Correio do Minho

Braga, terça-feira

Significado: ecologia

"Eu não preciso de nada"

Escreve quem sabe

2018-02-12 às 06h00

Filipe Fontes

Num mundo reconhecidamente em mudança permanente e onde o temporário, o imediatismo e a interpretação pessoal e pessoalizada do que acontece quase como se existissem tantas verdades quanto pessoas a estabilização e fixação dos conceitos e significados das coisas são suporte indispensável a uma leitura, análise e interpretação dos factos e das acções reportada à verdade dos factos e contributiva para a construção dos factos indutores da verdade. Admitindo-se como natural e óbvio que a subjectividade é parte integrante da vida humana, dir-se-á mesmo, da sua diversidade e riqueza, não menos se admite que é o quadro estável e sistematizado de conceitos e significados possibilitando que todos possam falar das mesmas coisas que todos possam comparar o que é comparável que permite eliminar os mal entendidos e os ruídos, as interpretações tendenciosas e as divergências interessadas, substituindo-as por uma discussão sustentada numa linguagem comum e um pensamento convergente no fim (mesmo com opções de caminhos diferentes).
No campo do urbanismo, (julga-se) nunca como agora se sente necessidade de regressar à essência de determinados conceitos de modo a reavivar o respectivo significado e recentrar o foco do pensamento e acção.
Neste contexto, surge como palavra imediata visível e generalizada a palavra ecologia. Nunca como hoje se repetiu e difundiu a palavra ecologia. Nunca como hoje se banalizou esta palavra, (aparentando-se) esquecer o seu verdadeiro significado.

Feita da composição de eco mais logia, ecologia não é mais do que o estudo da relação dos seres vivos com o meio ambiente. Trata de um sistema e relação entre duas partes, procurando de alguma forma encontrar o equilíbrio e o compromisso entre a resposta às necessidades dos seres vivos e salvaguarda da riqueza e idiossincrancia da natureza.
Ao contrário do que tantas vezes resulta ecologia como ambiente, como natureza em bruto que não é vivida nem habitada. Ecologia como fatalmente defensora da natureza, tudo secundarizando ou relativizando em função do comportamento do que é natural, ecologia é, poder-se-á dizer, harmonia entre as duas faces da mesma moeda, nunca a sobreposição de uma perante a outra.
Noutra perspectiva, ecologia é também a soma de eco enquanto repetição de um som ou palavra e logia enquanto indutora de sistematização e estruturação. Ou seja, é uma soma que resulta numa palavra: coerência. Coerência de pensamento e acção. Que se verbaliza numa palavra que requer uso rigoroso e objectivo.

Talvez seja aqui que resida a diferença entre ecologia e eco-logismo. E talvez seja aqui a oportunidade de corrigir a palavra usada e o seu fim. Porque, o que hoje se assiste é fundamentalmente a afirmação do segundo (ecologismo) acções e discussão de dimensões variáveis, de espectro tão lato e centrado tão exclusivamente no verde, no natural e não na ecologia que trata da relação e do bem-estar entre o ser vivo e a natureza.
Não se trata de defender uma (que se julga verdade inquestionável) relativamente à outra (que se julga opção questionável). Trata-se sim, e tão só, de dar significado certo às palavras. E, assim, permitir que possam usar a mesma linguagem e estabelecer uma plataforma de entendimento. Nem que seja para afirmar as diferenças existentes. Que serão sempre bem mais genuínas e verdadeiras. E assim, precursoras de entendimentos: De melhores e mais duradoiros entendimentos.
Num mundo, repete-se, tão facilmente mutável e tão produtor de verdades, cultivar o rigor da palavra é exercício difícil e exigente. Porque na sua essência, exige sempre a prática do e em detrimento do ou, implica sempre defender e convencer. O que é, seguramente, muito mais difícil do que impor e relativizar.
Também aqui na linguagem e uso das palavras - se impõe ecologia: bum exercício de concertação e construção que a todos beneficia!

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