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Sejamos rigorosos

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Sejamos rigorosos

Escreve quem sabe

2021-02-14 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Mais uma vez destaco que o modo como nos expressamos, oralmente e por escrito, assume, indubitavelmente, um valor socio- cultural considerável, promovendo a aceitação, a credibilidade e o prestígio social. Porém, se o domínio da língua for deficitário, a nossa imagem pessoal e profissional é afetada.
Todos nós já ouvimos pronunciar erradamente as formas verbais da primeira pessoa do presente do conjuntivo (p[ó]ssamos; s[é]jamos, f[á]çamos, t[é]nhamos,…). Estas formas ver- bais são graves, ou seja, o acento tónico recai na penúltima sílaba: possamos, sejamos, façamos, tenhamos (estas palavras escrevem-se sem acento gráfico).
Não se pense, no entanto, que a pronúncia incorreta destas formas verbais é apanágio das pessoas com menor escolarização. Como diz o povo, “no melhor pano cai a nódoa”. Basta estar atento aos telejornais e ouvirmos ministros, jornalistas, médicos e outras pessoas que deveriam saber usar corretamente a língua portuguesa, a incorrer nesse erro.
Outro erro reiteradamente ouvido, ainda no que respeita à conjugação verbal, é a utilização errada do verbo “haver” no presente do indicativo quando acompanhado da preposição “de”. Quem nunca ouviu “vocês “há dem” em vez de “hão de”? Ou “Tu há des” por “hás de”?
Quando os meus alunos erram no “hás-de”, costumo invocar o meu gosto pela mitologia e explicar-lhes que Hades era o deus grego dos infernos. Brinco com eles dizendo que se repetirem o erro vão para o inferno das negativas.
Relembro que o paradigma de conjugação do verbo “haver” no presente do indicativo acompanhado de preposição é: eu hei de, tu hás de, ele há de, nós havemos de, vós haveis de, vocês / eles hão de. Segundo o novo acordo ortográfico, o hífen deixa de existir a separar a forma verbal da preposição, o que nos leva a uma outra série de erros que pulula pelas redes sociais, sobretudo: o desaparecimento dos hífens na ligação dos pronomes pessoais átonos à forma verbal.
Mantem-se o uso deste sinal gráfico para ligar os pronomes pessoais átonos às formas verbais na ênclise (quando o pronome aparece depois da forma verbal “sento-me”) e na mesóclise (quando o pronome aparece no meio da forma verbal “sentar-me-ia”).
Também usamos o hífen para ligar os pronomes “o, a, os, as” (que passam a “lo, la, los, las) aos pronomes “nos” e “vos” ou ao advérbio “eis” (que passam a “no, vo e ei” – não vo-los dou/ ei-la aqui)

Boa semana.










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