Correio do Minho

Braga, terça-feira

Sem emprego, mas com gestor!

O conceito de Natal

Ideias Políticas

2012-02-28 às 06h00

Carlos Almeida

Os disparates proferidos pelo ministro da Economia não param de crescer. Já não há lugar para tantas asneiras em tão pouco tempo. Não é que agora o ministro dos pastéis de nata lembrou-se de propor, no quadro de um dito Programa de Relançamento do Serviço Público de Emprego (que, pelo que se percebe, a única coisa que vai relançar é mais desempregados), a criação de uma estranha figura: o gestor de carreira do desempregado.

Vejamos esta proposta por dois lados. Primeiro: é um facto que o desemprego de longa duração assume na actualidade contornos absolutamente preocupantes - segundo o último relatório do Instituto Nacional de Estatística, 32,6% dos desempregados estão nessa condição há, pelo menos, 25 meses -, mas daí a considerar-se a acumulação de anos no desemprego como uma carreira vai um passo de gigante, a par de uma enorme falta de pudor.

Sei também que, atendendo às políticas deste governo, os únicos que podem pensar em progredir na carreira são os desempregados, mas, Sr. ministro, tenha dó!, estes são precisamente aqueles que não o querem fazer. Ao contrário do que muitos pensam e dizem, os desempregados não têm qualquer contentamento por se encontrarem sem trabalho, querem, isso sim, sair dessa situação o mais rápido possível.

Segundo: o gestor de carreira do desempregado pode ter surgido como substituto legal do gestor de conta que existe nos bancos. Terá o Sr. ministro constatado que os trabalhadores desempregados não têm um tostão furado que possa ser gerido pelas instituições bancárias. Segundo a Segurança Social, em Dezembro de 2011, estavam a receber subsídio de desemprego apenas 317 mil desempregados, o que correspondia a 41,1% do desemprego oficial, e apenas a 27,3% do desemprego total efectivo.

Posto isto, de que precisa um desempregado? De um gestor de carreira, claro está! Assim terá alguém para o lembrar das apresentações quinzenais a que está obrigado, ou ainda para lhe dizer onde pode arranjar uns carimbos que atestem que tem mendigado emprego.

Num país que soma, em sentido lato, cerca de um milhão e duzentos mil desempregados, o que faz falta, de facto, são gestores de carreira?! Principalmente depois de este governo ter alterado a lei do subsídio de desemprego, o que veio reduzir significativamente o período a que o desempregado tem direito a receber o subsídio de desemprego, assim como o seu valor, deixando-o numa situação absolutamente desprotegida.

Acresce que esta não é a única tolice do dito programa aprovado em Conselho de Ministros. O governo propõe-se também a entregar a agências privadas de emprego a gestão do problema, promovendo com grande despudor o negócio fácil e o emprego sem direitos, à custa do desespero e drama de milhares de portugueses. As empresas de trabalho temporário agradecem o gesto.

Fica por isso evidente que este governo não está minimamente preocupado com as miseráveis condições de vida que os desempregados enfrentam diariamente. Tampouco está preocupado com os impactos desastrosos de uma política que agrava a recessão económica, destruindo centenas de postos de trabalho por dia, contribuindo para o endividamento, para a insustentabilidade da dívida externa e para o atraso do país.

O objectivo do governo português é apenas um: servir os interesses das instituições financeiras europeias, ao agrado do directório franco-alemão. E enquanto assim for estamos condenados ao desastre económico e social. A grande questão é que não tem que ser sempre assim.

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