Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Sistema de formação de adultos no escutismo

Mosteiro de Tibães: um outro olhar...

Escreve quem sabe

2013-02-15 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

“É bela, portanto, e de grande responsabilidade a Vocação de todos aqueles que, ajudando os pais no cumprimento do seu dever e fazendo as vezes da comunidade humana, têm o dever de educar; esta vocação exige especiais qualidades de inteligência e de coração, uma preparação esmeradíssima e uma vontade sempre pronta à renovação e adaptação”
Concílio Vaticano II


Este texto magnífico que os padres conciliares nos deixaram, inspiraram a matriz do novo sistema de formação de adultos no Escutismo Católico Português porque:
1. marca claramente a opção pela educação e não pelo ensino,
2. situa o escutismo na área da complementaridade à família que, esta sim, tem a primazia das opções educativas para os seus filhos, como muito bem o assume a Constituição Portuguesa,
3. assume conscientemente que a “inteligência” e o “coração” são qualidades indissociáveis e fundamentais do educador,
4. afirma a disponibilidade do educador para acolher uma renovação e adaptação permanentes, à vida, à sociedade e aos jovens que lhes são confiados.

Nesta linha, o educador deve ser possuidor de um conjunto de qualidades que lhe permitam estimular a criatividade, de tal forma que os jovens desenvolvam a sua própria educação, sendo certo que o centro da ação educativa, não é a visão do mundo do educador que importa, mas sim do educando, o educador deve ser apenas “o sal do mundo” e “a luz do mundo” (Mt 5, 13 e14). Ser educador não é fazer uma obra, mas ajudar os jovens a construir a sua própria obra.
Também Baden-Powell é muito claro quanto ao saber do educador não deve ser um homem que sabe tudo, bastando-lhe ser um homem que:
1. “Deve possuir em si o espírito de um jovem; precisa de colocar-se espontaneamente ao mesmo nível do jovens, com quem contacta.
2. Deve compreender os principais traços psicológicos das diferentes fases da vida de um jovem.
3. Deve ter mais em atenção cada um dos jovens individualmente, do que o seu conjunto.
4. Deve desenvolver entre os jovens um espírito de unidade, para alcançar os melhores resultados.” (in, Auxiliar do Chefe Escuta, 6ª ed. Lisboa 2011, p.15)

Para responder a estes princípios fundadores, bem como ao novo Programa Educativo, em vigor no CNE, o Conselho Nacional de Representantes aprovou, no passado mês de novembro o novo sistema de formação de adultos no escutismo (cfr. p.3), constituindo-se como “o «corpus» de passos e oportunidades de formação que o Corpo Nacional de Escutas estabeleceu para os adultos que voluntariamente se disponibilizam para serem adultos no Escutismo, neste caso em particular, Dirigentes do Corpo Nacional de Escutas.

Este sistema pretende constituir-se como fator de harmonização de conhecimentos e elemento de capacitação organizacional e funcional, mas também agente de desenvolvimento pessoal dos próprios adultos no Escutismo, assente em três vertentes: conhecimentos, competências e atitudes.”

O Educador tem que se preparar para seguir os ensinamentos de Khalil Gibran, quando a propósito da educação dos filhos nos diz:
“Vocês (pais/educadores) são o arco onde seus filhos, como flechas vivas, são impulsionados para adiante; deixem que a mão do Arqueiro trabalhe, porque assim como Ele ama a flecha que voa, também ama o arco, que permanece estável.”

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