Correio do Minho

Braga,

Semana Europeia da Mobilidade 2014, ‘As nossas ruas, a nossa escolha’!

A vida não é um cliché

Ideias

2014-09-18 às 06h00

Alzira Costa

Entre os dias 16 e 22 de setembro celebra-se a 13.ª edição da Semana Europeia da Mobilidade. A narrativa da Semana Europeia da Mobilidade teve a sua génese em França, concretamente em 1998, com a iniciativa ‘Na cidade, sem o meu carro!’, que instituiu o dia sem carros.

O êxito desta iniciativa francesa conduziu ao lançamento da Semana Europeia da Mobilidade em 2002. Esta iniciativa continua a decorrer todos os anos no mês de setembro, de forma a encorajar as cidades a fecharem as ruas à circulação automóvel durante um dia. Ao serem encorajadas a utilizar meios de transporte sustentáveis e sensibilizadas para o impacto ambiental das suas escolhas em matéria de transportes, as pessoas têm a oportunidade de olhar para as suas cidades numa perspetiva diferente.

Desde então, a Semana Europeia da Mobilidade viu o seu impacto estender-se a toda a Europa e ao resto do mundo. Em 2013, 1 931 cidades, representando 176 milhões de cidadãos, inscreveram-se para participar na campanha. Foram instauradas 8 623 medidas permanentes, centradas principalmente na criação de infraestruturas para ciclistas e peões, na moderação do tráfego, na melhoria da acessibilidade dos meios de transporte e na sensibilização para comportamentos mais sustentáveis em matéria de mobilidade.

Segundo Siim Kallas (Vice Presidente e Comissário Europeu dos Transportes) “os engarrafamentos fazem perder 100 mil milhões de euros todos os anos às nossas economias, para já não falar do tempo que nos roubam e dos efeitos na saúde”.

Esta iniciativa é a oportunidade perfeita para apresentar alternativas de mobilidade sustentável para os cidadãos, para explicar os desafios que as cidades enfrentam, a fim de induzir a mudança de comportamento e fazer progressos no sentido de criar uma estratégia de transporte mais sustentável para a Europa. Com efeito, as autoridades locais são fortemente encorajadas a usar a Semana Europeia da Mobilidade para testar novas medidas de transporte e obter feedback dos cidadãos.

Não obstante, esta semana é igualmente uma excelente oportunidade para os atores locais se reunirem e discutir os diferentes aspetos da mobilidade e da qualidade do ar, encontrar soluções inovadoras para reduzir o uso do automóvel (e assim as emissões), bem como, testar novas tecnologias ou medidas de planeamento.

Desde a sua introdução em 2002, o impacto da Semana Europeia da Mobilidade tem crescido constantemente, tanto em toda a Europa como no resto do mundo, contando no seu historial, com países como Argentina, Japão, Tailândia, Brasil, Canadá e Vietname.

Cerca de 2000 cidades europeias irão participar nesta 13.ª edição da Semana Europeia da Mobilidade, cujo lema é ‘As nossas ruas, a nossa escolha’. A Comissão Europeia apoia esta semana, fundamentalmente para a coordenação a nível europeu, e através do prémio da Semana da Mobilidade. Os promotores nacionais e locais da campanha organizam eventos de natureza diversificada sendo o objetivo desta semana incentivar os cidadãos a “reconquistarem” os espaços urbanos com vista a criarem a cidade na qual querem viver.

Janez Potočnik, Comissário Europeu do Ambiente referiu que “As cidades são máquinas para viver, e nós temos que encontrar formas de humanizar essas máquinas. Assim, a Semana Europeia da Mobilidade deste ano, centra-se em tornar as nossas cidades em espaços habitáveis, espaços humanos. Ao abrir as ruas e espaços públicos a caminhadas e ao ciclismo, estamos voltar ao que era a dimensão humana. São as nossas ruas - por isso deve ser a nossa escolha!”.

Durante grande parte do século passado, as áreas urbanas foram moldadas para melhor facilitar a circulação dos “carros”, muitas vezes em detrimento de outras formas de transporte. O domínio dos veículos particulares originou cidades cada vez mais congestionadas, poluídas e barulhentas, bem como menos saudáveis e agradáveis.

Esta realidade trás certamente vantagens de mobilidade mas o preço a pagar é proporcionalmente, ou em maior escala, elevado. Estudos revelam que 97% dos europeus estão expostos a concentrações de ozono superiores às recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, que mais de 40% das emissões de óxidos de azoto são resultado dos transportes rodoviários, ou ainda que 220 a 300 euros foi quanto a poluição atmosférica causada pelas 10 000 maiores instalações poluentes da Europa custou a cada cidadão da União Europeia em 2009.

Conscientes desta realidade muitos cidadãos europeus começam já a mudar hábitos e 63% afirma ter utilizado menos o automóvel nos dois últimos anos para melhorar a qualidade do ar. Por sua vez, um relatório da ONU assinala que o buraco da camada de ozono está, pela primeira vez em 35 anos, a diminuir o que claramente é bom sinal.

Portugal respondeu positivamente a esta iniciativa com sessenta e seis cidades a participar promovendo um conjunto alargado e diversificado de iniciativas. Concretamente, na área de intervenção do CIED Barcelos, é com enorme regozijo que verificamos que Braga e Barcelos são duas das cidades onde se assinala a Semana Europeia da Mobilidade.
(http://www.mobilityweek.eu/cities/?year=2014&country=PT).

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