Correio do Minho

Braga,

Separar resíduos também é poupar

Mercado de trabalho em Portugal: pontos fortes e pontos fracos

Escreve quem sabe

2012-02-22 às 06h00

Pedro Machado

Cerca de 70% das famílias portuguesas separam os resíduos, esta é a principal conclusão do estudo sobre “Hábitos e Atitudes face à separação de resíduos domésticos 2011” encomendado pela Sociedade Ponto Verde, cujos resultados foram revelados recentemente.
Os 30 por cento de famílias que ainda não separam qualquer tipo de resíduos, afirma que esta atitude é devida à falta de recipientes próprios para o efeito e uma noção de excessivo trabalho pessoal/familiar implicado. Ora, estes motivos invocados, vistos por quem separa os seus resíduos, apresentam-se mais como desculpas do que com motivos legítimos.
Mas será que se disséssemos a estas famílias que se separassem os seus resíduos também estariam a poupar, será que a sua atitude mudaria? Em tempos de crise, as reportagens, programas, blogs e artigos com dicas de poupança sucedem-se sobre todas as áreas da nossa vida quotidiana: poupar no super-mercado, em casa, em lazer, energia, transportes, etc.… Proponho que se analise a separação de resíduos como forma de poupança.
Ora vejamos: a tarifa de resíduos que o munícipe paga na fatura da água, é calculada segundo o consumo de água. A ideia subjacente é que, quanto mais água uma família consome, mais elementos terá e, portanto, mais resíduos gerará. Mas sabemos que em famílias com o mesmo número de pessoas o consumo de água pode ser mui-to diferente. Podemos começar logo aqui a poupar: quanto menos água consumirmos, me-nos tarifa de resíduos iremos pagar.
Para além desse aspecto, a tarifa de resíduos é divida pelo serviço de recolha de resíduos indiferenciados que as câmaras ou empresas municipais prestam, cujo custo é calculado não só pelos custos associados à recolha e transporte (que serão fixos independentemente da quantidade de resíduos recolhidos), mas também pela taxa paga pela deposição em aterro desses resíduos indiferenciados. Isto, porque os resíduos colocados nos ecopontos, na nossa zona de abrangência, são recolhidos pela Braval e não é cobrada nenhuma taxa por este serviço.
Aqui sim, o custo poderá variar conforme a quantidade de resíduos recolhida. Se todas as pessoas passassem a separar todo o tipo de resíduos passíveis de valorização, a quantidade de resíduos indiferenciados a recolher seria muito menor, logo a taxa paga pelas câmaras ou empresas municipais para depositar esses resíduos em aterro também seria menor, o que se reflete na tarifa de resíduos paga pelos munícipes.
Mas podemos ir mais longe. A separação dos óleos alimentares usados para valorização, em vez do os eliminarmos pelas águas residuais também permitiria poupar na tarifa do tratamento das águas residuais.
Através do projeto Óleo +, a Braval disponibiliza os recipientes para separação do óleo alimentar usado e recolhe-os, gratuitamente. Mas, se forem eliminados pelas águas residuais, para além de prejudicar as próprias canalizações, tornarão as águas residuais de mais difícil tratamento, mais longo, e mais dispendioso. Isto será refletido também na fatura da água, na tarifa de tratamento de águas residuais. Assim, separar os óleos alimentares usados, para além dos benefícios ambientais, também implica benefícios económicos.
O estudo anteriormente referido também revela precisamente que a crise tem afetado o consumo das famílias, logo também há menos resíduos a eliminar. Mas mostra também que a preocupação económica tem efeitos a nível dos hábitos ambientais. Algumas famílias inquiridas já afirmam ter diminuído os consumos de água e energia elétrica, para poupar. É preciso estender este exemplo, de que bons hábitos ambientais são sinónimo de poupança monetária, a todas as famílias.
Parece que chegamos a um ponto em nada motiva mais as pessoas que a ideia de poupança. Já que a preocupação ambiental não é suficientemente motivadora, vamos apostar na ideia de poupança ambiental como sinónimo de poupança económica, para levar mais pessoas a separar os seus resíduos.
Em vez de dizermos que está sempre mal, que está tudo caro, porque não fazermos um mea culpa e esforçarmo-nos por poupar separando os resíduos e o óleo e não esperar que sejam outros a fazê-lo.
Ajude-nos ajudando-se, poupando!

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