Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Situacionistas, oportunistas e desbocados

Carta à Leonor: olhar mais para fora para melhorar aqui por dentro

Ideias

2018-02-22 às 06h00

Borges de Pinho

Parafraseando Octávio, um “inteligente” comentador desportivo em projecção na TV, «vocês sabem do que estou a falar» pois conhecem muitos no dia a dia, directamente ou através dos media. Como flui de demasiados “casos avulsos”, a expressão é de Marcelo quanto ao caso Centeno, neste país de propaladas e empoladas “maravilhas” há que concluir que nos media, no seu sentido mais abrangente, são muitos os que se assumem como situacionistas, oportunistas e desbocados num viver e agir como “amas de leite” de certos figurões e governos, “aprovando” posições e atitudes, “calando” realidades, “escondendo” pormenores e situações com “reticências” e falhas de clareza, numa “mistificação” de casos e circunstãncias que “alteram” a verdade.
Há comentadores e intervenientes nas TVs, minorcas, penteadinhos, de boca grande, torta ou “suja” sempre vaidosos que, usando os momentos de antena, rentáveis e “gordos”, se entretêm a “esparramar” posições e ideias que satisfaçam os interesses de A, B e C, de quem gostam ou a quem devem favores, “comentando” e tecendo as “críticas” mais convenientes para “diluir” o nefasto de uns casos e “subir” a valia de outros. Situacionistas de corpo inteiro, ou oportunistas, às vezes com dificuldades e embaraço para “acompanhar” certas acções dos governantes, logo as “adoçam” com um reparo ou elogio mitigadores. E se admitimos que a vida está difícil e importa manter lugares que nos projectem social, político e económicamente, a realidade revela-nos alguns comentários a figuras e instituições de todo maculados por interesses e antigas e esconsas “azias”.
Aliás é de recordar a “censura” e “crítica azeda” que se “disparou” contra o MP quanto ao caso do Centeno, “censurando” a inoportunidade e o “negativo” da instauração de inquérito face ao pedido de bilhetes para presença sua e do filho no camarote do Benfica, um “caso avulso”, segundo Marcelo, mas cujo relevo social e judicial surgiu e se agudizou com o inoportuno email do filho de Vieira agradecendo ao pai o empurrão dado na resolução de um caso moroso de isenções fiscais. Suscitando legítimas dúvidas e interrogações sobre jeitos e compadrios a esclarecer, pelo que se justificavam averiguações. Uma situação compreensível face a um questionável e esotérico circunstancialismo temporal e concreto, mas que não desculpa o desaforo de Costa ao dizer que Centeno, mesmo que arguido, não sairia do Governo. Claro! Assim “funciona” a independência entre poderes legislativo, executivo e judicial. À medida, como convém!...
Um tema “delicado”, diga-se, já que se nos afigura que a pessoa da PGR se tornou demasiado incómoda para o poder e governo, e daí todo o desbocado e inoportuno “falaciar” da Francisca, mas de conveniência, ao fomentar a discussão quanto ao prolongamento do mandato, “minando” a sua acção em concreto e condicionando uma continuidade. Porque é conveniente voltar ao “mundo ” dos jeitos e compadrios em que imperam hipocrisias e “jogos sujos”, já que há muitos processos, interesses e casos a decidir, e figuras públicas envolvidas como os Sócrates, Salgados, Varas, Veigas, Vieiras, Damásios, Rodrigues, Rangeis, Galantes, etc., impondo-se “arranjar” uns “novos” Monteiros e Nascimentos, tanto manejáveis como comparsas e a jeito. Isto tudo, para além dos casos M.Vicente, Sobrinho, etc., uns “embrulhos” entre Portugal e Angola e de perversos efeitos.
Entretanto, a maçonaria afirma-se activa, com a loja Universalis e o Grão-Mestre do GOL, Fernando Lima, numa estratégia de acção e poder, a suscitar um frente a frente e debate entre os mundos laboral e patronal, convidando a discutir o futuro mercado do trabalho Carlos Silva, da UGT, “também ele, alegadamente, maçom do GOL” e António Saraiva, da CIP, e “«irmão» de uma outra obediência, a Grande Loja legal de Portugal”. Pedindo-se audiência ao PR e ao PM e sendo-se recebido pelo inefável Ferro Rodrigues, presidente da AR (CM 12.2.18).
Tudo normal num “pântano” feito “arena” de forças e influências num período de “vacas gordas” (não muitas devido a falta de “ração”), compreendendo-se que ante um Rio “fragoso”, de pouco e “poluído” caudal, haja já quem se aconchegue num cómodo situacionismo, mormente quando os genes, as “colocações” de favor e os “empurrões” políticos propiciam e convidam a posições consentâneas com “penachos”, dinheiros e projecção social, e a não perder. Daí os ataques à acção da justiça e do MP, a “doentia” preocupação com as violações do segredo de justiça, com muitos figurões a “revolverem-se” em desbocadas e ofensivas afirmações. Como um tal ST, de ódio enraizado e muita “azia” ao MP, que leviana, gratuita e ofensivamente diz na TV que as “fugas” têm origem no MP, com informações à «Sábado» e ao «C.Manhã», seus “amigos de estimação”, malevolamente esquecendo quaisquer outras fontes possíveis como polícias, funcionários, Advogados e Juízes com intervenção ou acesso aos processos.
E “incomodam-se” com tais “fugas” e “violações”, mas impõe-se e importa reconhecer que assim se “torpedeiam” cúmplices “impunidades”, “esquecimentos”, “silêncios“ e “inacções”, convivendo o povo melhor com as “fugas” nos media, e seus efeitos, do que com a impu- nidade e a “podridão” dos compadrios, “malabarismos”e jeitos dos grandes “donos” da justiça, política e dinheiro presentes num passado recente. Ao contrário do extravagante “falaciar” do ST, o MP, que ainda não está em «roda livre» como diz e quiçá gostaria, está muito bem e re- comenda-se, e muito melhor do que Ontem.

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