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Serviço Nacional de Saúde

Escreve quem sabe

2020-10-30 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Há poucos consensos em Portugal, mas parece que é opinião corrente que o SNS foi a maior conquista da Revolução de Abril. Ainda me recordo como as pessoas morriam sem assistência médica. O SNS nasceu, cresceu, desenvolveu-se e estendeu-se a todo o país, E, apesar de muitas fragilidades, foi capaz de lidar com a pandemia e com sucesso.
E, apesar deste sucesso, se comparado com outros países europeus, vem agora o Presidente da República assumir o ataque ao vírus, fragilizando os responsáveis políticos e técnicos da saúde. O ponto alto foi a reunião com os ex-bastonários. Estes defendem, porque estão especialmente interessados, a colaboração com o setor privado. Tentam, assim, melhorar a reputação que ficou abalada com o início da pandemia e, em segundo, lugar ganhar dinheiro.

Esquecem-se que, segundo dados de 2018, o Estado transferiu para os privados 6.655, 7 milhões de euros, sendo que mais de 40% do orçamento da saúde é para pagar aos privados. Estes anunciam a falência do SNS porque querem mais, querem a derrocada do sistema.
É certo que o financiamento do SNS tem ficado além das necessidades. É certo também que os salários dos profissionais de saúde são vergonhosamente baixos; a carreira deixou de ser atrativa; há excesso de horas extraordinárias, pagas de forma ridícula. Com este panorama, os privados vão atraindo os melhores.
Mas o caminho não está não está na entrega aos privados. Estes gostariam de substituir-se ao Estado, deixando-lhe apenas aqueles que não podem pagar, mas aconteceria aquilo que está a ter lugar nos Estados Unidos, o país de medicina mais avançada do mundo. E eu sei o que é a saúde privada porque me nasceu lá um filho. Se alguma inferência pode ser tirada da pandemia é de que o Estado se tornou absolutamente necessário.
O Presidente está a meter-se onde não é chamado. Que se cale.

É neste contexto que se pode explicar o comportamento do Bloco de Esquerda relativamente ao Orçamento do Estado, ao ter decidido votar contra. O BE aponta como principal argumento para votar contra o subfinanciamento da saúde. O Bloco esquece-se que Portugal é um país pobre que tem que controlar a despesa para não entrar em bancarrota.
Porquê esta irresponsabilidade? O Bloco é um partido de causas, o mesmo é dizer, populista. Que aproveita as dificuldades políticas para criar ruturas. Não se pode esperar um comportamento político consistente porque não tem uma ideologia e uma ideia estruturada do futuro. Como afirma Cas Maude e C. Kaltwasse em o POPULISMO: “a maioria dos populistas de esquerda conjuga o populismo com alguma forma de socialismo, em quanto os populistas de direita com algum tipo de nacionalismo.

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