Correio do Minho

Braga, terça-feira

Será que nós já esquecemos dos ensinamentos das Guerras Mundiais?

O conceito de Natal

Ideias

2018-11-15 às 06h00

Alzira Costa

No dia 11 de novembro, celebraram-se os 100 anos do Dia do Armistício. Em breves palavras, o dia do Armistício é uma sessão solene de fim simbólico relativamente à celebração de um acordo de cessar fogo da Primeira Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918. A data comemora o Armistício de Compiègne, assinado entre os Aliados (França, Reino Unido, entre outros) e o Império Alemão em Compiègne, na França, e que ditaria o fim das hostilidades na Frente Ocidental, o qual teve efeito às 11 horas da manhã — a "undécima hora do undécimo dia do undécimo mês".

Assim, no passado domingo, um pouco por todo o mundo, realizaram-se vários eventos comemorativos da data, para relembrar este período trágico para a Europa, e para o Mundo. O evento mais simbólico realizou-se em Paris, onde o Presidente Francês recebeu cerca de 60 chefes de estado (incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel; o presidente norte-americano, Donald Trump; o presidente russo, Vladimir Putin, entre outros), para a cerimónia do soldado desconhecido. Para além dos chefes de Estado, o evento contou ainda com mais 30 representantes de organizações internacionais. Nas comemorações deste ano, o presidente francês decidiu incluir um evento denominado de Fórum da Paz, que pretendeu não só abordar, debater, e apresentar soluções para o estado da paz mundial, como relembrar que a paz não é um dado adquirido. A civilização ocidental (onde se inclui a Europa), passa por um momento sensível com a emancipação de movimentos radicais, relacionados com diversos nacionalismos e populismos. Estes movimentos são, por si, um risco para os valores europeus, e para a defesa dos direitos humanos, incitando ao ódio e ao desrespeito pelos mais elementares princípios fundamentais do Estado de Direito.

A União Europeia, enquanto elemento agregador, tem sido imprescindível para conservar a união entre os vários estados europeus, a mediação dos seus interesses, e a proteção dos seus cidadãos. Para o efeito, convém relembrar o contínuo reforço de políticas de cooperação internacional entre as redes policiais dos vários estados membros e que estão vigentes no espaço europeu, para exercer funções em matérias ligadas com a segurança da ordem pública ou o terrorismo. Para a prossecução destes fins, muito contam a prestação de redes como a EUROPOL ou a EUROJUST. Ao longo dos últimos anos temos assistido a uma descida considerável de atentados terroristas na Europa. No entanto, tais fatos, podem estar seriamente comprometidos se não existir um reforço claro por parte dos cidadãos europeus na preservação da paz. Não obstante, enquanto ator global, a União Europeia tem feito de tudo o que tem ao seu alcance para relembrar aos seus parceiros internacionais a importância da paz para a estabilidade e prosperidade da humanidade, e nesta missão não está sozinha. O centenário do dia do armistício e o respetivo Fórum da Paz são bons exemplos da vontade dos chefes de estado europeus em concertar esforços para atenuar o nível de tensão existente entre vários países, e concentrar esforços na resolução de outros conflitos armados.

Por conseguinte, convém relembrar o que a I Guerra Mundial nos trouxe essencialmente: devastação e perdas humanas. A título de exemplo, durante os 4 anos da primeira Guerra Mundial, perto de 20 milhões de pessoas perderam as suas vidas, 7 milhões ficaram incapacitados, e 15 milhões ficaram gravemente feridos. O efeito na demografia europeia não se ficou por aqui. A escassez de bens alimentares, e a proliferação de viroses e epidemias dizimaram milhões de pessoas por toda a Europa. Também a economia mundial sofreu um grande revés. Vários países sofreram crises gravíssimas devido aos custos incomportáveis de uma guerra a esta escala, sobretudo no que diz respeito a bens essenciais para a população, e subidas incomportáveis na inflação (outro registo que passa despercebido à maior parte dos europeus, principalmente aqueles que nunca usaram as moedas nacionais anteriores ao Euro).

Destarte, mais do que nos relembrarmos das inseguranças e dos infortúnios, devemos centrar as nossas atenções na preservação da paz, da estabilidade e prosperidade que a sociedade europeia goza nos dias de hoje – elementos imprescindíveis para o presente e futuro da sociedade. A defesa dos direitos humanos, dos princípios inerentes ao Estado de Direito, a estabilização das economias da zona euro são fatores essenciais para preservar uma sociedade aberta, justa, equalitária e anti discriminatória.

A cada dia que passa, o futuro apresenta-se cada vez mais inconstante e, cabe-nos a nós, enquanto cidadãos europeus, lutar pela preservação da ordem social tal como ela é nos dias de hoje. E essa luta passa também pela reafirmação da credibilidade do sistema democrático através do voto nas respetivas eleições. Todos os fatores e causas supracitadas devem ser parte de uma reflexão por parte do leitor, o qual deixamos a seguinte questão: será que nos esquecemos mesmo dos ensinamentos das Guerras Mundiais?

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