Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Sobre a nossa identidade e os desafios do futuro

O espantalho

Ideias

2017-05-21 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Temos vivido momentos marcantes nos últimos tempos. Momentos que se têm vindo a intensificar, ao ponto de enraizarem uma forte e convicta esperança em relação ao nosso futuro coletivo, induzindo-nos a sentimento que “Portugal está na moda”. Estado de espírito que decorre do dilúvio de sensações fortes e únicas, causadas pela vitória no campeonato europeu de futebol, da nomeação de António Guterres para o cargo de Secretário-geral da ONU, da imagem internacional e da procura de que o pais está a ser alvo para fins turísticos e para habitação permanente das elites mundiais, aliadas à conjuntura de “estabilidade” política, que estamos a viver.

Apesar da expetativa em relação às opções políticas, que são tomadas no seio do modelo de governação sustentada por uma “geringonça”, nenhum de nós ficou indiferente um outro conjunto de momentos mais recentes. À presença do peregrino de Sua Santidade o Papa Francisco em Fátima, numa visita marcada pela canonização de Jacinta e Francisco, que além de serem portugueses, propiciaram uma peregrinação de superior significado e fé, vivido com grande intensidade pela multidão que acorreu à Cova de Iria, acompanhada nos mais variados contextos, por todo o país, na diáspora e em todo o mundo.

A vitória de Salvador Sobral no festival da Eurovisão, naqueles que ainda se lembravam que tal evento existia, numa primeira fase. Interesse que se alargou a um espetro mais vasto, apesar da euforia causada pelo tetra campeonato conquistado pelo Benfica nos apoiantes porque ganharam, e nos adversários porque sentiram nas mais profundas entranhas a derrota. Houve emoções para todos os gostos, que de forma intensa vitaminaram, até aqueles que ainda conseguiam sentir-se deprimidos e resistentes a este tipo de sentimentos, causados por este leque variado de acontecimentos. Ninguém conseguiu ficar alheio…

Entretanto outros espaços, tempos e factos, aconteceram noutras áreas que envolveram portugueses, com maior ou menor dimensão comunicacional. No desporto, apesar da sua dispersão espacial, um pouco por todo o mundo. No âmbito do desporto universitário, do dirigismo desportivo e em desportos sem o mesmo peso de tradição. Na ciência, nas artes, na tecnologia e na economia, infelizmente, sem a expressão mediática à altura da sua notoriedade e importância, apesar do esforço editorial de especialidade. Dinâmica onde as nossas universidades e institutos politécnicos têm estado particularmente ativos, através da atividade dos seus centros de investigação e de excelência.

Jovens portugueses do ensino secundário e profissional, investigadores do ensino superior universitário e politécnico, têm sido distinguidos com prémios internacionais num leque diversificado de áreas científicas e tecnológicas, em certames de grande prestígio nacional e internacional. Os centros de investigação, instalados no seio das instituições de ensino, tem vindo a apresentar resultados de grande preponderância e pioneirismo nas ciências e na engenharia. Um empreendedorismo científico e tecnológico que tem guindado o país para os patamares mais elevados da inovação, ao nível mundial.

Estes momentos, e outros que vão acontecendo um pouco por todo país, em que as regiões e as suas cidades, empenhadas nas suas dinâmicas de atratividade e dinamização cultural, turística e económica, acrescentam valor e intensificam esta torrente de sucesso que continua a evoluir. Numa linha que vai muito para além da visão reducionista e da simplicidade maleável, criando valor acrescentado em torno dos eventos, científicos, económicos e desportivos e dos nossos eventos culturais de cariz mais erudito ou mais popular, onde pontua o futebol, a música e a cultura tradicional, e muito especial, o fado.

A religiosidade nas mais diversas dimensões, podendo não ter uma expressão tão consensual, ocupa um lugar de destaque. Fátima é, neste sentido, um destino e uma devoção, que corta transversalmente a nossa sociedade de forma mais ou menos intensa ou evidente. Um destino e uma devoção, que deve ser tratada com o respeito e a deferência, que exige o seu significado e o lugar que ocupa, no sentimento coletivo dos portugueses. Um ícone universal da igreja católica romana, venerado pelos mais diversos credos que acorrem ao santuário todos os dias, na sua estada de peregrinação ou de passagem turística pelo território nacional.

O contexto que estamos a viver é favorável em todas as dimensões da vida nacional. O estado de letargia que caraterizava os portugueses, no passado recente, passou por um momento de expetativa que ainda perdura, mas que começa a evoluir para um estado de otimismo e de alguma euforia. Num sentimento de esperança, de podermos sonhar com a possibilidade de viver melhores dias no futuro próximo. Num presente onde todos acreditam que pode fazer a diferença, em que o otimismo começa a aumentar e a imperar de forma expressiva, mas ainda não sustentada.

A Bosch Car Multimédia ganhou um contrato para produção de sistemas de informação e entretenimento, para várias marcas prestigiadas de automóveis europeias e orientais, num montante contratual global, que será responsável por 65% da produção, durante cinco anos a partir de 2018. Novos contratos que irão obrigar ao aumento da capacidade da fábrica de Braga e a transferir parte da produção para as instalações da empresa em Ovar.

Tal como as restantes dimensões da nossa vida coletiva, a economia também vive de boas expectativas, partilhadas pelo Presidente da República. Como se tudo isto não fosse já suficiente, o crescimento económico está a aumentar, o desemprego a diminuir, os rendimentos a subirem e a melhoria da constelação dos indicadores conexos. Pois, os valores registados por estas variáveis económicas, justificam as altas expectativas criadas nos portugueses, apesar da prudência que nos aconselha a racionalidade e a sustentabilidade da actividade económica.

Portugal precisa de tudo isto, para contrariar a tentativa de reduzir este excelente momento, a um mero desvario demagógico de circunstancialismo político, sem sustentabilidade, ou a uma visão passadista da trilogia Fátima, Futebol e Fado, como sinal de atraso, colado à propaganda de um regime que já não existe, e que estamos empenhados em enterrar definitivamente. Transformando estes símbolos marcantes da nossa identidade, vivenciados no respeito pela nossa diversidade em que nos sentimos uma comunidade moderna, que sabe o que quer e para onde quer ir, dando ao mundo um sinal de certeza nas nossas apostas, para construir o nosso futuro coletivo.

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