígio internacional.
Coordenadas pelo Museu da Imagem, as exposições espalham-se por outros espaços da cidade, edifícios históricos, museus e galerias, tendo a abertura do evento acontecido no Mosteiro de Tibães, congregando 15 exposições de autores oriundos de 25 países que se vai prolongar até ao início de Novembro. Uma dinâmica cultural que invadidiu a cidade, trazendo artistas de todo mundo para exporem os seus trabalhos, promovendo a atracão de turistas interessados, nesta área cultural, numa grande “procissão”, que prevê a participação de cinquenta mil pessoas.
Num contexto político muito especial, com as eleições legislativas em pano de fundo, e a Europa a enfrentar uma crise humanitária, sem precedentes, com milhares de refugiados a chegar todos os dias, esta edição os Encontros da Imagem de Braga, abordaram com grande sentido de oportunidade, a temática do poder e a força da ilusão na sua construção. Celebrando um quarto de século do festival, esta 25ª edição lançou um desafio a um grupo de fotógrafos internacionais, a trazer a Braga os pontos de vista mais diversos sobre o tema deste ano: “Poder e Ilusão”. Promover a reflexão sobre a política, a estética, a violência e a ficção, procurando respostas sobre o que é o poder, o que é a ilusão e qual destas forças tem mais peso, num ambiente social em constante mudança. Braga está afirmar-se como um ecossistema empreendedor, centrado na valorização da sua, predominante, população jovem, onde os estabelecimentos de ensino superior têm atraído e fixado muitos jovens talentos criativos ao nível empresarial, científico, desportivo e artístico. Este é um evento cultural que está indelevelmente associada à imagem da “Cidade da Juventude”, que tem assumido, em cada ano, o prestígio renovado, de uma edição especial na celebração da imagem, como modo privilegiado de arte. A este propósito, John Gardner defende que a capacidade inovadora das sociedades depende da capacidade de atração de homens e mulheres criativas. Um modelo de desenvolvimento, que tem permitido a construção de comunidades mais sustentáveis, capazes de suprir as suas necessidades imediatas, descobrir ou despertar os talentos locais, desenvolver a sua projeção nacional e internacional, potenciando as suas potencialidades locais.
O investimento na cultura tem sido, ao longo da história um desígnio político renovado. Compromisso que uns souberam assumir melhor que outros, estando a sua visibilidade na capacidade que a sociedade, os países, as regiões ou os municípios têm, a cada momento, de responder aos desafios do desenvolvimento sustentado, que o atual executivo municipal tem assumido.
A cultura é, seguramente, um factor de diferenciação desta visão de desenvolvimento, que deve andar aliado à qualidade, à exigência, à capacidade de preservar o património material e imaterial, à valorização da tradição e das raízes culturais, à criatividade, e à inovação. Deixou de fazer sentido a oposição entre políticas públicas centradas no património histórico, na cultura popular e tradicional, por contraponto à criação artística.
A sua complementaridade é óbvia e necessária. A arte assume uma dimensão central da vida política, social, cultural e económica das sociedades contemporâneas, não sendo, o desenvolvimento humano compreensível, nem realizável, sem o reconhecimento do papel da criação artística, na sua ligação estreita com a educação e a formação, e com a investigação e a ciência.
Braga vai ser em 2016 a “Capital Ibero-americana da Juventude” uma distinção que pretende 'reconhecer' as políticas da Juventude implementadas pelo município e, servirá para reafirmar a projeção da imagem da cidade. O trabalho de cooperação associativa, polarizado ultimamente no GNRation, será a energia desenvolvida pela Fundação Bracara Augusta, pelo Município e pelo IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude. Uma dinâmica que poderá marcar a definição do tema da próxima edição, e um espaço dedicado à criação, produção e consumo de atividades artísticas e criativas, com vista à atração e maximização de talento, na área da fotografia.
O GNRation tem capacidade instalada para catalisar, o envolvimento das escolas e a participação dos mais jovens, num conjunto de atividades de polarização deste grande festival. Fazendo jus ao trabalho dos Ermo, que musicaram projetos de diversos autores, no âmbito do ciclo “trabalho da casa”. Neste contexto, apesar do seu prestígio internacional e das suas reconhecidas potencialidades, os Encontros da Imagem não se podem transformar numa iniciativa, que se esgote em si mesma, assumindo a sua continuidade ao longo do ano, fomentando o contacto com esta área de expressão artística, promovendo e estimulando o aparecimento de novos criativos e novos públicos.
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