Correio do Minho

Braga,

Seja mais feliz…a ler

Quando eramos anjos

Voz às Bibliotecas

2019-03-21 às 06h00

Aida Alves

Segundo Fernando Pessoa “a literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm.”
Se formos mais consumidores de cultura, se formos leitores mais ativos, vamos com toda a certeza ser mais felizes, no sentido que a felicidade nos traz maior segurança, maior descontração, maior satisfação, mais compreensão e autoestima. As pessoas mais felizes têm maior facilidade de integração e convívio sociais. Os leitores mais ativos são por norma pessoas intelectualmente enérgicas, generosas, cooperativas, comunicativas, desempoeiradas, menos preconceituosas.
A cultura e a leitura, enquanto ato cultural e social, trazem felicidade e bem-estar. Quando estamos mais felizes, somos mais flexíveis, mais despertos para a criatividade e liberdade dos pensamentos, tornando-nos mais ricos e produtivos na escola, no trabalho, na família. Ao lermos mais, tornamo-nos mais resistentes diante das dificuldades da vida; com sistemas imunológicos mais fortes e fisicamente mais saudáveis. Vive-se mais intensamente durante mais tempo, porque vivemos duplamente, a nossa vida e a vida das personagens que lemos e acompanhamos. Somos duplicadamente mais ricos.
Devemos ser gratos aos autores, escritores, poetas pelo trabalho intelectual, cultural e social que fazem. [A gratidão é uma emoção social que sinaliza o nosso reconhecimento do que os outros fazem por nós]. Quando lemos a sua literatura, através de um romance, de um conto, ou um poema, absorvemos a sua linguagem, transportando-nos para outra(s) vida(s), criando relações empáticas com eles e com os seus textos. Este ato obriga-nos a desenvolver uma competência social que é a empatia. Uma habilidade que pode ser cultivada ao longo da nossa vida. A leitura gera empatia e esta pode ser utilizada como uma força de transformação social. Pela leitura conseguimos “calçar os sapatos” do autor ou das personagens, o que nos obriga a compreender os seus sentimentos e perspetivas e usar essa compreensão para orientar nossas ações. [A empatia é uma condição das relações interpessoais funcionais. ]
A leitura e a empatia desenvolvem-nos a curiosidade sobre o desconhecido. Qualquer tema, lugar, hora, são bons para fazer novas ligações, novas sinapses cerebrais, pelas mãos da curiosidade. Um leitor (empático) tenta entender o mundo dentro da cabeça da outra pessoa. Experimenta cenários desafiadores que o levam para fora da zona de conforto. Se associar a prática leitora (com boa literatura), à aprendizagem de uma nova habilidade, como por exemplo aprender a pintar, a esculpir, tocar um instrumento musical, aprender uma língua estrangeira, vai aumentar a sua resiliência. Se ler mais livros que explorem as relações pessoais e as emoções, desenvolverá ainda mais a empatia. A poesia é um excelente género para acompanhar as emoções do escritor-poeta. Além do bem-estar geral que irá viver quando ler boa poesia, estará a somar uma interessante estimulação intelectual, melhoria da memória, aumento da capacidade de introspecção e cultura.
Ao participar em eventos culturais, tais como conferências, palestras, debates, vai desenvolver a arte da escuta, da participação e comunicação oral. Ler, ouvir e comunicar nunca serão suficientes ao longo de uma vida. Ao ler muito, poderá ter motivação e vontade para escrever os seus próprios textos. Esse será com toda a certeza o expoente máximo do desenvolvimento cognitivo e pensamento crítico. Aventure-se!
À pergunta “Porque é que escreve?’, respondeu o poeta francês Saint-John Perse (Prémio Nobel da Literatura em 1960): “Para viver melhor'”.
Nós perguntamos, por que razão devemos ler (mais)? Para viver (ainda) melhor e sermos mais felizes.



O EFEITO “ARREPIANTE” DA POESIA
Quando
“Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.”
Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘Dia do Mar’

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