Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Sobre a aposta no conhecimento no passado, no presente e no futuro

Assim-assim, ou assim, sim?

Ideias

2017-01-02 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Estamos a iniciar o ano de 2017. Momento propício aos balanços tradicionais, nomeadamente, no ano em que a Sele- ção Nacional conquistou o campeonato europeu de futebol, António Guterres superou o difícil processo de eleição, e vai iniciar o exercício de Secretário-geral da Organização das Nações Unidas. Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito, e reconfigurou a magistratura de proximidade e a estrutura protocolar do cargo de Presidente da República. Portugal organizou a Web Summit “ the best technology conference on the planet” , e reposicionou-se a muitos outros níveis. Na ciência, na investigação, no registo de patentes e no ranking das Instituições de Ensino Superior.

Um momento, que anuncia um tempo de mu- dança, esperança e incerteza. Mudança, que vai ser ditada pelas eleições autárquicas, balanceadas entre as restrições impostas pela lei de financiamento dos partidos, que vai impor uma accountability mais exigente, e a tendência para mostrar obra que vai determinar a abertura dos cofres municipais, onde o dinheiro não abunda. A geringonça introduziu uma nova forma de governar impregnada pela imagem de estabilidade de ultrapassar os obstáculos, que sustentam a sua própria existência.

Esperança, no sistema financeiro marcado pe- la estabilidade da economia, na criação de em- prego para as novas gerações. Na aplicação do conhecimento produzido no sistema educativo e formação, nos novos modelos de desenvolvimento. Num país mais equilibrado, promotor da igualdade de acesso às oportunidades, onde o local onde se nasce e se vive, seja cada vez
menos determinante, na educação, no Sistema Nacional de Saúde, na justiça no desporto, na cultura, no emprego e no envelhecimento com dignidade. No turismo que floresce, fazendo do nosso país um destino cada vez mais procurado.

Incerteza em relação ao futuro próximo, com a eleição do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as relações com a Rússia de Pu- tin o seu posicionamento perante a China, a evolução da situação política no médio oriente e em Israel e os jogos de guerra que lhe estão subjacentes, onde a situação da Síria ocupa um lugar de destaque. Os polos de tensão internacional nas políticas de defesa, na economia e no cumprimento dos acordos sobre o ambiente. A segurança interna da Europa e a integração dos refugiados, com as eleições na Alemanha, na França e na Holanda, a que se junta a evolução do Brexit, que está longe do desfecho final.

As políticas públicas nacionais a implementar nas regiões mais periféricas, deprimidas e em acelerado processo de despovoamento. As opções de política fiscal, a saúde do sistema financeiro nacional e nas opções de política económica. A reversão das medidas tomadas no tempo da troika, sem uma comprovada sustentabilidade com propósito de aliviar o cansaço da austeridade. As oportunidades de emprego jovem, com enfoque nos mais qualificados, bem como pela criação de condições que evitem a saída dos jovens mais qualificados para o estrangeiro.
A promoção do emprego jovem é um dos principais desafios dos países europeus. Marca a agenda política, onde nosso País assumiu a meta de 40% de diplomados da população, em 2020. Uma meta que passa, para além de mais, pela redução do abandono e do insucesso escolar. Sendo determinante, a aposta na formação, a definição de uma nova agenda de promoção do conhecimento, que deverá passar pela atração de recursos humanos qualificados e pela dinamização de comunidades de inovação, através das instituições de ensino superior, dos empregadores, dos atores sociais e dos agentes económicos.

A aposta no conhecimento tem vindo a ser as- sumida como um compromisso, e uma resposta reafirmada, simbolicamente, pelo primeiro-ministro, António Costa, a partir de um jardim-de- -infância. Dando conta, que esta aposta será ganha através de instituições de ensino, básico, secundário, profissional e superioras fortes, autónomas e abertas à formação inovadora, por- que na sua perspetiva o maior e verdadeiro défice do país é o défice do conhecimento. Uma simbologia com cenário novo, para uma mensagem recorrente, porque a educação é uma paixão, sucessivamente, revisitada ao longo das últimas cinco décadas.

Educar todos os portugueses, promovendo uma efetiva igualdade de oportunidades, independentemente das condições sociais e económicas de cada cidadão, do emprego qualificado e científico, à criatividade e às novas fronteiras do conhecimento, de modo a fazermos face aos desafios financeiros e culturais que emergem e determinam as novas tendências em Portugal e na Europa. Alargando a oferta de cursos técnicos superiores profissionais, estimulando o relacionamento entre o ensino profissional e o ensino politécnico, estimulando as competências Digitais, reforçando o apoio social no ensino superior.

Sendo o emprego qualificado e científico, a criatividade e as novas fronteiras do conhecimento, a verdadeira resposta aos desafios financeiros e culturais, que emergem e determinam as novas tendências em Portugal e na Europa. Desafios que determinam a absoluta necessidade de levar a cabo a decisiva batalha da educação, a mais constante democracia portuguesa, tanto à direita como à esquerda. Onde a aposta no conhecimento é um compromisso do passado, do presente e do futuro!

O verdadeiro e novo défice, está na classe empresarial e num tecido económico incapaz de absorver dezenas de milhares de trabalhadores qualificados, que rapidamente se tornam sobre qualificados, por não terem forma de exercer as profissões, para as quais se formaram. Ainda que seja necessário continuar a melhorar as escolas e as universidades, o défice do conhecimento, dificilmente pode ser hoje considerado o maior e verdadeiro défice do país, a não ser para as gerações mais velhas, que estão no mercado trabalho e em fim de carreira.

Neste sentido, é cada vez mais consensual a ideia, de que o país não precisa de mais conhecimento, devendo manter a intensidade de produção e assegurar os índices de qualidade atuais. O país precisa de utilizar o conhecimento que tem, para que geração mais qualificada não se transforme, simultaneamente, na mais pobre de sempre. Continuando a combater-se o velho problema, como se fosse novo!
Um excelente ano de 2017!

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