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Serei Louro?

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Serei Louro?

Escreve quem sabe

2023-10-01 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Nem sempre evito os clichés, mas quero crer que neles incorra conscientemente e porque melhor captem uma realidade que aborde. No caso presente, evitando-os, poderia ter invocado por título um célebre desabafo de Scolari, mas burros podemos ser sem que se veja, já à visibilidade da lourura ninguém escapa, pelo menos entre nós.
Pois serei louro, certamente, porque por voltas que dê não apanho o racional de uma medida comercial da tap, que só não me contempla porque viaje no trajecto Orly-Porto, não Orly-Lisboa. As facilidades em causa justificam detalhe em segunda abordagem, depois de esgotado o assombro da discriminação lateira entre os portugueses de lisboa e arrabaldes e os portugueses do porto. Será uma daquelas coisas que acodem a pessoas sagazes, no governo ou não, do teor de um «e porque não antecipamos um voo para dar graxa ao Marcelo». Ora eu, que ainda ontem fiz reserva de dois voos, não vejo porque não me conviesse tomar assento em voo anterior ou mudar reservas sem encargos adicionais. Admito que a tap me faça chegar justificação intocável, que desde já prometo que me esforçarei por ser moreno. A tap o faça e aqui darei a devida nota.

Antes havia crentes, ateus e agnósticos, para referir as principais linhas de divisão. Hoje há cada vez mais crentes, só que de igrejas sem deus e de mandamento único, mas pobres dos hereges ou dos blasfemos, ainda assim, que não há deus fundante que castigue com o empenho de pregador de torcida climatologia. O clima entra-nos vida adentro como uma religião, não como uma preo- cupação, como um dogma, não como uma equação, como uma excomunhão, não como um diálogo de esclarecidos.
Acode-me expressão caída em desuso, quando por «apanhados do clima» se entendiam aqueles que avariavam um pouco nas mudanças de estação. Coisa pouca, nos casos de bom prognóstico. As mudanças climáticas, a urgência climática, o colapso, enfim, do planeta e a extinção da vida!!! Fervores irmãos daqueles que muito judeu e muita bruxa levaram à fogueira.

Da pregação inflamada e violenta quisera eu vê-los evoluídos à ascese a tempo inteiro, despidos das bugigangas multifunções com que se filmam e difundem na nuvem, que a seu turno aquece o planeta, que em fraldas ficcionam salvar. Ruído sem discurso, pura cacofonia, eis a que se resume a cruzada pelo planeta, pelo menos dentro dos limites europeus. Descarbonizava, a Alemanha que agora carboniza de novo, porque ao gás, que era limpo, encontraram-lhe o pecado original de ser russo. Recarboniza, a Alemanha, porque muito ecologista de boa cepa se insurgiu contra o nuclear, que ninguém consegue dizer se é sujo, se é limpo.
Dilúvios e secas, degelos e aridez, sustentabilidades subvertidas e a ingenuidade histriónica de narcisos de megafone e balões de tinta. Pouca se me faz a paciência para quem não me demonstra o peso do factor humano no que em câmbio se nos afigura. Sim, talvez as plantações intensivas de soja e de palma sejam demónios à solta, talvez a desnaturalização e a utilização abusiva dos solos sejam inferno sobre inferno, mas onde é que estão as sanções, à semelhança daquelas que o grande polícia estipula para ditadores que ofendem a ritualística liberal?

O Planeta está sob ameaça! E o Homem não? As práticas predadoras que apunhalam florestas não sairão dos mesmos Conselhos de Administração e dos mesmos Comités de Crise que nos roubam horizontes de crescimento pessoal, que nos gritam aos ouvidos que lugar nenhum é o nosso, salvo a vala comum, talvez, em que nos decomponhamos em nutrientes, e haja vistoso eucaliptal.

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